Com forte apelo histórico e ambiental, a diversidade de atrativos impulsiona o turismo em Santo André, que já recebeu cerca de 800 mil visitantes em um ano. O crescimento do setor também reflete a adoção de novas tecnologias e a diversidade de ações, como cultura, gastronomia, negócios, saúde, educação, turismo religioso e compras.
Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO TURISMO, Evandro Banzato, secretário de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego de Santo André, abraça a causa da atividade municipal do Turismo, área vinculada à sua pasta.
Por Cecília Fazzini (com entrevista de Paulo Atzingen)
Evandro inicia a conversa falando do Observatório do Turismo, ferramenta que foi implantada em Santo André há um ano. “Esta ferramenta recolhe, ordena e interpreta dados a respeito do setor no município. Ela deu vida aos negócios”, explica. .
Disponíveis no portal acesse.santoandre.br/observatorioturismo e em boletins regulares, os dados aferidos passaram a ser imprescindíveis, projeto que nasceu do apoio de outras secretarias e de empresas hoteleiras, esforço conjunto que permitiu a viabilização da pesquisa sistematizada.


“Ao todo Santo André conta com 11 importantes parques públicos, “bem conservados, bonitos e bem localizados”, relaciona Banzato.
Vila de Paranapiacaba, atrativo âncora
A atualização das informações sobre o Turismo são feitas na plataforma (acesse.santoandre.br/observatorioturismo) que traz, entre outras coisas, a situação da arrecadação do ISS do setor, quantidade de estabelecimentos voltados ao setor e demais elementos que permitem entender a dinâmica da economia de forma pontual. “Quando a gente olha para aquele que é, sem dúvida nenhuma, o nosso maior patrimônio, uma das últimas reservas da Mata Atlântica, a Vila de Paranapiacaba, vislumbramos todo o potencial do lugar”, considera o secretário. Só no Festival de Inverno do ano passado, realizado naquela localidade, entre os meses de junho e julho, recebeu cerca de 300 mil visitantes e, ao longo do ano, o número salta para 500 mil turistas, mais da metade da demanda de todo o município de Santo André.
Do calendário de eventos da pequena vila ainda consta o Festival das Bruxas, que atrai 70 mil pessoas, conforme o censo da edição mais recente. Já o Trem Turístico – que parte de São Paulo, da Estação da Luz – conta com duas chegadas no final de semana – uma sábado e outra domingo. “Era uma frequência semanal, nós conseguimos ampliar para duas”, atesta o secretário.

Parque hoteleiro
Com diversificado parque hoteleiro, que oferece 2 mil leitos, seis dos maiores meios de hospedagem do município registraram, em 2024 – ainda com o levantamento de 2025 não consolidado – cerca de 220 mil hóspedes, movimento acionado sobretudo pelo viajante de negócios, que responde por pouco mais de 20% da receita do turismo, um segmento, contudo, “com gasto médio muito mais elevado do que o visitante de lazer”, conforme observa Rubens Gallino Júnior, gerente de turismo da Secretaria.

