Belmond Copacabana Palace: coração e alma do aniversariante

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Nesta segunda parte da reportagem do Belmond Copacabana Palace converso com executivos do hotel, entendo um pouco o funcionamento desta máquina de hospitalidade, gentileza e cultura. Para se ter uma ideia, foi aqui, no Teatro Copacabana Palace, que Fernanda Montenegro começou sua trajetória de estrela da dramaturgia. Foi aqui, no Copacabana Palace que Walt Disney teve a inspiração de criar o personagem Zé Carioca.

por Paulo Atzingen*


O gerente de Comunicações da Belmond no Brasil, Cassiano Vitorino, caminha conosco pelos salões e áreas sociais apresentando o coração e a alma do aniversariante. A data oficial dos cem anos acontece em 13 de agosto.

Passamos pelos grandes salões que possuem capacidade para várias festas simultâneas e que conseguem receber, confortavelmente, mais de 2.000 pessoas. “Já fizemos dois casamentos grandes e simultâneos sem nenhum deles saber o que acontecia do outro lado do hotel”, conta Cassiano. A estrutura para eventos do Belmond Copacabana Palace é camaleônica. Seus maiores salões – Golden, Nobre, Drawing e Reading – se metamorfoseiam em salões menores ou se acasalam para uma festa sem dimensões muito definidas e desses acasalamentos nascem felicidades de todos os tamanhos.

Hall da fama

Vitorino nos leva ao hall da fama, onde ficam os retratos das centenas de personalidades que passaram e ficaram hospedadas no hotel. O Copa tem um livro de ouro datado de 1923. Todas as pessoas que constam nesse hall da fama estão nesse livro.

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Conta ele que a criação do personagem Zé Carioca, de Walt Disney, aconteceu justamente aqui, quando da passagem do empresário pelo Rio de Janeiro, em 1941.

“Os encontros da vida carioca aconteciam aqui. As figuras caricatas, o jeito brasileiro foi captado por Walt Disney sintetizado no papagaio”, conta o executivo.

Belmond Copacabana Palace
Cassiano conta que a criação do personagem Zé Carioca, de Walt Disney, aconteceu justamente aqui, quando da passagem de Walt Disney pelo Rio de Janeiro, em 1941

Cassinos

Cassiano reconta a história que já havia me escapado. Em 1920 o presidente Epitácio Pessoa pediu à rica família Guinle que construísse um hotel em Copacabana para receber visitantes internacionais na festa do 1º centenário da Independência que se aproximava, em 1922. “Epitácio Pessoa se inspirara nos hotéis da Riviera Francesa e queria o hotel de frente para o mar em uma região de Copacabana que, à época, era um descampado e totalmente isolada”, conta Cassiano. A única forma de viabilizar um hotel dessa magnitude e importância no local era, segundo os representantes da família Guinle, instalar dentro dele um cassino. Assim foi feito. A partir de Pessoa, os cassinos foram liberados no Brasil e durou até o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946).

“O detalhe, acrescenta Vitorino, o Copacabana Palace não ficou pronto em 1922, em razão da logística, da matéria-prima vindas da Europa e do acesso difícil, mas em agosto de 1923. “O Copacabana Palace influenciou a decisão do funcionamento legal de cassinos no Brasil, mas não foi ele o primeiro a abri-lo”, destaca.

Belmond Copacabana Palace
Teatro Copacabana Palace (Crédito: Paulo Atzingen – DT)

Bossa Nova

Com os cassinos fechados no governo de Eurico Dutra, o desemprego no início da década de 1940 bateu à porta de dezenas de músicos que trabalhavam nessas casas. “No Copacabana Palace não foi diferente”, conta Cassiano. O cassino do Copa tinha três orquestras e a área de entretenimento era muito grande, maior ainda aos padrões atuais. “Esses músicos, desempregados, foram tocar na noite carioca. O que a gente entende de samba-canção e depois bossa-nova é a fusão desses ritmos. No final da década de 50 surge a bossa-nova a um quarteirão daqui, no Beco das Garrafas, o berço da bossa nova”, pontua Cassiano.

Confira a galeria:

Teatro Copacabana Palace

O palco de estreia de Fernanda Montenegro e Paulo Autran, figuras máximas da dramaturgia brasileira foi o teatro Copacabana Palace, conta Cassiano. Ele foi aberto em 1949 e de lá para cá tem passado por inúmeras reformas e adaptações.

