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‘A beleza da aviação tem seus encantos, mas também seus riscos’

Sempre que podemos, aproveitamos a conexão da carreira dos pilotos do correio aéreo para falar por aqui de alguns aviões da época. Hoje falaremos do Latécoère.

Exemplos não faltam: Saint-Exupéry o Senhor das Areias, Jean Mermoz, o Arcanjo do Atlântico Sul, Henri Guillaumet, o Arcanjo da Cordilheira dos Andes e Marcel Reine, proprietário da La Grande Vallée, curiosidades e fatos desse tempo onde a aviação e o correio aéreo apenas caminhavam. E um avião que vamos falar hoje aqui é Lat 631.

E uma coisa que pouca gente sabe, é que a Latécoère, mesmo depois de ter vendido a companhia para a Aéropostale (e depois ter se tornado a atual Air France), a empresa continuou construindo aviões, e um deles, foi justamente o Lat 631.

Esse hidro-avião francês foi um projeto da Direção Geral da Aviação Civil Francesa que foi projetado para comportar até 40 passageiros e alcançar 4000 km de distância sem abastecimento a uma velocidade acima de 300 km/h, marco relevante para a época.

Com seis motores radiais, o grande avião que prometia revolucionar o setor aéreo teve sua fabricação interrompida devido a Segunda Guerra Mundial, porém conseguiu deixar sua marca com um protótipo em 1942 e foi até confiscado pelos alemães. Mas apesar das boas expectativas, esse comercial hidro-avião hexamotor, não foi confiável, era dispendioso e praticamente todos caíram durante seu uso.

E justamente por ter seu risco, ocorreu um acidente com esse mesmo exemplar em 31 de outubro de 1945. O F-BANT da Air France, sucessora da Latécoére, estava em um vôo do Rio de Janeiro com rota para Montevidéu e Buenos Aires quando a hélice do terceiro motor se partiu, danificando outros dois motores. Um orifício da pá da hélice se partiu quando o avião já estava a 3 metros, atingindo a cabine, resultando na morte de dois passageiros.

Já não bastasse o grave acidente, um incêndio começou e um pouso de emergência precisou ser feito na Laguna de Rocha, no Uruguai. Passada a tragédia, o avião foi consertado e voltou para terminar sua rota. E uma curiosidade é que o famoso poeta, compositor e diplomata Vinicius de Moraes e o escritor Rubem Braga estavam a bordo e passaram o grande susto.

Crédito José Augusto Cavalcanti Wanderley

Colaborou: Nicole B. Vieira da Rocha Santos

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