Celso Guelfi, presidente da GTA: “Viagens nacionais também precisam de assistência”

REDAÇÃO DO DIÁRIO

Seguro viagem e de assistência embutidos no cartão de crédito valem a pena? O tratado de Schengen pode barrar um brasileiro na Europa? O agente de viagem é importante par intermediar a compra do seguro? Essas e outras questões são apresentadas aqui, na entrevista de Celso Guelfi, presidente da Global Travel Assistance. Confira abaixo:

Cartão seguro-viagem embutido no cartão de crédito

Nem sempre usar o seguro-viagem embutido no cartão de crédito vale a pena. O benefício incluído em algumas categorias de cartões pode representar alguma economia, no entanto pode oferecer cobertura insuficiente, dependendo dos planos do viajante.

“O seguro que vem incluso no cartão de crédito é limitado. E tem uma limitação, e nem sempre essa limitação vale pra onde você vai. Nos Estados Unidos, hoje, por exemplo, a medicina é muito cara, então não adianta você ter uma cobertura de dez, oito, dez mil dólares porque lá, se você tiver, você precisaria de um cartão mais robusto, e ele limita.

É muito arriscado contar apenas com o cartão de crédito em qualquer viagem. Quando se utiliza esse processo utilizando-se o cartão, você recebe, posteriormente um reembolso. Nesses casos há o risco de estrangular o limite de um cliente que esteja viajando com uma doença, por exemplo. Usando a totalidade do crédito não se tem mais crédito para fazer outras coisas”, explica.

Tratado de Schengen

Global Travel Assistance trabalha de forma antecipada. “Em 98% dos nossos casos o viajante tem um atendimento in loco, nós prestamos o atendimento e ele não paga a conta, nós é que assumimos a conta da seguradora sobre os gastos que foram necessários. Além disso, toda vez que se vai viajar é necessário ligar para o banco e avisar para onde você vai. Você tem que pedir pra ele (o banco ou o cartão de crédito) te mandar as condições gerais, dependendo do lugar, por exemplo, a Europa, você necessita ter planos que cobrem acima de 30 mil euros, pelo tratado de Schengen, e nem todas as cobertura de cartão te dão isso”. E por fim, na Europa o viajante tem que entrar com a cobertura na mão, ou seja, provar que tem seguro. Não adianta você mostrar o cartão de crédito, tem que mostrar o contrato, se assim for requisitado. Então, essa situação do cartão embutido, do cartão de crédito é limitante”

Agente de viagem

Quando tiver uma ocorrência, por exemplo, numa assistência de viagem. Se por acaso ele tiver alguma dificuldade com a central operativa que vai atendê-lo, ele recorre ao agente de viagem. E o agente de viagem é o elo de ligação entre ele e o cartão de assistência. Nesses casos, normalmente ele faz uma ligação para o agente de viagem e coloca o agente de viagem para cuidar da demanda. E ele é um cliente muito importante, sempre muito importante para a agência. Então nós conseguimos entrar  nessa ocorrência e organizar da forma mais simples e mais rápida para ele. O que não ocorreria se ele estiver respaldado apenas pelo seguro do cartão de crédito. O core business do cartão de crédito não  é cuidar de pessoas.

Seguro para viagens domésticas

O brasileiro não tem ainda o hábito de solicitar seguro-viagem em viagens domésticas. Às vezes é um equívoco. Por exemplo, cada vez mais hoje nós temos incentivado o passageiro que viaja para uma viagem nacional a levar um plano de assistência. É muito comum o viajante se ancorar e se proteger em cima de seu plano de saúde, porém existem algumas ressalvas. A principal é que o plano de saúde, cada vez mais, tem se tornado regional. Os planos de âmbito nacional são caros. Então, quando normalmente você trabalha com empresas, planos empresariais e tudo mais, eles são regionais. Quer dizer, se você sair da região, você não tem atendimento nenhum. Por isso eu sempre digo: é preciso seguro e assistência até para viagens domésticas.

Coberturas incompletas

Mesmo em alguns casos que plano for de cobertura nacional, ele não cobre, por exemplo, o cancelamento de viagem, ele não cobre mala extraviada. Essas situações… Ele não tem seguro de vida incluso, ele não tem repatriação sanitária. Então nós temos vários serviços e coberturas que não estão ligadas ao cartão de assistência que ele tem. Isso é um motivo grande. Por exemplo, se o passageiro cancela uma viagem por motivo de morte, de doença, um acidente grave que o impede de viajar, nós pagamos a multa contratual, até o limite estabelecido. E o cartão, o plano de saúde não faz isso. Não cobre uma bagagem extraviada, não cobre o cancelamento de viagem, entende? Então, esse é um motivo que a gente tem incentivado as pessoas a viajarem cada vez mais com uma plano de assistência. Fora que num momento de dificuldade que vivemos hoje, em que o dinheiro é muito bem planejado quanto à forma de se gastar, um gasto extra com uma ocorrência de saúde pode comprometer o orçamento do passageiro, e isso faz com que não se comprometa, porque tem aí um seguro atrás que paga.

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