Enio Verri, diretor-geral da Itaipu Binacional: “Turismo para gerar emprego e renda na Tríplice Fronteira”

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A Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, dispensa, para muitos, apresentações. Trata-se da maior usina hidrelétrica do mundo em geração de energia e é considerada uma das das 7 Maravilhas da engenharia moderna. Por essas e por outras grandezas o Complexo Itaipu é um atrativo turístico que só no ano  passado recebeu mais de 500 mil visitantes.

REDAÇÃO DO DIÁRIO (Fotos: Jean Pavão/CTI, Sara Cheida, William Brisida e Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional – Transcrição de Áudio: Victor Meireles)


Visitar a Usina Hidrelétrica de Itaipu é inevitável quando vamos a Foz do Iguaçu. Suas dimensões colossais emprestam a quem a comanda responsabilidades ambientais e sociais do tamanho de sua grandeza. O jornalista Paulo Atzingen, editor do DIÁRIO, conversou com Enio Verri, diretor-geral da Itaipu Binacional e explorou temas como desenvolvimento regional, sustentabilidade, educação ambiental e os projetos atuais e futuros que prometem transformar a região da Tríplice Fronteira tendo como vetor a economia do Turismo. Confira a seguir os principais pontos dessa entrevista exclusiva.

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Entrevista com Ênio Verri, Diretor-Geral da Itaipu Binacional:


DIÁRIO – O senhor afirmou, na última edição do Festival das Cataratas que o turismo é uma das prioridades na sua atual gestão. Que prioridades são essas?

ENIO VERRI: Quando nós viemos para cá, nós incorporamos a missão de Itaipu. A missão é produzir energia de qualidade e barata, mas também com um compromisso ambiental e social. E essa implantação aqui criou “dívidas sociais” no que se refere ao desenvolvimento. Veja, por exemplo, no auge da construção da usina, trabalhavam aqui 40.000 pessoas numa cidade de 30.000 habitantes. Quando terminou a construção da usina, eles não foram embora. Uma parte dessa população ficou aqui. Isso criou problemas sociais muito grandes aqui na cidade. Nesse cenário é que Itaipu tem que achar uma alternativa de desenvolvimento. É ai que se entende que o turismo é uma grande alternativa de desenvolvimento. Afinal de contas, 8% do PIB do Brasil é o turismo. E aí temos essa vantagem de estarmos em uma região onde se ergue esse monumento natural chamado Cataratas do Iguaçu.

Soma-se a isso essa grande obra de engenharia, que é a Usina de Itaipu e a Tríplice Fronteira. O que faltava? Faltava nós usarmos o nosso peso econômico e a nossa equipe técnica para transformar isso num grande instrumento de desenvolvimento. Nós criamos uma equipe de turismo aqui em Itaipu, uma diretoria de turismo, comandada por  diretor de Turismo do PTI, Yuri Benites, para cuidar exatamente disto.

Participo diretamente junto a essa diretoria porque nós entendemos que aí está um caminho de desenvolvimento. Tem dado certo, e Foz hoje é o segundo destino do turista internacional no Brasil.

Nós entendemos que não dá para fazer isso sozinho, por isso a nossa parceria com os players do mercado, com a prefeitura, com a iniciativa privada… nós estamos conseguindo dar uma boa “azeitada” no setor. Eu estou convencido de que os resultados já tem sido demonstrados.

Usina Itaipu Binacional
Crédito: Jean Pavão/CTI
Crédito: Jean Pavão/CTI

DIÁRIO – Numericamente, como é que está o interesse pelo Complexo Turístico Itaipu?

ENIO VERRI: A ideia é voltar aos números de 2019, o nosso objetivo é isso. Em 2023 recebemos 509.899 visitas. Para 2024 temos uma previsão de 600 mil pessoas. Mas hoje temos boas notícias: Fomos notificados de que somos o 13º atrativo do Brasil pelo Tripadvisor, uma escolha do viajante.

DIÁRIO – Falando sobre o perfil, vocês têm ou já começaram a fazer uma análise do perfil do turista brasileiro que vista a Itaipu Binacional?

ENIO VERRI: Bom, primeiro são famílias. A maior parte aqui do Brasil , é indiscutível. Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, até por questões geográficas. Claro que no que se refere a visitas internacionais, a Argentina, por enquanto, ainda é uma grande procura. O número de chineses também é muito grande, que vem tirar fotos e olhar. Foz do Iguaçu recebe semanalmente convenções, encontro de empresários, encontro de engenheiros. Não importa a profissão, é sempre aqui. Por que? Porque as pessoas vêm para convenção e aproveitam para comer uma boa carne, tomar um bom vinho argentino e fazer compras no Paraguai! É entender essa relação que nos ajuda muito. Nós temos uma vantagem, se soubermos usar, que é ter uma máquina de atração. Agora o desafio é: como essa máquina mantém mais tempo as pessoas aqui dentro?

O que é importante ressaltar que o “comprismo”, que motivava muita gente a vir para cá para fazer compras no Paraguai, não é mais o principal atrativo.

Crédito: Jean Pavão/CTI

DIÁRIO – Quais os benefícios diretos que a população que vive em torno da usina recebe?

ENIO VERRI: O maior de todos é geração de emprego e renda. Nós fizemos uma pesquisa qualitativa há uns 20 dias atrás, onde os moradores da cidade olham Foz como uma cidade de um grande potencial de empregos, embora o salário médio ainda não seja o adequado, você não tem problema de desemprego em Foz de Iguaçu por conta de sua estrutura. Claro, somando agora que a economia está crescendo aí, vai ser até o contrário: falta de mão de obra. Então, tem a geração de emprego e renda, isso é o primeiro ponto.

