As lições nas entrelinhas de “O Pequeno Príncipe”, mesmo lido diversas vezes, sempre nos surpreende. Na jornada em planetas diferentes o principezinho explica que conheceu um homem de negócios muito sério. Este homem sempre contava todas as estrelas da galáxia e embora dizia ser feliz, pois era dono de todas elas, sua vida era solitária e monótona pois ele não tinha mais nada.
Ele não conseguia sequer apreciar a beleza das estrelas. Ele dizia: “‘Eu as administro. Eu as conto e reconto, disse o homem de negócios. É difícil. Mas eu sou um homem sério”.
Mas como alguém de fato, poderia possuir as estrelas? Na verdade, a única coisa que possuía era uma mesa e uma cadeira vasta e suas surradas anotações, até o tempo ele fazia questão de perder e escorrer pelos dedos com sua arrogância e prepotência.
Será que algum de nós em algum momento fomos arrogantes e o poder não nos subiu a cabeça? Ficamos tão focados em nossas próprias preocupações, que ao invés de admirar as estrelas, queremos possuí-las. Um bom exemplo visual disso é o próprio filme “O Pequeno Príncipe” em que a mãe da protagonista foca apenas em cronogramas e tarefas e o príncipe (agora um adulto), trabalha para o empresário de estrelas, e ele mesmo se esqueceu de sua vida quando era criança no asteroide.
Quantas vezes perdemos pequenos prazeres da vida por inúmeras razões? Nos deixamos levar pela correria do dia a dia e esquecemos de nossa essência, nossa criança interior que tinha sonhos, anseios e sensibilidade.
Em algumas situações precisamos nos perguntar se estamos querendo possuir as estrelas, ou admirá-las.
Crédito: José Augusto Cavalcanti Wanderley
Colaborou: Nicole B. Vieira da Rocha Santos