Três perguntas a Roberto Silva, da Sanchat Operadora, sobre a abertura econômica de Cuba

REDAÇÃO DO DIÁRIO

Roberto Silva, presidente da Sanchat Tour, operadora especializada em pacotes para o Caribe, e em especial para Cuba, fala com exclusividade ao DIÁRIO sobre o fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos sobre o país caribenho. O número de turistas americanos em Cuba cresceu quase 75% em 2015 na comparação com o ano anterior. Mais de 147 mil visitantes do país vizinho decidiram conhecer a “ilha proibida” amparados no alívio das restrições às viagens aprovado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em dezembro de 2014. Em entrevista ao jornalista Paulo Atzingen, editor do DT, Roberto afirma que Cuba está feliz com o ingresso de novos turistas, inclusive da China, que chegam em aviões Boeing 777, lotados. Acompanhe a entrevista:

DIÁRIO – O processo de abertura de Cuba com os Estados Unidos vem ocorrendo há um ano. O que já se fez e o que se espera em termos de turismo na ilha?

ROBERTO SILVA – De 17 de dezembro, quando Barack Obama falou com o presidente Castro, as coisas caminharam lentamente. Demorou oito meses para inaugurar a embaixada dos Estados Unidos em Cuba e quando a embaixada estava lá, a bandeira americana também estava. As negociações agora estão nos investimentos. O que o povo e o governo cubanos exigem é o levantamento do bloqueio, que ainda não foi feito, o que o governo americano está autorizando são as viagens, mas estas viagens já existiam como serviços de comunidade, e agora autoriza-se a outras pessoas. 90 mil americanos que estiveram em Cuba até este ano, por exemplo, não são ainda os que querem ir a Cuba, são descendentes, por exemplo. Para que a abertura aconteça, duas leis importantes têm que cair: a Lei Helms Burton e a Lei Torricelli, que são as duas leis básicas do bloqueio americano contra Cuba. E, logicamente, os cubanos querem o território de Guantânamo, que lhes pertence. Esta é a briga ainda entre as duas nações e enquanto isso não acontecer o processo será lento. É claro que para Cuba isto foi muito bom, muito importante, porque o que o país não tinha até então, que era a mídia para poder fazer publicidade em veículos, hoje ela tem a mídia de graça no mundo inteiro. O aumento de turistas que está participando deste processo é de todas as partes do mundo, e não só americano. Com a abertura, já existem voos da China, via Toronto, direto para Cuba, em [Boeing] 777.

DIÁRIO: O número de brasileiros, afinal, regrediu ou aumentou?

ROBERTO SILVA:  A demanda aumentou bastante e o governo cubano está feliz. No ano passado, 3,2 milhões de turistas internacionais foram a Cuba. Este ano deve-se alcançar um crescimento de cerca de 10%. Entre os brasileiros, a demanda aumentou mais de 20%, porque até então não existia dinheiro do governo para investir no governo brasileiro e ainda não existe, mas com a mídia gratuita que o país recebe, este número deve aumentar.

DIÁRIO: E as vendas da Sanchat, retraíram com a recessão econômica?

ROBERTO SILVA: A Sanchat está muito bem hoje porque vendemos 80% de Cuba, com toda a crise do Brasil, ainda tivemos um aumento de 20% em relação ao primeiro trimestre [de 2015]. Estamos vendendo muito bem. As minhas vendas de Caribe estão representadas 80% por Cuba. A situação de Cuba beneficiou muito a minha empresa, outras operadoras e também a imprensa. Hoje, a mídia internacional está lá. Só a mídia internacional já lota. A delegação do Barack Obama contou com mais de mil jornalistas, que chegaram 15 dias antes e pagaram preço de ouro para se hospedar nos hotéis. Esta é uma entrada de dinheiro que Cuba precisava.

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