Alvo de centenas de ações judiciais e registros policiais espalhados pelo país, Fernando Sampaio de Souza e Silva, de 36 anos, proprietário da Outsider Tours, foi preso preventivamente nesta terça-feira (6) pela Polícia Civil de Santa Catarina. Ele foi localizado em um edifício de alto padrão em Balneário Camboriú, no litoral catarinense.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações do portal g1
A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado expedido pela Justiça do Pará, no âmbito de investigações que apuram crimes de estelionato ligados à comercialização de pacotes turísticos que, segundo as autoridades, não teriam sido entregues conforme o contrato firmado com os clientes.
Fernando Sampaio ganhou projeção nacional a partir da atuação da Outsider Tours, agência criada no Rio de Janeiro e especializada em turismo esportivo, com venda de ingressos e pacotes para grandes eventos, como finais de campeonatos de futebol no Brasil e no exterior. As primeiras grandes denúncias, no entanto, começaram a ganhar força a partir de 2022.
Naquele ano, a empresa anunciou voos fretados para levar torcedores do Flamengo à final da Copa Libertadores, em Guayaquil, no Equador. Muitos clientes que haviam pago pelos pacotes não conseguiram embarcar, o que gerou confusão em aeroportos do Rio de Janeiro e marcou o início de uma série de reclamações que se multiplicaram nos anos seguintes.
Levantamentos judiciais apontam que Fernando Sampaio e empresas ligadas a ele acumulam mais de 600 processos e boletins de ocorrência em pelo menos 21 estados brasileiros e no Distrito Federal. Somente em 2025, a Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou o empresário duas vezes por estelionato.

Reclamações anteriores e histórico de falhas
As investigações indicam que os problemas não começaram em 2022. Em 2019, um casal que contratou a Outsider para organizar um casamento na Tailândia relatou falhas na emissão de passagens aéreas e reservas de hospedagem para noivos e convidados, apesar de a empresa ser responsável por toda a logística do evento.
Modus operandi sob investigação
Fontes policiais e judiciais ouvidas pelo g1 e pela TV Globo apontam que a atuação da Outsider seguia um padrão recorrente: pacotes oferecidos com valores abaixo do mercado, entrega parcial dos serviços e dificuldades posteriores para localizar bens do empresário, mesmo após decisões judiciais favoráveis aos consumidores.
As apurações também indicam o uso de CNPJs de terceiros, incluindo pessoas próximas, para o recebimento de pagamentos, o que teria dificultado a responsabilização patrimonial. Segundo investigadores, empresas vinculadas à operação da Outsider no Rio de Janeiro e em São Paulo não estariam formalmente em nome de Fernando Sampaio.
Diante do volume de reclamações, órgãos de defesa do consumidor chegaram a suspender a venda de produtos da Outsider em alguns estados, como o Rio de Janeiro.
Ações milionárias e disputas judiciais
Entre os processos em andamento, há ações que superam a marca de R$ 1 milhão. Em São Paulo, uma empresa de turismo ingressou com ação de R$ 1,2 milhão após contratar pacotes para a final da Champions League de 2023, em Istambul, que não teriam sido entregues. O prejuízo acabou sendo absorvido pela empresa contratante.
Já na Bahia, uma ação movida por uma operadora de turismo pede inicialmente R$ 3,6 milhões. Após sucessivos atrasos nos pagamentos acordados, o valor foi elevado para R$ 5,9 milhões. Tentativas de citação judicial indicaram que a empresa não funcionava mais nos endereços informados.
Queixa envolvendo ator
Uma das denúncias mais conhecidas envolve o ator Márcio Garcia, que registrou ocorrência por estelionato. Segundo o relato, ele firmou uma parceria de divulgação da marca em troca de um pacote turístico, mas acabou descobrindo, no dia da viagem, que não havia passagens emitidas. O ator precisou comprar os bilhetes com recursos próprios. O caso segue em investigação policial.
O que diz Fernando Sampaio
Em entrevistas concedidas ao g1 e ao RJ2 em 2025, Fernando Sampaio afirmou estar empenhado em resolver as pendências. “É uma coisa que é impossível de ser resolvida de uma forma imediata. Mas o que a gente já pagou demonstra que a gente tem uma boa intenção, pelo menos, de resolver os casos”, declarou.
O empresário negou ser um golpista e afirmou que sua situação financeira se deteriorou após os problemas de 2022. “Normalmente, quando a pessoa dá um golpe, ela fica milionária. Eu só empobreci desde então”, disse. Ele também afirmou já ter reembolsado mais de R$ 2 milhões a clientes.
Após a prisão, a defesa informou ao g1 que ainda não teve acesso aos autos do processo e que só irá se manifestar oficialmente após a análise do caso.
Fonte: portal g1




