Accor abre caixa de ferramentas e promete fechar 2016 com 300 hotéis na América do Sul

Por Paulo Atzingen

Pela primeira vez na história desse mercado corporativo uma empresa hoteleira aproveita um encontro com jornalistas e apresenta sua nova estrutura organizacional com seus respectivos executivos gestores, mostra seu balanço do ano anterior e lança luzes para o que vem pela frente. Boas doses de ousadia, planejamento e profissionalismo dão base à rede Accor que quer abrir mais 200 hotéis nos próximos três anos.

Essa ideia de dar voz aos inúmeros colaboradores estratégicos mostra que a empresa hoteleira acredita em reengenharias internas para o bom andamento do negócio. “A Accor tem um grande volume de negociações e grande volume de compra, precisamos adequar nossa estrutura interna para os próximos anos”, adiantou Patrick Mendes, CEO da empresa, ao DIÁRIO.

Accor_quadro

Segundo ele, no ano de 2015 foi possível manter o ritmo de crescimento na América do Sul com 40 novos contratos assinados, ou aproximadamente 5 mil apartamentos acrescidos ao portfólio atual. Hoje a rede possui 39 mil quartos e 253 hotéis em operação na América do Sul, sendo 233 só no Brasil.

“Vamos chegar este ano a 300 novas unidades na América do Sul, cerca de uma abertura a cada 10 dias”, adiantou Patrick. Em 2015 foram inaugurados 27 hotéis, sendo que os econômicos puxam a fila: “12 ibis, 3 ibis Styles, 3 ibis budget, 3 Mercure, 3 Novotel e 3 Grand Mercure”. Ao total, segundo a rede, essas aberturas somam R$ 1,6 bi de investimentos com a participação de parceiros e investidores privados.

“Um dos principais fatores para demonstrarmos que realmente acreditamos no Brasil é que temos 196 obras em andamento e, só neste ano, entregaremos concretamente mais ou menos 29 ou 30 hotéis, dos quais 27 serão abertos. 80% ou 85% disso no Brasil, de todas as marcas, com predominância das marcas econômicas ibis, ibis Budget e ibis Styles”, afirmou Paulo Mancio, diretor técnico de implantação e patrimônio do grupo, ao DIÁRIO.

Patrick Mendes: Volume de negócios registrou queda de -2,9% comparado a 2014 (Foto: DT)
Patrick Mendes: Volume de negócios registrou queda de -2,9% comparado a 2014 (Foto: DT)

Comitê

Em formato de conferência, mas com a democratização das falas, o encontro serviu para a apresentação do Comitê de Direção que, segundo Patrick dará sustentação ao grande plano de expansão que a Accor empreende. “Dividimos nossa estrutura em quatros eixos estratégicos: ampliar o relacionamento com investidores, melhorar a estratégia de distribuição via plataformas de TI, oferecer experiência digital ao cliente e valorizar os talentos, mantendo-nos como uma das melhores empresas para se trabalhar”, enumerou o executivo.

Confiança e relacionamento com investidores

Como operadora hoteleira, a Accor tem como parceiros os investidores, reais proprietários de 80% das unidades físicas. Mesmo com essa profunda queda na economia nacional, o grupo hoteleiro de origem francesa registrou apenas -2,9% de retração no volume de negócios em 2015, comparado ao ano de 2014. Dados expressivos em um cenário econômico com inflação girando em torno dos 11,4% em fevereiro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Temos 5 mil investidores. E a cobrança que eles fazem é a seguinte: “eu tenho confiança em vocês porque eu escolhi a melhor operadora que existe. Esse é um ponto que temos que levar a sério”, afirmou Paulo Mancio. De acordo com o executivo, este é o momento em que se deve ter confiança: “Se alguém me cobra confiança, tenho que passar duas coisas: a transparência e o fato de estar presente. Quanto a crise que vemos, como se comporta a liderança? Diante de uma situação difícil, a liderança precisa estar presente. No ano passado e neste ano, acho que nunca fizemos tantas reuniões com investidores. É neste momento que você tem que se expor. A pior atitude seria  nos omitir, esperar, culpar a crise e tudo bem, e esperar passar. É uma crise principalmente de confiança e credibilidade”.

Magda de Castro Kiehl é a diretora Jurídica e de Riscos América do Sul e integra o comitê gestor (Foto: DT)
Magda de Castro Kiehl é a diretora Jurídica e de Riscos América do Sul e integra o comitê gestor (Foto: DT)

*Paulo Atzingen é jornalista e fundador do DIÁRIO DO TURISMO

2 COMENTÁRIOS

  1. A pior crise é deixar de investir. A saída da crise passa pelo investimento. Na questão da Accor o sucesso tenderá sempre estar presente por contar com dois pilares, fundamentais: empregar pessoas reconhecendo seus talentos e, pensando na clientela: ofertar mais opções de hotelaria, a título de localização e poder aquisitivo. Portanto, um exemplo a ser seguido por empresários de todas as áreas.

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