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Enoturismo: uma tendência mundial para o pleno retorno do turismo

As viagens internacionais levarão mais tempo do que o esperado para se recuperar e o turismo doméstico será (e já está sendo) uma tendência mundial. Essa recuperação acompanhará o ritmo da vacinação dos brasileiros.

por Werner Schumacher*


Nesses tempos de pandemia covid-19 se percebeu certa estabilidade no turismo doméstico. Um exemplo foi o último fim-de-semana aqui no Vale dos Vinhedos, onde todos os estabelecimentos estavam bem frequentados, alguns até lotados.

Bom ou ruim, isso comprova essa tendência de turismo doméstico.

De acordo com OMT – Organização Mundial do Turismo – a queda em viagens internacionais foi de 83% no primeiro trimestre de 2021. No ano de 2020 essa queda foi de 73%, “o pior ano da história do setor”.

Sem desprezar as exportações, tanto aqui como na Cochinchina, o mercado interno pode e dever ser o motor de recuperação da economia. Exemplos não faltam:

De acordo com a consultoria McKinsey, a China recuperou 80% da sua atividade turística, ressaltando a busca de destinos em meio à natureza.

Nos Estados Unidos, o turismo local representou 95% da receita do turismo em 2020. Estamos falando de dois países, como o Brasil com dimensões continentais.

A Europa, como um todo, está incentivando o turismo local e intereuropeu.

De acordo com especialistas, em sua maioria, estimam que o turismo em geral (principalmente o internacional) só retorne aos níveis de 2019 a partir de 2024.

O Enoturismo é tendência!

Muito embora a Alemanha tenha criado uma Rota do Vinho nos anos 30 do século passado, o Enoturismo é uma criação de países do Novo Mundo por volta dos anos 90 do mesmo século.

Nessa época, um conhecido italiano me contou que nas vinícolas da Austrália a recepção de turistas, varejo, sala de degustação, etc. era maior que a vinícola em si. Felizmente já havia internet e à época, fiz uma pesquisa, entrei em milhares de sites e isso me marcou profundamente.

Entendi que o turismo era a arma da nossa vitivinicultura para aparecer no mapa-múndi. Já em 1995 foi criada a APROVALE – Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos, concomitantemente, a busca por uma indicação geográfica para a região.

Apesar de ter uma história relativamente nova, o Enoturismo está aqui ligado à atividade hoteleira (Crédito: arquivo DT)

Creio que dispensa comentários o sucesso alcançado em poucos anos!

Não lembro o ano, mas uma comitiva chilena veio visitar a região para ver o que se fazia aqui em relação ao turismo do vinho na América do Sul.  Eles já estão na frente!

Entendo que países menos tradicionais são mais propensos a mudanças e inovação!

Apesar de ter uma história relativamente nova, o Enoturismo está aqui ligado à atividade hoteleira, de restauração e linhas de negócios específicas. Isso exige grande profissionalização para que se complementem bem.

Por essa razão, o Enoturismo deve analisar tanto aspectos internos como internacionais. É preciso diagnosticar corretamente a sua linha, alguns são mais sofisticados e outros menos, mas tudo é turismo.

É preciso entender que o Enoturismo é uma belíssima ferramenta de desenvolvimento local e as chaves para isso devem ser entendidas.

Aqui no Vale dos Vinhedos realizamos um Congresso Latino-Americano de Enoturismo todo ano, que foi paralisado em função da pandemia.

Se o Enoturismo é amplo, tanto a nível nacional como internacional, Brasília há pouco criou uma associação com o fim de ter um roteiro turístico, para envolver estabelecimentos: vinícola, restaurantes e pousadas.

Não creio, até posso estar errado, mas não há na Serra Gaúcha uma associação regional e muito menos nacional de enoturismo. O Vale dos Vinhedos foi pioneiro nesse sentido, mas precisamos evoluir na integração desse tipo de economia do turismo.


Vale dos Vinhedos (RS), junho de 2021


*Werner Schumacher, é o alemão brasileiro que na década de 80 e 90 do século passado trouxe os insumos da Europa para o início da vinicultura no Rio Grande do Sul, e portanto, no Brasil.

Sem meias palavras, Werner durante o último ano escreveu sobre inúmeros assuntos do universo do vinho. Defendeu a viticultura heroica de montanha, ficou do lado dos pequenos produtores de uva e vinho do Rio Grande do Sul, enalteceu a importância do enólogo em uma propriedade que produz vinho. Além de tudo isso, e com muita classe, critica os marqueteiros que tentam desmistificar o mundo do vinho com seus produtos padronizados e sem caráter.

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