quarta-feira, janeiro 21, 2026
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Turismo global cresce em 2025 e movimenta US$ 1,9 trilhão, aponta ONU

Viagens ao exterior somaram 1,52 bilhão no ano, com alta de 4%; Brasil se destacou com crescimento de 37% nas chegadas, segundo a ONU Turismo

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações do Globo e AFP Madri

Mesmo em um cenário global marcado por conflitos, instabilidade e incertezas econômicas, o turismo internacional alcançou em 2025 o maior nível já registrado. Segundo a ONU Turismo, o número de viagens ao exterior cresceu 4% no ano e chegou a 1,52 bilhão de deslocamentos.

De acordo com a agência, com sede em Madri, as receitas do setor também avançaram, com alta de 5%, somando US$ 1,9 trilhão. O desempenho foi impulsionado principalmente pela força do turismo na África e na Ásia, além de um salto expressivo do Brasil, que registrou aumento de 37% nas chegadas internacionais.

“A demanda por viagens manteve-se elevada ao longo de 2025, apesar da alta inflação nos serviços turísticos e da incerteza decorrente das tensões geopolíticas”, afirmou a secretária-geral da ONU Turismo, Shaikha Alnowais, em nota.

A dirigente avaliou ainda que a tendência pode se manter em 2026, na esteira de uma expectativa de estabilidade econômica global e de recuperação total de destinos que ainda operam abaixo dos níveis pré-pandemia.

“Esperamos que essa tendência positiva continue em 2026, já que se prevê que a economia mundial se mantenha estável e que os destinos que ainda estão abaixo dos níveis pré-pandemia se recuperem completamente”, acrescentou.

Europa segue como líder global

A Europa permaneceu como o continente mais visitado do mundo, contabilizando 793 milhões de chegadas internacionais. Já a América do Sul registrou crescimento de 7%, alcançando 39,2 milhões de visitantes, com destaque para o desempenho brasileiro.

Na América Central, o aumento foi de 5%, totalizando 13,5 milhões de chegadas, apoiado por resultados positivos de destinos como Guiana (+24%), Guatemala (+8%), Honduras (+7%) e El Salvador (+7%).

No Caribe, algumas regiões enfrentaram estagnação no último trimestre do ano devido ao impacto do furacão Melissa, mas o México manteve trajetória de crescimento e avançou 6% no período.

Setor exposto a riscos e pressões

A ONU Turismo aponta que, apesar do bom momento, o setor continua altamente vulnerável a fatores externos, como crises sanitárias, conflitos, instabilidade comercial e eventos climáticos extremos.

A Espanha, segundo destino turístico mais procurado do mundo — atrás apenas da França, que se aproxima da marca de 100 milhões de visitantes anuais —, registrou alta de 7% nas chegadas internacionais em 2025.

Com o Índice de Confiança da ONU Turismo ainda em território positivo, a projeção para 2026 é de crescimento entre 3% e 4% no fluxo global, impulsionado por mercados emergentes e por grandes eventos internacionais, como os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão–Cortina, na Itália, e a Copa do Mundo de 2026, disputada no Canadá, nos Estados Unidos e no México.

Ainda assim, a agência alerta que a confiança dos viajantes pode ser afetada por novos episódios de instabilidade. “A incerteza decorrente dos riscos geopolíticos e dos conflitos atuais, das tensões comerciais e dos fenômenos climáticos pode afetar a confiança nas viagens”, afirmou a ONU Turismo.

Para o economista Rafael Pampillón, professor da IE Business School, em Madri, o turismo é um dos setores mais expostos a choques globais justamente por depender diretamente da mobilidade internacional.

Na Espanha, ele destaca que a intensificação das mudanças climáticas pode provocar ajustes profundos no mercado. Ondas de calor mais frequentes e o avanço do estresse hídrico, por exemplo, devem impactar a organização das temporadas e exigir adaptações em infraestrutura e oferta turística, tanto em destinos de sol e praia quanto nos centros urbanos.

Além dos desafios ambientais, o aumento do fluxo de visitantes também tem ampliado tensões com moradores em diferentes destinos. A concentração de turistas em áreas específicas contribui para congestionamentos e pressiona o mercado imobiliário, com alta no preço da moradia — especialmente em regiões onde cresce o número de imóveis destinados a aluguéis de curto prazo voltados ao turismo.

Fonte: O Globo / AFP Madrid

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