Especial Bonito (MS): Vidros são ressignificados pela mãos de artesãos

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Por ZAQUEU RODRIGUES

Quando anoitece em Bonito (MS), a praça da Liberdade, no centro da cidade, se transforma num espetáculo à céu aberto. Moradores e turistas apreciam, no embalo das conversas, a iluminação verde que cobre todas as árvores. Vistas de perto, eis a surpresa: as luminárias são feitas de garrafas de vidro reutilizadas.

Por trás da ideia de ressignificar o vidro que iria para o ‘lixo’ está o arquiteto Carlos Cardinal, que transformou as garrafas de cerveja de seu bar em copos para serem reutilizados. A iniciativa ganhou corpo e, em 2015, ele fundou a Casa do Vidro, a primeira fábrica de reutilização de vidro da América Latina.

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Encantada com a iniciativa, a empreendedora Gina Tolfo Felix assumiu a Casa do Vidro há dois anos disposta a transformá-la numa referência em sustentabilidade na cidade. “É um trabalho precioso que envolve educação ambiental e sustentabilidade. Não desperdiçamos nenhum material; pelo contrário”, diz.

O processo de trabalho da Casa do Vidro é artesanal e conta com a colaboração dos moradores de Bonito, que doam toda a matéria-prima. “Pela manhã, a gente seleciona os vidros que os moradores deixam em frente à Casa. O que não nos serve, que é muito pouco, é recolhido pela prefeitura para ser reciclado”, afirma Gina.

Após serem recolhidos, os materiais seguem para o atelier de fabricação, instalado numa sala ao fundo da Casa do Vidro. É nesse local que as garrafas, copos e outros materiais de vidro são transformados em arte e objetos utilitários pelas mãos habilidosas dos artesões Daniele Rocha, Rafael Câmara e Neiva Prieto.

No atelier, o primeiro passo é cortar as garrafas com uma fita de cobre aquecida numa pequena máquina manual. Em seguida, o vidro é lixado três vezes, lavado e personalizado com adesivos para receber o jateamento com areia sílica, que dará o retoque final. Dali, as peças saem prontas para serem comercializadas.

A peça considerada o carro-chefe da Casa do Vidro é a luminária. São dezenas delas produzidas em diferentes formatos e tamanhos com os mais diversos tipos de vidros. Entre as criações mais complexas está a luminária feita com estilhaços de para-brisa de automóvel, colados um a um.

Na Casa do Vidro, taças quebradas são transformadas em pimenteiras e frascos para mel; as partes superiores das garrafas de cerveja viram castiçais; outras se tornam copos e luminárias; frascos de perfume saem dali como difusores aromáticos… “Estamos sempre criando peças novas”, conta a proprietária.

Na garagem da Casa do Vidro é possível conhecer todos os objetos decorativos e utilitários que são produzidos ali. Parte das paredes da residência são de garrafas, o que proporciona aproveitar a luz natural. “A gente também produz tijolos de vidro”, diz Gina. Nos bares, restaurantes e hotéis da cidade, as luminárias da Casa do Vidro são presença constante.

Hoje, 80% dos vidros da cidade são reaproveitados pela Casa do Vidro.

Nesses poucos anos de vida, a Casa do Vidro já se tornou uma referência na cidade e um ponto de parada para os turistas. “Todos ficam encantados, pois é um trabalho feito com muito amor e propósito. Eu quero que a Casa do Vidro inspire outras cidades do país a dar um destino nobre para o vidro”, conclui Gina.

* O jornalista viajou a convite do Instituto de Desenvolvimento de Bonito e ficou hospedado no Zagaia Eco Resort

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