Com mídia convidada e parceira, o DIÁRIO DO TURISMO participa da 46ª edição da Fitur – Feira Internacional de Turismo em Madri, que acontece de 21 a 24 de janeiro. Na tentativa de traduzir a grandiosidade do evento, o jornalista Paulo Atzingen*, editor do DIÁRIO, entrevistou Maria Valcarce, diretora geral da Fitur. Em um diálogo exclusivo, Maria compartilhou os bastidores da organização da feira, os desafios de manter a liderança global e as diretrizes inovadoras que moldam o futuro do turismo.
Trabalho contínuo e ininterrupto
A entrevista aconteceu no centro de imprensa do Pavilhão 8 e Maria Valcarce foi especialmente atender à reportagem. Maria revelou que a organização e o planejamento da feira é continuado e ininterrupto. “Estamos sempre um passo à frente. A equipe já está envolvida na preparação da Fitur 2027, o que demonstra o compromisso integral com a excelência do evento. O processo começa com o desenvolvimento do projeto, passa pela definição dos espaços, curadoria das atividades e contato com os participantes. “Planejar uma Fitur demanda um ano inteiro de dedicação”, pontuou.
Maria Valcarce está à frente da diretoria desde janeiro de 2019. “Este é meu sétimo ano na direção, e isso me dá uma visão ampla da evolução da feira”, disse. De fato, os números impressionam: só este ano, a Fitur registrou um crescimento de 9% no número de empresas participantes e 11% no de companhias internacionais. “São 10 mil empresas, sendo quase mil expositores titulares. Temos uma previsão de 255 mil pessoas entre profissionais e público final passem por aqui”, quantificou.

Desafios à frente
Sobre os desafios à frente, Maria destacou duas frentes principais. A primeira é consolidar a Fitur como a feira mais relevante para conectar o mundo com a América Latina, posição já alcançada. “Nosso segundo objetivo é fortalecer nossa presença em mercados como o Oriente Médio e a Ásia. Temos avançado significativamente, mas há espaço para crescer”, explicou.
Ela também destacou que a Fitur hoje lidera em número de empresas africanas participantes, e mantém uma forte presença na Espanha e na Europa. “Queremos reforçar a representatividade nas regiões asiáticas e do Oriente Próximo. Essa é uma prioridade estratégica”, declarou.
MAPA FITUR 2026
Manter-se na Vanguarda
A diretora falou ainda sobre a importância de manter a feira na vanguarda do setor, antecipando tendências e propondo inovações. Como exemplo, mencionou a introdução de uma nova seção dedicada exclusivamente a experiências turísticas. “Acreditamos que o futuro do turismo passa por vivências autênticas e diferenciadas. O viajante atual valoriza mais a experiência do que qualquer outro aspecto da viagem”, observou.
Essa nova seção da feira visa orientar os provedores de experiências sobre como integrar-se à cadeia de valor do turismo. “É fundamental que saibam como comercializar seus serviços em conjunto com destinos e outros serviços turísticos. Queremos impulsionar esse segmento”, reforçou.

UE e Mercosul
A entrevista também abordou questões geopolíticas. Ao ser questionada sobre a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, Maria destacou que a conectividade aérea ainda é o fator mais determinante para o turismo. “A Espanha, com seus aeroportos estratégicos como o de Madrid, é uma ponte entre a Europa e a América. Acordos são bem-vindos, mas melhorar a conectividade é o mais urgente”, avaliou.
Por fim, Paulo Atzingen quis saber sobre sua relação com o Brasil. Maria revelou que ainda não teve a oportunidade de visitar o país, mas expressou grande interesse. “O Brasil tem uma imagem muito atrativa. Espero conhecê-lo em breve. É um desejo pessoal e acredito que muitos europeus compartilham esse sonho”, concluiu.
*O jornalista viajou convidado pela Fitur com Seguro GTA




