Destruição Criativa: Estudo do Sindetur aponta reação nas vendas, mas não no emprego

15 ANOS DIÁRIOS – publicado dia 14 de março de 2018

Em 2017 houve crescimento de 0,6% na quantidade de empregos formais do setor de agências de viagem em comparação a 2016

Por Paulo Atzingen*

Dentre os inúmeros cenários econômicos no contexto das agências de viagem apresentados pelo Sindetur – Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo nesta terça-feira (13), em São Paulo, um que se destacou é a pouca perspectiva de reação da empregabilidade em 2018. Em outras palavras, pouca contratação de mão-de-obra.

De acordo com pesquisa realizada pelo Ipeturis – Instituto de Pesquisa, Estudos e Capacitação em Turismo – em 2017 houve crescimento de 0,6% na quantidade de empregos formais do setor de agências de viagem, na comparação com 2016. Isso representou a criação de pífios 342 novos postos de trabalho após três anos de queda consecutiva, diz o estudo denominado Desempenho do Agenciamento Turístico Nacional na Crise Econômica Brasileira 2014-2017.

Esses e outros números foram apresentados por Glauber Eduardo Santos, analista do Ipeturis e por Marciano Freire, presidente do instituto.

“O volume de vendas em 2017 alcançou  13% a mais que 2014. Ocorreu uma singular recuperação. No entanto, o que se vê é que se as vendas estão reagindo,  a contratação de pessoas estagnou”, afirmou Glauber Eduardo. “As demissões aconteceram, as empresas fecharam, o setor voltou a reagir, mas a empregabilidade não”, completou.

Ponto Culminante

De acordo com as estatísticas apresentadas, o número de Agenciamento Turístico atingiu seu ponto culminante em 2014, quando havia no Brasil 23.787 empresas ligadas ao setor. “Entre os anos de 2007 e 2014, a abertura de novas empresas no setor seguiu um crescimento médio de 4,8% ao ano”, falou Marciano apresentando índices da pesquisa em um painel. “No entanto, de 2014 a 2017, 1.260 empresas fecharam com uma taxa de redução média de 1.8% ao ano”, enumerou.

Destruição Criativa

Para o analista Glauber Eduardo, “voltamos a crescer, mas não voltamos a ser os mesmos”. Essa frase remete a análise apresentada pelo Ipeturis: “As microempresas correspondem a 941 novas vagas de trabalho (3,2% do total do setor) na comparação com 2016). “Mesmo com esse crescimento, o número de colaboradores em 2017 ainda é menor que 2014”, afirmou Glauber.

Já as Médias e Grandes empresas (acima de 50 colaboradores) tiveram um pequeno crescimento (121 empregados), mas permanecem com 2,3 mil empregados a menos que em 2014. Em se tratando de pequenas empresas (10 a 49 colaboradores) foram as que mais fecharam postos de trabalho em 2017, com 720 demissões, atingindo 5,5 mil empregados a menos que em 2014.

Embora o ano de 2017 tenha ocorrido um aumento de 15,9% no volume total de vendas das empresas de Agenciamento Turístico, em comparação a 2016, os índices de contratação permanecem relativamente estagnados. “Eu arriscaria dizer que ocorre uma Destruição Criativa (dos empregos)”, afirmou Glauber.

Após 3 anos consecutivos de reduções nos postos de trabalho formais, em 2017 foi o primeiro ano de salto positivo. No entanto, este crescimento é pequeno se comparado ao acumulado de 8.672 postos de trabalho fechados no período de 2014 a 2016
Após 3 anos consecutivos de reduções nos postos de trabalho formais, em 2017 foi o primeiro ano de salto positivo. No entanto, este crescimento é pequeno se comparado ao acumulado de 8.672 postos de trabalho fechados no período de 2014 a 2016

Enxugamento

Marciano Freire explicou que a renovação constante de processos de venda, as novas plataformas tecnológicas de venda,,a inteligência artificial em tecnologias (ao estilo chatbot) tem substituído pessoas. “Esse é um dos fatores de queda, no entanto, a economia frágil é o ponto principal”, afirmou ao DIÁRIO. “As empresas estão extremamente enxutas em suas estruturas esperando o tempo melhorar”, disse.

Expectativas

O estudo também apresentou expectativas de melhora. Das 1913 entrevistas realizadas em 231 cidades nas 27 unidades da Federação em relação às vendas futuras, 49% acreditam que elas (as vendas) aumentarão no curto prazo, em até três meses. Já no médio prazo, entre 3 a 6 meses, a estimativa é ainda maior: 76% das empresas têm expectativas de melhoras de vendas.

O mesmo quadro dicotômico apresenta-se quanto às contratações. Embora haja expectativas positivas nas vendas, a grande maioria (70%) das empresas ouvidas não pretende fazer novas contratações e esperam manter o número atual de colaboradores. As empresas que pretendem fazer contratações (27%) e as que pretendem demitir (3%) completam o quadro.

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Matéria interessante, Paulo! Será que a pesquisa alcançou dados sobre a disposição das empresas em investimento na aquisição de mídias? ‘Destruição Criativa’ (dos empregos) ilustra bem.

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