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Quase 20 anos depois, Pico da Neblina reabre para expedições de aventura

Ponto mais alto do Brasil possui trilha considerada a mais difícil do país. Turismo sustentável local tem a proposta de funcionar como uma fonte de subsistência alternativa para o povo Yanomami.

Por Tárcia Oreste, com reportagem de Paulo Atzingen


Com reabertura prevista para o dia 17 de março de 2022, o Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, a 2.995,30 metros do nível do mar, vai receber a primeira expedição de aventura depois de quase 20 anos sem atividades turísticas no local. Desde o ano de 2003, o turismo na região foi suspenso pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com a proposta de prevenir a degradação ambiental da região.

O Pico da Neblina está inserido em terra indígena Yanomami, perto de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Até o ano de 2003, muitos visitantes não faziam ideia de que estavam explorando um território indígena de grande importância espiritual para os Yanomami. O Ibama, desta forma, suspendeu a visitação ao local, que era feita sem regulamentação ou qualquer tipo de controle por parte dos órgãos responsáveis, também com a intenção de impedir a violação dos direitos da população indígena.

Ibama tem forte preocupação com a violação dos direitos da população indígena – Foto: Lucas Miagostovich.

Nos dias atuais, no entanto, apenas três empresas têm autorização para atuar na região, sendo elas a Roraima Adventures, a Amazon Emotions e a Ambiental Turismo. A perspectiva de atuação local é de promover um turismo sustentável que seja uma fonte de subsistência alternativa para os Yanomami.

TURISMO DE AVENTURA

De acordo com o diretor do Roraima Adventures, Magno Souza, o Pico da Neblina, por se tratar de um local distante de tudo, possui uma trilha que é considerada a mais difícil do Brasil, no contexto de dificuldade de acesso, de logística operacional, de trâmites burocráticos e de custos financeiros. “A Roraima Adventures e Amazon Emotions são referências em grandes expedições na Amazônia, e por estarem na região, o trabalho conjunto facilita a organização de todos os procedimentos em parceria”, explica o diretor.

Também chamado de Yaripo, o Pico da Neblina deve receber expedições de até 10 pessoas – Foto: Lucas Miagostovich.

Para a primeira expedição de reabertura do Pico da Neblina, em 2022, o primeiro grupo de turistas da Roraima Adventures já conta com 09 participantes confirmados, além do staff, guias e operadores de turismo.

Para o período de visitação ao local, o preparo físico e mental são fatores relevantes. Segundo Magno Souza, “[o visitante deve] estar em boas condições físicas para enfrentar 09 dias de perrengues dentro da mata, em terrenos alagados e desnivelados. Ter alguma experiência em expedições desta natureza, onde o estresse psicológico é intenso, e ter espírito de colaboração para manter um bom ambiente comum”.

INTINERÁRIO E CUSTO

Os participantes da expedição devem voar até Manaus, de onde embarcam para São Gabriel da Cachoeira, onde é realizado um evento receptivo. A partir dali todos partem para um trecho de 85km por uma estrada não pavimentada até o local onde embarcam em canoas motorizadas para chegar à Comunidade Yanomami de Maturacá, local de início da trilha de 09 dias até o topo do Pico da Neblina, considerando ida e volta.

Da comunidade Yanomami de Maturacá até o Pico da Neblina, participantes percorrem trilha por 9 dias, considerando ida e volta – Foto: Lucas Miagostovich.

O pacote contempla desde o receptivo e hospedagens em São Gabriel da Cachoeira, com atividades em comunidades indígenas, antes do início da expedição, transportes terrestres e fluviais até à região dos Yanomami, suprimentos, logística de trilha e staff, até a documentação junto aos órgãos responsáveis. Os valores por pessoa alcançam o montante de R$ 19.500,00.

Também chamado de Yaripo, pelos Yanomami, o Pico da Neblina deve receber expedições feitas em grupos de até 10 pessoas. Para a participação nas viagens, os visitantes também precisam estar com todas as vacinas em dia, principalmente contra a Febre Amarela e contra a COVID-19.

Participantes embarcam em canoas motorizadas para chegar à Comunidade Yanomami de Maturacá – Foto: Lucas Miagostovich.

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