Dia Internacional do Guia de Turismo no Brasil: comemorar o quê?

por Carla Matheus*

Comemoramos no dia 21 de fevereiro uma das atividades mais importantes da nossa área: o Dia Internacional do Guia de Turismo, ou “International Tourist Guide Day”, uma celebração internacional promovida desde 1990 pela Federação Mundial de Associações de Guias de Turismo, a “World Federation of Tourist Guide Associations – WFTGA”.

Ano passado, nesta mesma data, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, parabenizou os profissionais do ramo e enalteceu a relevância desses personagens para o desenvolvimento do mercado de viagens. “Hoje é um dia muito importante para o Turismo. Os guias são nossos atores principais, que mostram todo o nosso potencial turístico aos visitantes. Sem eles, o Brasil seria apenas uma paisagem, mas nosso país também é história, cultura e patriotismo”, ressaltou o ministro.

Não resta a menor dúvida que foram palavras bonitas e que nos emocionaram e, mais do que isso, são verdadeiras. Então pergunto: qual o resultado deste reconhecimento na prática? O que recebemos como incentivo para continuarmos atuando de forma cada vez mais técnica, profissional e exemplarmente como os melhores “vendedores” da imagem do nosso País no exterior (o que resulta na entrada de milhões de divisas)?

E ainda: o que foi feito por parte do Ministério do Turismo, Secretarias Estaduais de
Turismo e Secretarias Municipais de Turismo para que estes profissionais tivessem garantido renda básica para sobreviver durante estes últimos 11 meses que foram
acometidos pela pandemia Covid19?

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Os profissionais envolvidos nessa importante atividade deveriam ser lembrados não
só pelos resultados econômicos gerados com o Turismo – 8,1% do PIB no Brasil – mas também pelo profissionalismo, dedicação e, principalmente, pelas habilidades em transformar destinos em conhecimento e experiências inesquecíveis, contribuindo desta forma com a potencialização da demanda de visitantes a cada destino receptor nos quais atuam.

Com a pandemia do Covid19 constatamos que a percepção da nossa importância está muito aquém do que realmente representamos e quem realmente somos como profissionais e técnicos. Existem muitas razões para que esta percepção equivocada tenha sido estabelecida e se mantenha por longo tempo, mas que não cabe discutir aqui.

Porém, não há nada que não possa ser estudado, trabalhado e modificado para melhor. Melhor remuneração; mais acesso a serviços essenciais como a saúde; assistência jurídica; preços mais acessíveis para a aquisição de ferramentas de trabalho para colegas que são motoristas e/ou especializados em atrativos naturais; aquisição de livros; mensalidades em cursos de idiomas, apenas para citar algumas das nossas principais reivindicações.

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Na esfera estadual, até hoje aguardamos a ajuda financeira, cuja liberação dos recursos foi autorizada pela Lei 8.858/2020, sancionada em 03 de junho de 2020. Porém, sete meses após a sua sanção não houve a regulamentação, uma vez que a norma é apenas autorizativa e não obriga o governo estadual a efetuar o pagamento de tais recursos.

Passados onze meses, o Turismo interno retoma a pequenos passos e, como já não
bastassem todos os problemas postos pela crise sanitária, econômica, política e moral em nosso Estado, nos deparamos, mais uma vez, com o problema crônico da atuação a margem da Lei por parte de inúmeros indivíduos que “trocam seus serviços” por valores extremamente inferiores aos que são sugeridos pelo Piso de Remuneração por Serviço-PRS, de outros Estados, que ainda contam com a atuação de seus SINDEGTURs – Sindicatos dos Guias de Turismo.

Infelizmente, não é o nosso caso, pois o último PRS fixado SINDEGTUR/RJ foi em 2019. Daquele ano em diante não conseguimos nem mesmo acessar o site da referida entidade de classe. Entretanto, desde 2018 contamos com a atuação da LIGUIA – Liga Independente dos Guias de Turismo do RJ, que em outubro de 2020 publicou duas tabelas como sugestão para remuneração mínima de cada serviço prestado pelos Guias de Turismo no Estado. Sendo assim, parece que ainda temos um Norte e não nos sentimos tão “à deriva.”

Diante dos fatos aqui expostos, a conclusão é que não podemos simplesmente cruzar os braços e esperar que a nossa situação melhore por obra e graça dos atores Ministério do Turismo, secretarias estaduais e municipais, autarquias ou nossos contratantes, clientes e outros.

Faz-se necessário que todos esses atores venham a conhecer melhor o nosso trabalho e o que realmente implica para ser um bom profissional, ou seja: o quanto investimos de recursos, seja tempo ou recursos financeiros para executarmos, com maestria o nosso trabalho? Quais são as inúmeras tarefas a serem cumpridas para que o serviço seja bem executado? Importante, também, que saibam que a nossa jornada não se limita somente a 4, 6 ou 8 hora diárias. Vai muito mais além, ultrapassando muitas vezes 12, 18 horas e podendo chegar até 24h de atividade, sem descanso! E, por último, mas não menos importante, que grande parcela do sucesso atribuído a uma operação turística está “nas mãos” do Guia de Turismo.

Somente nos unidos de forma harmoniosa, estudando, pesquisando e trabalhando com objetivos sinceros de conquistar respeito e melhorias para a nossa categoria é que vamos alcançar melhores resultados desejados para a nossa categoria profissional. Podemos simplesmente esperar ou, “esperançar.”

“Esperançar é ir atrás, é não desistir. Esperançar é ser capaz de buscar o que é viável para fazer o inédito. Esperançar significa não se conformar.” – Paulo Freire.

A escolha é nossa.

Rio de Janeiro, 21 de fevereiro de 2021 – Dia Internacional do Guia de Turismo.


(*) Carla Matheus é Guia de Turismo devidamente cadastrada no Ministério do
Turismo sob o no 19.019553.96-1. Graduanda em Turismo pela Universidade
Estácio de Sá, último período. Carioca por nascença e por amor incondicional a
Cidade Maravilhosa, motivo pelo qual decidiu estudar a atividade na qual atua.

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3 COMENTÁRIOS

  1. São pelo menos 25 anos ouvindo a mesma ladainha…A importância do Turismo para gerar renda e trazer divisas para o país. A profissão de guia, a única regulamentada até então, carece de ações de fiscalização (a clandestinidade ainda é grande) e durante a pandemia os guias ficaram literalmente a deriva. É seguir “esperançando”…

    ecoralphturismo.blogspot.com

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