O segundo ponto é: a Itaipu oferece políticas sociais. Isso é muito importante. Os investimentos que a gente faz aqui, que Itaipu faz em parceria com a Prefeitura, ela chegou o ano passado e já passa da casa de 2 bilhões de reais de investimentos. Eu estou falando de convênio com entidades assistenciais, convênio com entidades esportivas para trabalhar com inclusão social da garotada. Isso é muito forte. Fazemos um trabalho com esportes no reservatório, e eventos que nós ajudamos a financiar, médios e grandes eventos. E por fim, claro, quem mora aqui na região tem acesso gratuito ao complexo Itaipu Binacional.

Um outro forte exemplo de benefícios à população foi a entrega no último dia 24 de junho do Mercado Público Barrageiro, em Foz do Iguaçu (PR). Foi um reconhecimento aos milhares de operários que atuaram na construção da usina. Nunca podemos esquecer a contribuição do barrageiro, que com seu trabalho construiu essa usina gigantesca, que o mundo todo respeita.

Em síntese, a nossa presença aqui na Tríplice Fronteira gera emprego, gera renda e a realização do turismo de eventos tem a nossa marca muito incisiva.

Itaipu Binacional
Mercadão do Barrageiro (Crédito: William Brisida / Itaipu Binacional)

DIÁRIO – Vocês constroem dentro do território da Itaipu uma universidade que atualmente está com as obras paradas. Vocês vão reinvestir para retomar essa obra?

ENIO VERRI: Vamos. Aliás, este projeto da universidade foi o último do Oscar Niemeyer. Esse projeto é a construção da UNILIA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana). A UNILA existe aqui com prédios locados em Foz do Iguaçu, mas era para ser inicialmente, feito ali. Só que há dez anos a obra se encontra paralisada. O presidente Lula, no dia da minha posse aqui, determinou que terminasse. Essa obra vai ser um atrativo turístico incrível. Quando você passa, só se vê um prédio, mas tem outros prédios e equipamentos ao lado.

DIÁRIO – Qual a previsão da entrega?

ENIO VERRI: A ideia é entregar em 2026, a licitação abre agora em novembro. O problema é que, como se passaram dez anos muita coisa foi vencida, a lei mudou, a questão de segurança mudou. Então, eles estão repactuando isso. É esperado que novembro já tenha licitação e até fevereiro, no máximo, a obra comece. E aí teremos mais uma atração turística. Outra coisa, a atração turística vai deixar de ser só para quem entende de arquitetura, mas também para o mundo acadêmico, porque a UNILA vai ser a primeira universidade binacional do mundo. Assim como Itaipu é Brasil e Paraguai, o governo do Paraguai também quer investir juntos para UNILA ser uma grande universidade de integração da América Latina.

A ideia é preparar quadros técnicos, por exemplo: no Paraguai faltam engenheiros, faltam cientistas. O histórico do país não chegou a esse nível de investir tanto em ciência como precisaria. Mas não é só o Paraguai, o Chile também, o Uruguai, a Bolívia… então, a universidade hoje já atraí esses jovens. Com uma universidade desse tamanho, vamos poder fazer cursos de acordo com a realidade do país que necessita. Trazer toda essa juventude de toda a América Latina aqui e gerar um caldo de cultura e com isso você atrair turistas de toda a América Latina para cá também. Então, a UNILA vem somar. É claro que é uma visão do presidente Lula de integração da América Latina, mas na lógica turística ela vai contribuir muito para atração de novos investidores.

Usina Itaipu Binacional
Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

DIÁRIO – Existem planos de promoção da imagem e da importância da Itaipu Binacional no Brasil e no exterior?

ENIO VERRI: Sim! Tem uma frase do presidente Lula emblemática. “O Brasil está de volta”. A Itaipu não está fora desse contexto, porque durante os últimos seis anos a Itaipu ficou com uma imagem muito ensimesmada, tanto no que se refere à política ambiental como social, além da produção de energia. Nós participávamos de muitas feiras internacionais e voltamos a participar. Por exemplo, vai ter agora do dia 15 a 18 em Nova York, o encontro que trata dos objetivos do desenvolvimento Sustentável (ODS). Estaremos representados lá. Inclusive, a Itaipu é parte financiadora do evento. As políticas ambientais que desenvolvemos apresentamos no Fórum Mundial da Água em Bali (Indonésia), aliás a Itaipu Binacional foi a que mais apresentou trabalhos técnicos. Então nós estamos retomando muito forte nossa presença internacional.

Por fim, no dia 19 de agosto, teremos uma reunião do Parlasul, que é o parlamento dos países que compõem a América do Sul. São 110 deputados e deputadas federais de seus respectivos países. A sede é no Uruguai. O presidente deste parlamento me procurou e dia 19 de agosto vamos fazer uma reunião aqui em Foz do Iguaçu. Então, a nossa preocupação de mostrar Itaipu fora do país e dentro do país é grande. Até porque nisso a gente atrai também, lógico, pessoas para conhecer e para ficar aqui melhorando o turismo de eventos, turismo de negócios, e os investimentos no lazer.

Usina Itaipu Binacional
Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Nota dos Editores – A entrevista com Enio Verri revela um compromisso claro da Itaipu Binacional com o desenvolvimento sustentável e a promoção do turismo como uma alternativa viável para a região. Com iniciativas focadas na geração de emprego, inclusão social e a criação de novas atrações turísticas, Itaipu se posiciona como um ator crucial no fortalecimento do setor turístico de Foz do Iguaçu. A expectativa é que essas ações contribuam significativamente para o crescimento econômico e a integração da América Latina, atraindo cada vez mais visitantes e investimentos para a região.

Reportagem feita por IN Inteligência Natural

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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