Filha de Lampião, Expedita Ferreira Nunes, volta para Sergipe com o coração transbordando de alegria
Tanto a escola de samba paulistana Mancha Verde, como a carioca Imperatriz Leopoldinense apostaram na cultura nordestina no Carnaval deste ano. A Mancha Verde perdeu por 1 décimo para a Mocidade Alegre e foi vice-campeã. Já a Imperatriz Leopoldinense depois de 22 anos sagrou-se campeã do Carnaval do Rio. As duas escolas contaram com a presença de Expedita Ferreira, de 90 anos, filha de Lampião e Maria Bonita. Por meio do whatsapp da neta de Expedita, Gleuse Ferreira, fizemos a entrevista com a neta do Rei do Cangaço, confira:
por Mary de Aquino*
DIÁRIO – No enredo Oxente – Sou Xaxado, Sou Nordeste, Sou Brasil, da Mancha Verde a senhora desfilou homenageando os seus pais, como foi estar no Sambódromo do Anhembi?
Expedita: Foi umas das maiores emoções q já senti , estava ao lado das minhas filhas e netas e amigos. Foi especial
DIÁRIO – A vida de Lampião rendeu a Imperatriz Leopoldinense o nono título, após 22 anos sem vencer. O que a senhora considera o ponto alto do desfile que fez a escola conquistar o título?
Expedita: O empenho da comunidade, o empenho da diretoria e do carnavalesco. Eles estavam com muita vontade de conquistar esse título e por sorte conseguimos acompanhar um pouco de perto essa trajetória e eu que fui a cereja do bolo kkkkkkkk
DIÁRIO – Em 2020 a Imperatriz Leopoldinense chegou a ser rebaixada para série Ouro do Carnaval carioca. Assim como a vida, que tem altos e baixos, o que a senhora considera que tenha sido os momentos mais difíceis dos seus pais, e o momento mais importante de superação?
Expedita : Com certeza quando eles tiveram que me entregar aos 21 dias de nascida para um casal de vaqueiro de confiança deles – Aurora e Severo – por quem fui criada até os 8 anos e eles me tratavam como filha , mas sempre me avisaram que eu tinha outros pais que eram Lampião e Maria Bonita.
*a neta acrescenta que no cangaço não podia ter crianças. Todas que nasciam eram entregues para alguém.


DIÁRIO – Lampião fez história no nordeste, os locais pelos quais ele passou virou lenda, cordel, peças, livros. Para quem quiser visitar os pontos turísticos que o rei do cangaço esteve. Quais os lugares que a senhora recomenda?
Expedita: Grota do Angico – Canindé SE. Ali foram mortos Meus pais e mais 9 cangaceiros – é um local bem emblemático e onde todo ano no dia 28 de julho minha filha Vera Ferreira faz uma missa nesse local
DIÁRIO – Dos cordéis de José Pacheco – “A Chegada de Lampião no Inferno” e “O grande debate que teve Lampião com São Pedro” serviu de base para o samba-enredo “O aperreio do cabra que o Excomungado tratou com má-querença e o Santíssimo não deu guarida” do carnavalesco Leonardo Vieira. A senhora cantou junto? Concorda com os dizeres?
Expedita: Cantei alguns pedacinhos. Não decorei 100% mas cantei alguns trechos sim.
Acho que eles foram mto felizes.
DIÁRIO – O que a senhora sentiu em desfilar em SP e no Rio, da história dos seus pais fazer uma vice-campeã e a outra campeã?
Expedita: Já falei q não vim pra perder. Queria a dobradinha da Mancha e Imperatriz. A Mancha merecia porque o desfile estava LINDÍSSIMO, mas fiquei extremamente feliz em ver essa homenagem aos meus pais. Isso mostra que eles não foram esquecidos.


DIÁRIO – Qual a expectativa para o desfile das campeãs?
Expedita: Queria poder estar nas duas escolas. Porque temos a Mancha no nosso coração. Mas infelizmente estamos no Rio e não vamos conseguir ir. Até porque as duas são no mesmo dia e horário. Mas estarei na Imperatriz com muita felicidade no meu coração. Eles também foram incríveis.
Ganhamos duas famílias. A da Mancha e a da Imperatriz.
DIÁRIO 20 ANOS – Entrevista publicada originalmente dia 25 de fevereiro de 2023
Quem foi Lampião?
Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, o Rei do Cangaço[1] (Serra Talhada, 4 de junho de 1898[nota 1] — Poço Redondo, 28 de julho de 1938), foi um cangaceiro [2][3] brasileiro que atuou na região do sertão nordestino do Brasil. Segundo o biógrafo Cicinato Ferreira Neto, o apelido “Lampião” foi lhe dado devido ter facilidade em manejar o rifle, “que, de tanto atirar, mais parecia um candeeiro aceso nas escuras noites da caatinga”.[4]
Lampião foi provavelmente o líder banditista de maior sucesso do Século XX.[2] Por parte das autoridades este simbolizava a brutalidade, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população sertaneja, ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra. Por conta disso, suas façanhas o transformaram em um herói popular no Brasil, principalmente na região nordeste do país, rendendo-lhe uma reputação equivalente ao contraventor norte-americano Jesse James e ao revolucionário mexicano Pancho Villa.[3]
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