Arquivo de mulher pelada reanima grupo de turismo no whatsapp

O que tem acontecido nos  grupos de whatsapp, administradores? Tenho uma resposta: a síndrome da jaca (criei agora esse termo para exemplificar) . A minha jaca é o que importa. O resto é jabuticaba.

por Paulo Atzingen* (artigo publicado originalmente no site do autor www.atzingen.com.br


O nível de comprometimento, solidariedade, envolvimento e empatia às ideias, projetos, iniciativas alheias é zero nos grupos de whatsapp. Isto acontece porque o mundo corporativo colocou todos aqueles valores no bolso e só são usados quando é conveniente e com outros nomes e em outros níveis. Tudo corroborado com a digitalização doentia que a vida se tornou. Todos têm pressa e estão ocupados com alguma coisa e chegamos ao ponto de valorar mais uma curtida nas redes do que um telefonema.

Mas voltemos ao ponto dos grupos, das jacas. Eles têm se tornado um mural – sim aquele mesmo que pregávamos ou colávamos nossos recados. Leia quem ler. Se colar, colou. Um espaço para post-it para cada um colocar sua jaca.

Os grupos de whatsapp profissionais que não se autodestroem na primeira eleição ou na primeira pandemia são dignos de louvor e merecem um desconto.   Seus administradores ou fizeram vista grossa para as futilidades e bobagens postadas ou chamaram à parte o integrante faltoso para ele se retratar. Às vezes a postagem é tão estapafúrdia, ou estúpida, ou violenta, ou obscena, ou o diabo a quatro que o imprudente se suicida digitalmente e sai do grupo.  Foi o que aconteceu com o incauto colega que publicou o arquivo com mulheres peladas e não conseguiu mais apagar.

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Grupo de whatsapp é como a casa da mãe Joana, a porta sempre estará aberta para os integrantes. Ou como uma jaca, grudenta, pesada, trabalhosa, para os administradores.

Mas esses grupos também têm sido úteis.

Eles têm servido para verificar o nível de óleo de peroba na cara de alguns componentes.  Criado com o objetivo de democratizar informação do setor, alguns usaram os contatos para benefício pessoal (fecharam negócios, inclusive) e jamais foram francos em dizer ao menos “Obrigado”.

Outros chegaram ao ponto de chupar (esse termo é o mais adequado) integralmente a lista de pessoas construída a custo de reuniões, encontros (troca de cartões in loco) e empatia recíprocas – e criaram seus próprios grupos, ou suas próprias jacas.

Outros chegaram ao ponto de chupar (esse termo é o mais adequado) integralmente a lista de pessoas construída a custo de reuniões, encontros (troca de cartões in loco) e empatia recíprocas – e criaram seus próprios grupos, ou suas próprias jacas.

Soube recentemente que um “amigo” jornalista paranaense havia criado seu grupo usando o meu como “inspiração”. Um espetáculo de vampirismo. Ele mesmo me contou, no Festuris, querendo talvez se redimir, que sua jaca não durou um mês, não se sustentou no pé.

Para manter grupos desse tipo é preciso alguns atributos de natureza técnica – mas principalmente – espiritual ou seja lá que nome possamos dar à paciência, tolerância, resiliência.

Outro ponto é essa ‘grandeza’ que se espera de um grupo de Whatsapp, das pessoas que o compõem, como se ele (e elas) tivessem o poder de ditar rumos da nação, definir pautas econômicas, políticas. Que nada. Isto aqui é apenas um grupo de Whatsapp não é uma banca de doutores stricto sensu, nem o parlamento, nem uma marcha organizada no planalto.

Por fim, a publicação que levou este superficial ensaio é o reflexo da pós-modernidade digital. Gostávamos dos pôsteres que estampavam as paredes das oficinas de antigamente. Não tínhamos juízo de valor nem tanta maldade, e quem somos nós para condená-lo hoje? Mas é evidente que só víamos aquelas imagens nas paredes de uma oficina ou nas borracharias e nunca em uma parede de capela.

E sejamos francos, administradores, nossas jacas parecem mais borracharias do que capelas.

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Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
PAULO ATZINGEN é jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará. Produziu reportagens na Amazônia sobre sustentabilidade, conflitos agrários e étnicos. Lançou em 1998 sua primeira revista, a PAYSAGE – dirigindo-a e publicando-a por três anos. Em Belém, foi repórter do jornal O Liberal, O Paraense e articulista do jornal A Província do Pará e Diário do Pará. É premiado contista, com três livros de ficção em prosa publicados via editais. Trabalhou como redator no jornal de turismo Brasilturis e fundou em 2005 o DIÁRIO DO TURISMO, o primeiro jornal On-line Diário de Turismo do Brasil. Atualmente desenvolve projetos de conteúdo editoriais e digitais para empresas privadas de hotelaria, aviação, companhias marítimas, destinos turísticos e biografias.

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