Marcelo Picka Van Roey, presidente da Resorts Brasil: descoberta das riquezas do país gerou oportunidade única às redes hoteleiras

O DIÁRIO DO TURISMO em processo de realinhamento editorial e de formato, busca elevar a relevância dos conteúdos publicados. O objetivo é aprimorar a experiência do leitor corporativo e, cada vez mais, do usuário final dos produtos turísticos. Um e outro passam a dispor de seções melhor resolvidas, que facilitam o encontro de matérias pertinentes àquilo que lhes interessa. A primeira entrevista “de peso” do ano é com Marcelo Picka Van Roey, presidente da Resorts Brasil e diretor geral dos Hotéis-escola Senac. Conteúdo foi editado em duas partes, para o melhor aproveitamento do leitor do DT.

Superada a fase mais aguda da pandemia C-19 e estabelecidas regras protetivas da segurança biossanitária dos hóspedes, a indústria de resorts está pronta para a retomada?

Nos últimos dois anos, nós nos preparávamos continuamente para essa retomada. Os resorts sempre adotaram protocolos rigorosos pensando no bem-estar do hóspede e, com a pandemia, eles foram intensificados. Não há, em hipótese alguma, qualquer intenção de abandoná-los.

A tecnologia também entra como importante plataforma de reestruturação do setor hoteleiro. Há pouco tempo, considerávamos recursos touchscreen como os mais modernos, mas nossa nova realidade sugere que eliminemos, ao máximo, os toques desnecessários em superfícies expostas nas áreas comuns. Assim, uma nova tendência foi reforçada e passa por conceitos de no touch ou touchless. Um exemplo simples é o QR Code, onde o cliente tem acesso ao cardápio e informações do hotel na palma da mão.

Dar autonomia, desde o momento da compra até o fim da estada, é uma forma de oferecer mais segurança. Acima de tudo, traz agilidade, reduz custos, facilita a rotina e, sem dúvida, melhora a experiência do hóspede. Todos ganham.

O setor hoteleiro está atento a todos os movimentos, os últimos anos foram desafiadores e proporcionou aos resorts a oportunidade de inovar e criar novos hábitos e métodos.

O setor hoteleiro está atento a todos os movimentos, os últimos anos foram desafiadores e proporcionou aos resorts a oportunidade de inovar e criar novos hábitos e métodos. E isso não pode ser desperdiçado. Devemos absorver as mudanças que contribuem com um serviço mais completo e seguro e sempre aprimorá-las para o futuro. A retomada segura já é uma realidade, e estamos preparados para isso.

Com mais de 50 empresas associadas, qual a política de expansão do quadro, na sua gestão?

A expansão será feita com muita cautela e critério, para atingir novos hotéis que tenham características de resort. A proposta é mostrar os diferenciais de ser um associado. Desde a sua criação, há 20 anos, e mesmo durante a pandemia, a Resorts Brasil trouxe muitos benefícios e vai continuar trabalhando para oferecer cada vez mais. A troca constante de experiências e boas práticas é benéfica para todos: empresas e, claro, hóspedes. Além disso, muitas pautas importantes foram discutidas e colocadas em prática junto ao poder público, para garantir a sobrevivência do nosso setor.

Num horizonte pós-pandêmico, que perspectivas vislumbra para a indústria de Resorts, no Brasil?

Há muito otimismo na retomada do turismo interno. Isso porque os destinos regionais se tornaram uma importante alternativa diante das restrições de circulação no exterior ou inúmeras regras que acabam inibindo as viagens mais longas. A descoberta das riquezas do nosso território gerou uma oportunidade única para as redes hoteleiras estreitarem esse relacionamento em definitivo e cativar esses turistas.

Como apresentado no Radar Resorts Brasil, tivemos um crescimento hoteleiro no último trimestre. O momento é oportuno para os resorts mostrarem seu diferencial, priorizarem o investimento em inovação e nós, da Resorts Brasil, queremos ser esse hub, utilizando toda a nossa estrutura para incentivar e proporcionar um elo de troca e boas práticas entre os associados.