O teatro foi reinaugurado em novembro de 2021. “Aproveitamos a pandemia para reformar o espaço. Foi bom, porque o hotel estava fechado e uma obra desse porte dentro do hotel seria muito nociva para a parte de hospedagem por causa do barulho”. Ele não revela o quanto foi investido na reforma, mas garante que foi mantida e obedecida as linhas arquitetônicas principais presentes no hotel (a eclética).

O refinamento da decoração faz jus às divas da dramaturgia disputarem a agenda do teatro. A última reforma instalou 44 arandelas de cristal, oito lustres – cinco deles restaurados – e o carpete, com estampas botânicas, foi importado da Turquia.

“No projeto foram incluídos seis camarotes, quatro frisas e um café”, enumera Cassiano.

Pérgola e Mee

No meu reinado de três dias estive mais vezes no restaurante Pérgola, onde tomei café. É um charme, com uma varanda externa aberta para o calçadão da avenida Atlântica e com vistas para a piscina e para o paisagismo assinado pelo escritório de Burle Max, que dispensa apresentações.

Belmond Copacabana Palace
No restaurante Mee fomos atendidos pelo sushiman Mori, um jovem nissei que aprendeu com os pais a arte do sushi

No restaurante Mee fomos atendidos pelo sushiman Mori, um jovem nissei que aprendeu com os pais a arte do sushi. Optamos pelo Omakase, um menu elaborado especialmente pelo chef.

Pintura da Fachada

A finalização da pintura da fachada do Belmond Copacabana Palace está prevista para julho, segundo o gerente geral Ulisses Marreiros. “Queremos uma fachada o mais próximo possível -não igual – de quando o hotel abriu, em 1923”, explica.

Segundo Ulisses, o projeto da fachada é da arquiteta Mônica Lobo. “Ela terá holofotes com luminárias tal qual utilizadas nos grandes edifícios da Europa. Para fazer toda essa parte cênica, buscamos inspiração no passado e nos projetamos para o futuro”, afirma Marreiros, que chegou ao Copa em dezembro de 2020.

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Ulisses Marreiros, gerente geral do Copacabana Palace (Crédito: Paulo Atzingen – DT)
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Pintura da fachada:  revitalização das cores e detalhes do prédio inspirada em 1923

De olho nos próximos 100 anos

De olho nos próximos 100 anos, durante o jantar no Cipriani, pergunto a Ulisses como está o quadro de renovação dos funcionários, considerando que o tempo é inegociável. Ele me diz que a dinâmica do mercado (de RH) é alta, embora a taxa de turnover do hotel seja muito pequena.

“Nessa linha de focar o passado e inspirar o futuro temos que ter sempre sangue novo” e conversa com um dos garçons que nos atende, o Danilo, que tem seis anos na empresa. “Temos uma mistura de gente nova e âncoras. Temos o Santos, que está conosco há 27 anos”, pontua.

Confira a galeria:

Programa de estágios

Ulisses lembra que uma das maiores portas de entrada do hotel é o programa Jovem Aprendiz. E cita exemplos de jovens que passaram pelo Copacabana e hoje seguem carreiras em outras redes hoteleiras.

“Na hotelaria, diferentemente de outras indústrias, a ascensão profissional é muito facilitada”, conclui. O hotel hoje possui cerca de 500 funcionários.

Belmond Copacabana Palace
Danilo, há seis anos no Copa (Crédito: Paulo Atzingen – DT)

Presente para o futuro

Vejo a aura do Copacabana Palace refletida na piscina do hotel em minha última noite por aqui. Alguns hotéis no mundo, e da própria rede Belmond, alcançaram essa longevidade, no entanto, o Copacabana Palace reveste-se de uma roupagem exclusiva e possui uma alma e coração únicos. Essa roupagem, essa alma e coração se oferecerão aos de fora e aos de dentro nos próximos 100 anos, como um presente, ao carioca, ao brasileiro, ao turista.

É o Copa! É o nosso Copa!


*Paulo Atzingen é jornalista e fundador do DIÁRIO DO TURISMO;  hospedou-se no Belmond Copacabana Palace a convite do hotel

Belmond Copacabana Palace completa 100 anos e oferece um presente


Sobre a Belmond

A Belmond é pioneira em turismo excepcional de luxo há mais de 46 anos, construindo durante esse tempo uma paixão por viagens autênticas e um portfólio único de experiências exclusivas em alguns dos destinos mais inspiradores do mundo. O Copacabana Palace integra o portfólio deste grupo.  A Belmond faz parte do grupo de luxo líder mundial LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton.

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