Conhecimento e visitação
Outro ponto de interesse que atrai as chegadas de turistas à Santo André é o Sabina Escola Parque do Conhecimento, um centro de ciências com proposta de museu, que tem como público principal escolares, nos dias de semana e famílias, aos sábados e domingos. “Só no ano passado o parque, com viés educativo, já ultrapassou os 56 mil visitantes registrados no exercício anterior”. O secretário antecipa que, para o próximo biênio, o plano é estabelecer as bases do turismo de inovação em Santo André, valendo-se do avanço como polo tecnológico e do já referendado conceito do Sabina, além da ponte a ser estabelecida com a Escola Municipal de Educação Ambiental – EMEA.
Destacados pelo cuidado com o panorama urbano, os parques municipais da cidade são pontos-de-encontro no turista de lazer. Ao todo Santo André conta com 11 importantes parques públicos, “bem conservados, bonitos e bem localizados”, relaciona Banzato.
PIB industrial
Se os números são relevantes para dinamizar e criar estratégias melhor fundamentadas para o Turismo, Banzato acentua a necessidade de se olhar para todos os atores, que fazem a roda da economia e do desenvolvimento girar. “Do pequeno negócio, passando pelo artesanato e gastronomia, estabelecimentos nascidos da criatividade que compõem o alicerce empreendedor, àqueles aportes de maior monta, grandes indústrias instaladas em nosso polo, todos têm contribuição a dar”. De acordo com ele, o PIB industrial representa 23,9% de toda a riqueza gerada na cidade, da indústria da borracha, passando por petroquímico, têxtil, telecomunicações, logística, saúde entre outros segmentos de relevância para a economia local.
Hoje com o time de sua secretaria recém-instalado no CITE (Centro de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo) da administração pública, ele orquestra um novo momento de aporte para o desenvolvimento da economia local. O edifício de 8 mil metros quadrados e área de 22 mil metros quadrados, à margem do modal ferroviário da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM que corta o Grande ABC, foi a sede administrativa da Rhodia, empresa do setor de química e petroquímica, que atua no Brasil há mais de cem anos. A reforma, concluída em dezembro último, durou 8 anos e emprestou ares de modernidade à antiga estrutura, com investimento de R$ 50 milhões, através de repasses do Finep, agência pública de fomento à ciência, tecnologia e inovação.

Incubadora solidária
Com o intuito de impulsionar a economia criativa, que nasce pelas mãos do micro investidor, na esfera de competência da secretaria orquestrada por Banzato, foi concebida uma incubadora solidária. Na prática, fruto da parceria com shopping da cidade (Atrium) e, após triagem feita através de edital, a cada dois anos, com os interessados, o modelo prevê consultoria e qualificação por parte do Sebrae à disposição dos selecionados e possibilidade de ter um espaço de loja para os produtos, no centro comercial de grande circulação de público. As orientações, explica o secretário, vão desde como explorar as redes sociais, formatação de preço, eleger canais de divulgação.
Na área do CIT, igualmente em parceria com o Sebrae, 30 startups terão espaço assegurado, desde que apresentem natureza do negócio, projetos de inovação e tecnologia em sinergia com a vocação e áreas das indústrias estratégicas que atuam no município.

Relevância do comércio e chegada de franquias
Mesmo com raízes industriais, Santo André se destaca cada vez mais pela força do comércio. Atualmente, são 22 corredores comerciais e quatro shoppings de grande porte, incluindo o Grand Plaza Shopping — o maior do ABC Paulista — que sozinho movimenta R$ 1,2 bilhão por ano. A expressiva presença de franquias também confirma essa vocação: o município ocupa a 30ª posição nacional em concentração de redes franqueadas, com destaque para o setor gastronômico.
“Quando observamos o crescimento de franquias, especialmente na gastronomia, percebemos que estamos atraindo turistas. Foi aí que pensamos: vamos criar algo interessante para esse visitante”, afirma o secretário de Desenvolvimento, Evandro Banzato. Dessa percepção nasceu o “Sabores da Cidade”, festival gastronômico que teve duas edições (2024 e 2025) e reuniu 206 restaurantes. “Fomos maiores até que o Restaurante Week, tradicional na capital e na Região Metropolitana. Só perdemos para um festival peruano com mais de 400 participantes”, compara.

Três pilares
À frente da secretaria há nove anos, Banzato lidera uma estratégia de desenvolvimento baseada em três pilares: melhoria do ambiente de negócios, aumento da competitividade das empresas e estímulo à inovação, qualificação e empreendedorismo. “Nosso foco é gerar emprego e renda. Para isso, é essencial criar um ecossistema saudável para o investimento e capacitar nossos empreendedores”, reforça. Ele também destaca a importância da parceria com o setor privado e com instituições locais. “Nosso relacionamento com o empresariado — pequeno, médio ou grande — evoluiu muito nos últimos anos.”
Para guiar as ações da pasta, o secretário adotou uma sigla que reflete sua filosofia de trabalho: OPA — Observar, Planejar e Agir. “É assim que identificamos oportunidades e estruturamos projetos com assertividade”, finaliza.
*Esta entrevista abre a série de reportagens que o DIÁRIO projetou para 2026 com municípios brasileiros com potencial turístico