Confira alguns dos resorts da ABR:

Qual a tendência quanto ao tempo de hospedagem em um resort, em comparação com outras épocas? Ainda tem espaço (e tempo) para os chamados ’10 dias no paraíso’?

As mudanças de vida geradas pela pandemia criaram maior consciência do ritmo acelerado, fazendo com que as pessoas busquem certo equilíbrio. Nesse contexto, viajar virou uma das prioridades e os hóspedes querem aproveitar ao máximo essa vivência. Para isso, vão reservar o tempo que acharem necessário. A tendência é continuar com as estadas mais longas, nas quais as pessoas aproveitam o resort sem pressa e com segurança.

A oferta de resorts está espalhada nas diversas regiões do país, com certa concentração nas regiões nordeste e sudeste. Há, portanto, resorts mais próximos dos principais polos emissores de demanda brasileiros e internacionais e outros mais distantes. O tempo médio de hospedagem, em geral, pode ter relação com a distância dos principais polos emissores de demanda.

Por um lado, essas características dificultam dar uma resposta objetiva para este tema, uma vez que podemos encontrar variações diversas em função da localidade e do posicionamento mercadológico do resort. Por outro lado, há dois movimentos intensificados durante a pandemia, que podem influenciar no tempo de permanência em um resort.

O primeiro movimento, brasileiros acostumados a viajar para fora do país tiveram a oportunidade de tirar férias em locais mais próximos a suas residências. E descobriram produtos interessantes. como os resorts brasileiros. No pós-pandemia, talvez este público volte a frequentar os destinos internacionais, mas possivelmente manterão algumas escapadas ao longo do ano em resorts nacionais.

Talvez combinem tempo de trabalho e lazer, criando um final de semana mais prolongado. Aumentam, assim, assim, o tempo de permanência em um resort, chegando antes do final de semana ou saindo depois.

Esse movimento está conectado ao segundo, do trabalho remoto. O tempo de férias dos pais é inferior ao tempo de férias escolares. Porém, com a consolidação do trabalho remoto, há uma tendência de um melhor aproveitamento do tempo de férias das crianças, com a possibilidade de trabalhar a partir do resort. Esse movimento também pode influenciar no aumento do tempo de permanência no resort.

Com o movimento das economias (crise, evolução, recessão, etc), novos segmentos sociais (millennials por exemplo), as categorias dos resorts devem (ou podem) ganhar novos segmentos específicos, para públicos específicos?

Os resorts sempre tiveram como característica oferecer ambientes amplos, completos e democráticos, disponibilizando atividades e serviços diversos. Essa diversidade de produtos e serviços tem como objetivo atender às necessidades do público de lazer nas mais diversas fases do ciclo de vida familiar, bem como oferecer oportunidades para todos os membros da família, como as crianças, adolescentes, jovens, adultos e terceira idade.

Há algumas décadas, os resorts passaram também a se especializar em dispor de estrutura voltada ao público de eventos corporativos. Público este que pode ser bastante expressivo, dependendo da localidade e posicionamento do resort. No momento de pandemia, a estrutura para eventos corporativos passou a ser utilizada no atendimento de um novo nicho de mercado: o resort office.

A possibilidade de trabalho remoto, cada vez mais consolidada no mercado de trabalho, permite com que famílias aproveitem o resort para trabalhar e se divertir na mesma viagem. Algo menos frequente antes da pandemia e que, possivelmente, deve se manter como um novo nicho a ser explorado, mesmo no pós-pandemia.

Público que valoriza o convívio com a natureza e com a cultura local também tem crescido e impactado positivamente os resorts.

Público que valoriza o convívio com a natureza e com a cultura local também tem crescido e impactado positivamente os resorts. Os resorts, pela própria estrutura e localidade, já recebiam este público com certa frequência. Porém, tem-se notado um aumento tanto da demanda quanto da oferta, cada vez mais especializada para atender às necessidades deste público.

No dia a dia dos resorts, há um aumento de serviços e atividades ao ar livre, além da divulgação e valorização dos produtos locais. Apesar dessa tendência também não ser uma novidade, acreditamos que ela tenha acelerado durante a pandemia e deve ganhar outra dimensão nos próximos anos.

 

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