9 de dezembro, dia em que a criptomoeda estava a ser negociada nos US$ 89. Se olharmos para os números de setembro, vemos que deu um tombo na casa dos 26%. Mas quem anda neste universo, já sabe que isto funciona mesmo assim. Sobe, colapsa, recupera. Pelo menos é assim que tem funcionado nos últimos anos. Apesar de isto ser comum, normalmente, os motivos pelos quais o preço varia nem sempre são os mesmos. Aliás, muitas vezes são diferentes.
É exatamente isso que queremos mostrar-lhe neste artigo. Olhar para gráficos e interpretá-los é importante, mas perceber o que está por trás deles é ainda mais. No entanto, isso está apenas ao alcance de alguns. Se quiser perceber o que se passou no último mês e o que gerou esta queda, está no sítio certo.
Um teste técnico que vai além do gráfico
Para além do contexto macro, o Bitcoin enfrenta um teste técnico relevante. O rompimento do canal de alta que vinha desde o terceiro trimestre colocou o ativo numa fase de consolidação desconfortável, onde compradores e vendedores disputam cada movimento. Não por acaso, a volatilidade intradiária aumentou, enquanto o volume diminuiu, combinação típica de mercados indecisos.
É neste contexto que muitos traders acompanham atentamente o par btc usd, procurando sinais de defesa clara por parte dos compradores institucionais ou, em alternativa, confirmação de continuação do movimento corretivo. Segundo dados analisados, a ausência de follow-through nas tentativas de recuperação acima dos US$ 90 mil reforça a leitura de um mercado em modo de espera.
Cenário macro: juros mais baixos, mas risco ainda elevado
Mesmo após cortes recentes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal, o mercado global não entrou num modo claro de risk-on. A fraqueza persistente das ações norte-americanas, a volatilidade nos Treasuries e a proximidade de indicadores económicos relevantes, como inflação, CPI e dados do mercado de trabalho, continuam a alimentar uma postura defensiva entre investidores institucionais.
Esse ambiente reflete-se diretamente no mercado cripto. Nas 24 horas anteriores a 9 de dezembro de 2025, cerca de US$ 293 milhões em posições alavancadas foram liquidadas, um sinal claro de pressão vendedora e desalavancagem forçada. De acordo com análises da Binance Research, períodos como este tendem a gerar movimentos erráticos, sobretudo quando o mercado procura um novo ponto de equilíbrio entre liquidez e confiança.
Mineradores sob pressão: margens no limite
Um dos fatores menos visíveis, mas mais relevantes neste momento, é a situação dos mineradores. Em dezembro de 2025, o hash price caiu para cerca de US$ 39 por PH/dia, abaixo do ponto de equilíbrio estimado em US$ 40 para muitas operações. Trata-se de uma das piores crises de margem da história recente da mineração de Bitcoin.
Como resposta, mineradoras intensificaram a migração para fontes de energia renovável, como hidrelétrica, eólica e solar, além de fechar contratos de fornecimento de longo prazo para reduzir custos. Iniciativas recentes incluem usinas de 100 MW em regiões de energia barata e o desenvolvimento de hardware com sistemas de otimização baseados em inteligência artificial.
Segundo dados analisados pela Binance, essa fase tende a provocar capitulação seletiva, onde operadores menos eficientes deixam o mercado, enquanto os mais estruturados ganham participação.
Dados dos EUA: o gatilho que falta
O curto prazo do Bitcoin depende fortemente dos próximos dados macroeconómicos dos Estados Unidos. Três indicadores estão no radar: inflação, CPI e mercado de trabalho.
Caso esses dados surpreendam negativamente, reforçando a narrativa de desaceleração económica, a expectativa de novos cortes de juros pode favorecer ativos de risco, incluindo o Bitcoin. Nesse cenário, uma recuperação acima de US$ 90 mil torna-se mais plausível.
Por outro lado, dados mais fortes podem reacender a aversão ao risco e empurrar o BTC para um novo teste da zona dos US$ 85.500 ou mesmo para níveis mais baixos.
Cenários possíveis para os próximos meses
No cenário bearish, a manutenção do fluxo vendedor pode levar o Bitcoin a testar sucessivamente os suportes em US$ 85.600 e US$ 79.000, com uma fase prolongada de consolidação lateral. Alguns analistas mais conservadores admitem que um novo ciclo de alta robusto poderia exigir uma correção mais profunda, eventualmente em direção à região dos US$ 50.000.
Já no cenário bullish, uma reversão clara acima de US$ 94.500, acompanhada por volume, reabriria espaço para uma nova tentativa de máxima histórica em torno de US$ 101.300.
Entre a cautela e a oportunidade
Em dezembro de 2025, o Bitcoin, também conhecido pelos seus mitos, vive um momento de transição. Pressões técnicas, desafios macroeconómicos e dificuldades no setor de mineração convergem num ponto crítico do gráfico.
Para investidores, a palavra-chave é disciplina. Monitorar de perto o comportamento do preço em torno dos US$ 85.600, acompanhar os dados macro dos EUA e manter uma visão de longo prazo pode transformar volatilidade em oportunidade. Como sintetizam alguns analistas, “mercados maduros não eliminam ciclos, apenas tornam as decisões mais exigentes”.




