por Bayard Do Coutto Boiteux*
Tenho verificado, com muita frequência, que as organizações não atribuem a devida importância à competência profissional de seus colaboradores. Vejo, com tristeza, que numa reestruturação administrativa, para reduzir custos, não se leva em consideração o legado de um membro da equipe ou trabalho que desenvolveu. O pensamento é que pode ser substituído por alguém mais barato, mais jovem e que queira um desafio de baixo custo, como as empresas aéreas low cost.
Tal fato mostra um desconhecimento das novas tendências laborais no mundo globalizado, que buscam aproveitar o melhor de cada integrante e motivá-lo a trabalhar, não dentro de parâmetros rígidos, sem possibilidade de criatividade ou empreendedorismo, copiando vários modelos e metodologias e querendo fazer um benchmarketing tupiniquim. As empresas inovadoras vislumbram colaboradores que conhecem seu trabalho, tem visão da empresa onde trabalham mas como gestores modernos não vivem engessados em politicas obsoletas ou administrações centralizadas e com pouca flexibilidade.
A palavra chave do sucesso é ser flexível, ou seja, saber conviver com seus colegas, ouvir, decidir em grupo e não intempestivamente e saber respeitar o trabalho alheio e se comprometer com aqueles que o fazem com as empresas. Também acabou a era dos que entravam como boys nas organizações e chegavam a presidente. Hoje, tudo é muito rápido e a função do administrador é caçar talentos e buscar dentro do ambiente interno novas possibilidades para seus subordinados, fazendo com que se sintam bem e sobretudo acolhidos.
O turismo hoje anda na contramão da gestão moderna, com raras exceções, que fazem parte normalmente das grandes cadeias hoteleiras, que além de pagar salários mais condizentes, criam universidades corporativas e programas de incentivo a seus membros.
Tenho fé sempre que o mundo empresarial enxerga além da lucratividade, um ambiente de transparência real, para progredir e conseguir resultados sem atropelar as diversas competências e fugindo das fofocas e dos ruídos, arma usada via de regra pelos que não se afirmam pelo trabalho mas pelo puxa-saquismo, usando um termo que gestores gostam, para preencher seu ego vazio.
O turismo hoje anda na contramão da gestão moderna, com raras exceções, que fazem parte normalmente das grandes cadeias hoteleiras, que além de pagar salários mais condizentes, criam universidades corporativas e programas de incentivo a seus membros. Os órgãos oficiais, além de não abrirem concursos públicos na área , entopem sua administração de cargos de confianças, que acabam ganhando mais do que os funcionários de carreira. E para nossa tristeza, associações de classe de turismo são nomeadas para conselhos, inclusive remunerados e deixam de lutar e ter autonomia para criticas e exigências de mudanças de paradigmas.
Fora o fato de que algumas empresas de turismo burlam a legislação vigente, substituem seus funcionários por estagiários, que acabam tendo que desempenhar funções executivas. A competência profissional não é o essencial, fazendo com que as empresas estejam em constantes mudanças em seus quadros, que buscam melhores opções no vizinho, por pequenas diferenças salariais.
Assim, a cada dia que passa, fico mais preocupado com as exigências feitas aos “empregados “pois muitos assim se sentem, obrigando-os a constantes reciclagens, sem nenhum investimento. Poucas investem na formação de seus quadros ou então querem capacitá-los para seus projetos megalomaníacos, que são esquecidos, quando surge uma nova ideia….
* Bayard Do Coutto Boiteux é professor universitário, pesquisador, preside o Portal Consultoria em Turismo é vice-presidente executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ e gerente de Turismo do Preservale.