Como os alemães enfrentam as enchentes que atingiram produtores de vinhos no oeste do país

Por Werner Schumacher

Ver uma enchente no Brasil ou em um país da América do Sul é algo corriqueiro, pois as autoridades não medem nenhum esforço para tentar evita-las ou, pelo menos, não permitir a reconstrução de casas ou o retorno dos moradores a esses lugares que invariavelmente alagam, ano após anos.

É difícil imaginar inundações em países milenares que ao longo da história se protegem e, pelo menos minimizam maiores estragos. Os países baixos são um grande exemplo nesse sentido.

No entanto, essa última enchente veio pra valer. Um protesto da natureza? Não sei responder, mas vamos lá, bola pra frente.

Os vinicultores da região de Ahrtal foram violentamente atingidos, mas imediatamente a solidariedade chegou e ideias criativa surgiram, como a do selo “originalmente enlameado”.

Peter Kriechel é o maior produtor da região e presidente da associação Ahrwein, que cuida o marketing das vinícolas locais. Foi ele, juntamente com Linda Kleber, que tiveram a ideia de criar o ‘Flutwein’.

Cada 120 euros doados a eles, em troca o doador recebe 6 (seis) garrafas de vinho com o selo especial de qualidade “originalverschlammt” (originalmente enlameado). Cabe ressaltar que amostras de vinhos foram analisadas e o conteúdo das garrafas não foi atingido, portanto, seguros de serem consumidos.

Em apenas 3 (três) dias da iniciativa, arrecadaram 1 milhão de euros e diz Kriechel: “Perdemos toda infraestrutura aqui, não há pontes, nem estradas, nem água, eletricidade, gás, possivelmente até o ano que vem“.

Uma das vinícolas atingidas foi a Paul Schumacher, que viu a enxurrada praticamente destruir o seu vinhedo. Quando a água baixou, a geladeira da sala de recepção estava pendurada no lustre do teto.

Schumacher conseguiu salvar 20 mil de suas garrafas, que foram mandadas para lavar em produtor de frutas da região. Resta ainda 42 barris, que aguardam engarrafamento, para serem exportados para Dinamarca, Bélgica e Eslováquia.

Schumacher começou há mais de 20 anos atrás, até comprar um vinhedo em Marienthal, com 5 hectares de área de cultivo não é um produtor pequeno e calcula: “60% dos vinicultores, incluindo ele, não tem seguro contra desastre naturais” e pondera … “Mas o vinho é o motor econômico para tudo, hotéis, gastronomia e trabalhadores manuais dependem da viticultura. Se ela não funcionar mais, a coisa vai ficar muito feia por aqui“.

A família Paul Schumacher se salvou buscando refúgio no telhado, parentes e amigos não tiveram a mesma sorte. Estão resgatando o estoque de vinho da lama e esperam ter receita nos próximos meses para lançar as bases para um novo futuro.

Havendo interesse em ajudar a vinícola ou a região, eis o contato da vinícola: https://www.weingut-ps.de/seiten_de/hochwasser.php

 

*Werner Schumacher, é o alemão brasileiro que na década de 80 e 90 do século passado trouxe os insumos da Europa para o início da vinicultura no Rio Grande do Sul, e portanto, no Brasil.

Sem meias palavras, Werner durante o último ano escreveu sobre inúmeros assuntos do universo do vinho. Defendeu a viticultura heroica de montanha, ficou do lado dos pequenos produtores de uva e vinho do Rio Grande do Sul, enalteceu a importância do enólogo em uma propriedade que produz vinho. Além de tudo isso, e com muita classe, critica os marqueteiros que tentam desmistificar o mundo do vinho com seus produtos padronizados e sem caráter.

 

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