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Anúncios que me fizeram a cabeça (1)- por J. Salim

A idade do convencimento vocacional.

Se existe uma coisa que adoro é viajar no tempo. Principalmente nas coisas que me influenciaram na escolha de minha profissão que iria abraçar mais tarde, o de publicitário.
Sou interiorano de S. J. do Rio Preto e na minha época de adolescência não existia preferência por outras profissões que não fossem a Medicina e a Engenharia.
Se o guri tivesse ojeriza por sangue faria a escolha por engenharia, caso contrário, escolheria a medicina. Falar em publicidade deixava as pessoas horrorizadas, minha mãe por exemplo. Dizia-me que não permitiria que eu fosse fazer “reclames” em S. Paulo. – Onde já se viu tamanha estupidez. Isso não é profissão. Como direi aos nossos amigos?
Mas segui minha intenção de me tornar um publicitário e optei em fazer o vestibular na Escola Superior de Propaganda e Marketing em S. Paulo, capital.
Todavia, como dizia, anúncios em jornais e revistas me faziam a cabeça, já que a televisão nos anos 60 eram captadas com muita dificuldade no interior, já que não haviam antenas e dispositivos de repetição como tivemos em décadas futuras, além de ser tudo em preto e branco.
E a rede que podíamos assistir era antiga TV Tupi. As outras, a TV Excelsior e a TV Record não chegavam até aquele oeste, tão, tão distante do estado de São Paulo. Portanto, anúncios impressos eram meu o alvo preferencial. Outra paixão era o gosto por viajar. E viagens estão ligadas intimamente com a parte mais charmosa, que é a aviação.
Aviões da Varig: “partidas todos os dias ao meio-dia e trinta”
O turismo rodoviário e marítimo ficava em segundo plano, apesar do rodoviário ser o mais acessível para as pessoas do interior, porque nem aeroporto as suas cidades possuiam.
Ah, São José do Rio Preto tinha um, sim. E já era conhecido por suas dimensões com aeroporto internacional. Em duas ocasiões tive experiências com aeronaves, a primeira em 1956, quando viajei com apenas cinco anos de idade, indo de S. Paulo para Rio Preto voando Real Aerovias, um DC3 e, a outra, quando o avião presidencial aterrissou por lá com o ex-presidente João Goulart em 1962, tratava-se de um Vickers Viscount, avião turbo-hélice de médio-alcance.
Neste post, então me dirijo aos nossos amigos do trade com essas duas peças da aviação comercial. Além da saudade da época, vejo com saudades duas ex-cias aéreas comerciais que voamos e que transportou tantos passageiros brasileiros pelo país e mundo afora.
Deleitem-se meus amigos, as nossas lembranças nos fazem bem. Até para entender os dias de hoje. Eramos felizes e não sabíamos. Até a próxima.
*Jorge Salim é cronista e publicitário

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