segunda-feira, janeiro 12, 2026
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Uma família gaúcha no Caminho das Missões: hospitalidade e herança

Tradição, hospitalidade e poesia no Caminho das Missões com a família de seu João e dona Marli

Descrever as terras missioneiras por onde caminho é como devolver a elas, em palavras, a luz da manhã, o canto das caturritas, o ar puro que respiro. É um manifesto de gratidão. Escrever sobre uma paisagem interna soa bonito e só a poucos é dado captar. Mas escrever sobre o que está fora, o que nos envolve e nos abraça, é uma forma de dizer obrigado. Escrever sobre pessoas é isso tudo elevado ao quadrado.

por Paulo Atzingen (texto, fotos e vídeo), de São Paulo*

Fui recebido pela família de João Leite e Marli Terezinha Leite após conhecer o sítio arqueológico de São João Batista, que integra o Caminho das Missões (veja matéria). O sítio de João e Marli me oferece pouso (na linguagem moderna, pernoite) para grupos pequenos e refeição para grupos maiores. A família que me abre as portas, como peregrino do Caminho das Missões, é de uma simpatia sem tamanho. São educados no trato, amáveis na forma de receber. Não foram treinados em laboratórios de capacitação profissional — são assim há centenas de anos, de geração passando a geração.

Dar pouso

Dar pouso é uma tradição que, ao longo do tempo e com a chegada da modernidade, foi se diluindo, tornando-se algo meramente comercial e impessoal. Dar pouso é dos tempos dos tropeiros, muito antes da invenção da infraestrutura formal de hospedagem. Esta casa, ao invés de receber tropeiros dos tempos antigos, recebe peregrinos. E recebe muito bem: banho quente, roupas de cama limpas e lavadas, ventilador, colchão macio! Café da manhã reforçado!

Caminho das Missões
Segunda e terceira geração: João Antonio (filho), João Régis (neto), Helena (neta), Julia (neta) e Isabel (nora)
Caminho das Missões
Olga, mãe de Helena e Milton (padrasto)

Marli são produtores rurais e estão em Entre-Ijuís desde 2009. Olga, a filha do casal, é professora de educação primária, ama crianças e o magistério. Milton, o genro, é mecânico, mas tem uma verve para a poesia e para a música. Declamou, à noite, alguns poemas de Odilon Ramos, o grande poeta gaúcho. Mas o destaque da casa é a neta Helena.

Helena tem 15 anos e vai cursar o 1º ano colegial em São Miguel das Missões. Sua mãe, Olga, prepara-a com um vestido típico de época e ela declama o belíssimo poema “Mateando com o Sepé”, de Odilon Ramos, Confira o vídeo:

O poema homenageia Sepé Tiaraju, líder guarani e figura histórica na resistência indígena, especialmente contra a invasão colonial do século XVIII. Helena, esta jovem de quinze anos, trouxe, naquela noite de 3 de janeiro, na casa de seus avós, uma conexão espiritual entre seus antepassados e a terra gaúcha.  O poema, declamado por Helena, serviu para reforçar em mim a importância de preservar as raízes culturais de nosso país e mostrar como são fortes, até hoje, os valores deixados pelo povo guarani.

Caminho das Missões

Voltei para a estrada no dia seguinte, mas desta vez o amigo Eloi Pereira me deu uma mãozinha e levou-me de carro até Santo Ângelo (RS).

*O jornalista viajou a convite da Agência Caminho das Missões com o apoio da Pousada das Missões e Ritter Hotéis (Porto Alegre).

Serviço:

Agência Caminho das Missões

Fone: (55) 9978-2631

Email: caminho@caminhodasmissoes.com.br

Site: http://www.caminhodasmissoes.com.br

LEIA TAMBÉM:

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“Entre a tempestade e a tradição: um encontro com a Cultura Gaúcha, em São Miguel das Missões”

 

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