Toni Sando, presidente executivo do SPCVB: “As entidades não puxaram o freio de mão, estão se ajustando aos custos”

O São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB) divulgou recentemente um relatório anual, referente ao ano passado, com os resultados do trabalho das cinco áreas entidade no mesmo ano: Relacionamento, Comunicação e Pesquisa, Eventos Nacional e Internacional e Administrativo-Financeiro (disponível aqui). Com base nos dados, o DIÁRIO entrevistou o presidente executivo do SPCVB,Toni Sando, para saber mais detalhes e expectativas para 2016. Confira:

DIÁRIO – Como a cidade com maior fluxo de turismo de negócios do Brasil e com quase três centenas de eventos captados se prepara para este 2016? Qual sua perspectiva para o ano?

TONI SANDO – São Paulo, por sua capacidade de receber eventos de todos os tamanhos, com hotéis para todos os gostos e bolsos, três aeroportos, a cidade acaba se tornando muito competitiva. São Paulo está sempre preparada para receber viajantes de negócios por esse potencial.

A expectativa é que, como o comportamento do turista de negócios tem mudado, percebemos que o horário das reuniões tem se encurtado, os encontros e congressos têm utilizado horários alternativos para diminuir custos, tudo isso tem alterado o comportamento do visitante de negócios. Também observamos que os encontros que normalmente duravam três dias, por exemplo, passam para dois, os serviços adicionais que eram colocados à disposição do expositor e do visitante acaba diminuindo. Por outro lado, existem oportunidades que estamos sempre atentos, como tecnologia, informação, extensão do evento, temos observado novas tendências de comportamento. Quem está atento a essas mudanças tem tirado oportunidades.

A concorrência é grande. Outros destinos tem se preparado para receber bem, há muitos novos centros de convenções se estruturando em todo o Brasil. Estamos atentos a isso, para podermos manter e cativar os visitantes na nossa cidade.

O comportamento do consumidor tem mudado muito. Cabe ao empresário do setor de feiras e o empresário do setor de eventos tem que estar atento a essas mudanças, isso faz com que o mercado tenha que inovar

DIÁRIO – Uma das áreas do relatório anual fala sobre eventos nacionais e internacionais. Como o senhor avalia as tendências das novas feiras mundiais e sua influência nas feiras nacionais? Estamos chegando a níveis satisfatórios no que tange infraestrutura, serviços e mão de obra?

TONI SANDO – Tanto as feiras quando os congressos carecem o tempo todo de sofisticação e atualização. O comportamento do consumidor tem mudado muito. Cabe ao empresário do setor de feiras e o empresário do setor de eventos tem que estar atento a essas mudanças, isso faz com que o mercado tenha que inovar. As pessoas não têm mais tempo a perder, são objetivas, querem fazer negócios. Por ser um destino de negócios, São Paulo concentra os compradores, e isso facilita bastante. Por outro lado, isso exige uma qualificação melhor das pessoas e mais do que isso, uma maior qualificação dos equipamentos que recebem os eventos. Os equipamentos privados estão indo muito bem. O que carece em São Paulo é o Anhembi, que necessita de uma ampla reforma e privatização.

Não temos notado redução [das feiras nacionais, com a vinda das feiras internacionais]. O Brasil é a sexta maior economia do mundo. Aqui temos compradores e expositores e estamos equipados com o melhor. A indústria de eventos se ajusta à economia, mas tem a necessidade de expor, de representar, negociar, compartilhar dados e informações. As entidades não puxaram o freio de mão, estão se ajustando aos custos, aos tipos de serviços que elas oferecem. O mercado continua ativo.

DIÁRIO – Quais são os produtos, segmentos ou serviços que São Paulo, como cidade, precisa evoluir?

TONI SANDO – São Paulo é uma megametrópole, e como toda megametrópole tem suas dificuldades de locomoção, transporte. Mobilidade urbana. Isso não é um problema de São Paulo, é um problema do mundo. Temos considerado alternativas para mostrar ao visitante que se ele ficar na região da Berrini, do centro, da Paulista, pode usufruir de muitas coisas bacanas da região sem necessidade de deslocamento para outra região. Trabalhamos para enfrentar o problema da mobilidade dando alternativas para o visitante aproveitar melhor o destino.

DIÁRIO – Explique esse dado: “21 dossiês de candidatura”.

TONI SANDO – Quando um destino compete com outro, por exemplo, a nível internacional, se São Paulo disputa um grande congresso com Paris ou Nova York, o dossiê de candidatura apresenta cartas de apoio do governo e entidades privadas e mostra a capacidade que a cidade tem para receber eventos. É uma proposta do que a cidade pode oferecer em termos estruturais para que o evento possa ser realizado.

DIÁRIO – O SPCVB investe em estudos ou ações para estimular o aumento do número de pessoas em feiras (já que há reclamação da falta de público nelas)?

TONI SANDO – O Convention Bureau trabalha para fazer eventos. Consequentemente faz com que aumente o número de visitantes. É uma relação b2b. O Convention fala com representantes de entidades e associações e mostra o que a cidade tem de capacidade para rececer bem. Com isso, aumenta, consequentemente o fluxo de visitantes.

www.visitesaopaulo.com.

 

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