A gastronomia vive um novo momento no Rio de Janeiro e se consolida, cada vez mais, como um dos pilares estratégicos do turismo na cidade.
Por Simone Barros, @viagemelifestyle, colaboradora do DT
Muito além do cartão-postal natural, o destino passa a atrair viajantes interessados em experiências à mesa, valorizando chefs autorais, casas de identidade forte e projetos que dialogam com a cultura local e com a alta cozinha internacional. Esse movimento reposiciona o Rio no mapa gastronômico e amplia o tempo de permanência e o gasto médio do turista na cidade.

Um dos símbolos dessa fase é a chegada da segunda unidade do Pobre Juan à cidade, agora em Ipanema. Instalado em um casarão histórico, o restaurante mantém a essência da marca — excelência em carnes e domínio do fogo — ao mesmo tempo em que se integra ao lifestyle carioca. A expansão reforça a vocação do bairro para receber operações gastronômicas de alto padrão, capazes de atrair tanto moradores quanto visitantes em busca de experiências completas.
Referência nacional em parrilla e carnes nobres, o restaurante inaugurou em dezembro sua segunda unidade. Após 13 anos de operação no VillageMall, na Barra da Tijuca, a marca passa a ocupar também um elegante casarão em Ipanema. Instalada na Rua Visconde de Pirajá, a nova casa ocupa um imóvel histórico de 1929, distribuído em três andares e com capacidade para até 250 pessoas. O projeto arquitetônico, assinado pelo escritório Bernardes Arquitetura, destaca ambientes contemporâneos e sofisticados. O cardápio da unidade de Ipanema segue fiel a essa proposta, com cortes assados na parrilla e carnes de origem rigorosamente controlada, todas com rastreabilidade garantida. As proteínas vêm majoritariamente de raças britânicas criadas no Uruguai, na Argentina e no Brasil, além de opções especiais importadas do Japão. Entre os destaques está o Bife Pobre Juan, extraído da capa do bife ancho, conhecido pelo alto marmoreio e sabor intenso. Outro protagonista do menu é o Wagyu de Kagoshima, considerado um dos mais valorizados do mundo.

Em Botafogo, o cenário também se renova com a abertura do Nimbus, restaurante de menu degustação que funciona sob reserva e aposta em técnicas refinadas tendo no comando o chef britânico . Ele e a esposa Ruth de Assis, mâitre brasileira, escolheram o Rio para desenvolver seu trabalho autoral. O Nimbus oferece uma experiência intimista e contemporânea, alinhada a um público que valoriza narrativas gastronômicas. O menu é fechado e sazonal, valorizando ingredientes e técnica. Há criatividade e uma cozinha que usa muito bem produtos do Brasil – como hambúrguer, cachaça, goiaba, caju, e ervas.O local tem apenas 30 lugares e é recomendado fazer reserva.

Na linha de mudar conceitos e implementar novidades, o Alba – também de Botafogo – apresenta um novo conceito sob o comando do chef Michel (Michelle), reafirmando a vocação da casa para a cozinha italiana que destaca ingredientes como protagonistas. A proposta é destacar no novo menu: charcutaria e queijos italianos, massas e pães artesanais de fabricação própria e sobremesas únicas. O diferencial do novo Alba está na aposta em um menu focado em produtos, todos trazidos diretamente da Itália. Queijos como pecorino romano e grana padano (com 24 meses de maturação), além de presunto de Parma e culatello, chegam semanalmente na casa.

O Le Blond, bistrô francês em frente à Praça Cazuza, no Leblon inicia uma nova etapa ao apresentar um cardápio renovado que marca a chegada do chef francês Pierre Cozan à cozinha, ao lado de Thomas Troisgros. À frente do restaurante desde 2020, Troisgros segue comandando a casa e agora divide a criação dos pratos com Cozan,profissional com passagem por endereços emblemáticos de Paris, como Le Drugstore e Coco Palais Garnier, trazendo novos olhares à proposta clássica do bistrô.
O menu ganha entradas que equilibram técnica e frescor, caso do crudo de peixe com molho de vegetais verdes, abacate e milho frito, do pâté en croûte, servido com pistache, geleia de carne e mostarda da casa, e do ovo poché acompanhado de purê de espinafre, cogumelos, bacon, acelga fermentada e espuma de galinha. São pratos ótimos para compartilhar que revisitam receitas tradicionais com toques contemporâneos e apresentação precisa.

Outro endereço que se reposiciona é o Alloro, restaurante que fica no térreo do hotel Miramar, da rede Windsor, em Copacabana. A casa apresenta um novo conceito de culinária italiana, com primeiro menu assinado pela chef Juliana Magioli. Carioca e com sólida trajetória na culinária italiana, Juliana assume o cargo após quase sete anos de trabalho ao lado do chef Nello Cassese, no restaurante Cipriani, do hotel Belmond Copacabana Palace. Agora, à frente do Alloro al Miramar, a chef faz sua estreia propondo uma experiência gastronômica completa, que valoriza contrastes, texturas e sabores.
Com técnica refinada, Juliana Magioli inaugura uma nova e promissora fase do Alloro al Miramar, com opções que surpreendem desde o couvert e entradas, até massas artesanais feitas na casa e pratos principais que encatam como: Tagliata di manzo e cipolle(bife de ancho com texturas de cebola e molho demi-glace) e a Pancetta di maiale, peperonata e baroa (barriga de porco com pimentões e purê de batata-baroa).

Localizado em frente à praça Nossa Senhora da Paz, no coração de Ipanema ( zona sul carioca), o Pici Trattoria rapidamente se tornou ponto de encontro e acompanhou de perto a transformação do bairro em um dos polos mais dinâmicos da cena carioca. Ao completar dez anos recentemente , o Pici entra em uma nova fase. Após breve reforma no espaço, a casa atualizou a carta de drinques e apresenta novidades no menu. As massas artesanais continuam a ser produzidas no próprio restaurante, e o respeito às receitas clássicas — caso do espaguete à carbonara e do matriciana — consolidaram a identidade do Pici e renderam reconhecimento. A casa está no Guia Michelin na categoria Bib gourmand.
Para celebrar a primeira década, o restaurante passou, portanto, por uma recente e breve atualização estrutural e lançou novas opções no cardápio, assinado pelo chef executivo Ignácio Peixoto. Permanecem no menu pratos que se tornaram assinatura da casa, como a lasanha à bolonhesa e o risoto de frutos do mar, agora acompanhados por novidades que ampliam o repertório da cozinha.

Já o Balcão 201 surge como nova aposta do chef estrelado João Paulo Frankenfeld, ampliando a oferta de experiências gastronômicas no Leblon, zona sul carioca. O projeto reforça o protagonismo do chef em produzir a própria charcutaria, queijos, pães e apresentar receitas únicas e criativas que lhe rendeu na casa inicial – Casa 201- a sua primeira estrela Michelin. No menu, criado em parceria com a chef Roberta Antonia, que toca o dia a dia da nova casa, são destaque carnes vermelha e suína, terrines, processos de cocção longos, combinações com bebidas, frios e queijos artesanais, produzidos em seu “laboratório culinário”. “A cozinha de proteína é a que eu mais amo fazer”, destaca o chef João Paulo.
Esse conjunto de aberturas, reformulações e novos conceitos mostra como a gastronomia vem assumindo papel central no desenvolvimento do turismo carioca. Restaurantes se destacam nos roteiros de turistas nacionais e estrangeiros na cidade maravilhosa, como motivadores de viagem, fortalecendo a imagem do Rio de Janeiro como destino plural, criativo e em constante reinvenção — à mesa e além dela.




