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Editorial do DT: O paí­s onde as pessoas agradecem por serem úteis

retrospectiva_200Artigo originalmente publicado em 6 de outubro

Conselho Editorial do DIÁRIO

O sorriso do brasileiro empalideceu. Ficamos apáticos, sem o brilho característico. Se até bem pouco tempo as notícias sobre Bolsa de Valores e os mercados internacionais não afetavam o humor do brasileiro médio, hoje a coisa mudou. É notório o mal humor das ruas, com exceção, é claro, os profissionais que trabalham com hospitalidade e fazem curso de capacitação. Mas, no geral, existe um enfado nacional. Seríamos os argentinos do dia seguinte? No entanto, é importante ficar claro que essa apatia não se dá unicamente pela falta de grana no bolso, mas sim pela decepção, pelo horror vivido pela população brasileira e pelas empresas em geral diante de uma política e de políticos da extirpe que temos.

Uma onda gigantesca, muito parecida a de um Tsunami, aquela que arrasta tudo e a todos tomou conta das pessoas, das empresas e de algumas instituições. Restos, migalhas, fragmentos aparecem boiando. Pedaços de um plano inteiro decepados, restos de um projeto integral, pela metade, sobras de um sonho tornando-se pesadelo, profissionais de primeiro quilate sendo despedidos, empresas fechando as portas, multinacionais indo embora para seus países.

O melhor do Brasil é o brasileiro, afirma a ladainha marketeira oficial. Até quando?
O melhor do Brasil é o brasileiro, afirma a ladainha marketeira oficial. Até quando?

A ladainha pregada pelos quarteis generais do marketing oficial já não encontra eco: “o brasileiro é alegre, batalhador, vai sair desta; o brasileiro nunca desiste, o melhor do Brasil é o brasileiro”, temos nossas dúvidas em relação a essa ladainha, e acreditamos que o brasileiro anda farto.

Não basta o brasileiro reagir, é preciso um conjunto de fatores, entre eles a vontade política e a certeza que as instituições são públicas e não propriedade de um partido, de uma facção ou de um cartel, ou de vários cartéis. A história nos tem mostrado algumas sociedades que foram ao fundo do poço, beijaram a lona do ringue, mas se reergueram, se reconstruíram, com uma nova moral, com uma nova cultura. Vejam o exemplo da Alemanha e do Japão após a Segunda Guerra, vejam os Estados Unidos depois da quebra do Lehman Brothers.

Vista parcial da cidade de Medellin (Colômbia) (Fotos: DT)
Vista parcial da cidade de Medellin (Colômbia) (Fotos: DT)

Fizeram a lição de casa

Mas não precisamos ir muito longe no tempo e no espaço. A Colômbia, nossa vizinha, se recompõe no cenário mundial. Foi o país que teve um crescimento de 4.6% em seu PIB em 2014, o maior crescimento econômico da América Latina. Este ano as estimativas apontam para 4.4%.

País que atravessou períodos obscuros com o narcotráfico nos anos 80 e 90, os últimos governos da Colômbia impuseram uma política de pacificação e combate ao crime organizado, criando estatutos antiterroristas e extirpando do meio urbano as células terroristas. Algumas dessas células ainda resistem na floresta amazônica, nem tudo é perfeito. Mas fizeram a lição de casa e podem servir de exemplo para nós.

Este editorial perderia sua isenção se reproduzíssemos aqui as falas do presidente Juan Manuel Santos, ou do prefeito de Medellin, Anibal Gavíria Correa. O DIÁRIO esteve recentemente naquele país e naquela cidade e ouviu os dois políticos. No entanto, reproduzimos aqui uma expressão corriqueira por lá, que resume o astral daquela gente:

Con Mucho Gusto! Fue un placer servirle!

A produtora rural. Prazer em vender seu produto tirado de sua terra
A produtora rural. Prazer em vender o produto tirado de sua terra

Esta expressão está na boca do garçon, da recepcionista, da vendedora de frutas, da guia do parque Arvi, do taxista, do balconista do hotel, da vendedora de livros, da bilheteira do metro, da população em geral de Medellin.

Essa população alegre está disposta a surpreender, está disposta a amadurecer, está disposta a ser melhor, sabe por quê? Porque seus pais, seus parentes e amigos conheceram a morte de perto e os horrores da violência. Porque nunca foram protagonistas de uma utopia de país e ainda guardam a humildade características sutis de grandeza. Elas estão reconstruindo um novo modelo de sociedade, forjada no diálogo, na participação das comunidades e, sobretudo, com investimentos pesados na educação e na cultura local.

O Brasil foi infeliz em seu sonho bolivariano, seja por sua grandeza continental, seja pelo número de partidos políticos que tem, mas principalmente, em razão da ganância e arrogância de seus políticos maiores e menores que conseguiram transferir a nós a intolerância e o enfado, a insatisfação e o desprezo. Seríamos os argentinos do dia seguinte?

Queremos nossa autoestima, nossa alegria e nosso orgulho em ser brasileiro de volta!

Quando reaprenderemos com a população de Medellin  a seguinte frase:

– Con Mucho Gusto! Fue un placer servirle!

O país está reconstruindo um novo modelo de sociedade, forjada no diálogo, na participação das comunidades e, sobretudo, com investimentos na educação e na cultura local
O país está reconstruindo um novo modelo de sociedade, forjada no diálogo, na participação das comunidades e, sobretudo, com investimentos na educação e na cultura local

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