Facebook: o cream cracker das redes sociais

Alberto G. Martins –

No último dia 11 de janeiro, o Fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou, em seu perfil pessoal, que vai se dedicar, durante 2018, a criar uma melhor experiência dos usuários de sua rede social. Além de desenvolver algoritmos para tentar coibir a distribuição de spam e fake news, quer garantir que o tempo que cada ser humano se dedica – diariamente – navegando pelo Facebook seja mais produtivo e valioso. Sem contar na preocupação em reconectar os mesmos usuários com seus amigos e familiares que, ao longo dos últimos anos, deixaram de receber seus conteúdos na linha do tempo, apesar de continuarem amigos no perfil. Aí você pode se perguntar: “Mas não foi para (re)conectar pessoas que as redes sociais, incluindo o próprio Facebook, foram inventadas?”

O que vimos – e sentimos – ao longo dos anos, como usuários do “Face”, foi uma substituição gradativa dos posts de nossos amigos e familiares por posts patrocinados e anúncios de empresas, que se utilizam dessa e outras redes para alcançar potenciais consumidores de suas marcas e serviços. Ao mesmo tempo, a maior rede social do mundo diminuiu a entrega desse conteúdo pago em cerca de 40%, somente no período entre janeiro e maio de 2016, como mostrou um estudo da SocialFlow à época. A estratégia em diminuir a distribuição de conteúdo força que essas mesmas empresas invistam cada vez mais em anúncios e impulsionamento, tornando o Facebook mais comercial do que social.

Não é à toa que hoje a rede social de Zuckerberg vale mais que outras gigantes de tecnologia como IBM e Intel.

Com esse desafio pessoal, Mark Zuckerberg nos remete àquele famoso biscoito cream cracker que não sabe se vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais. Investir mais no Facebook para distribuir conteúdo (que cada vez menos chegará aos usuários) ou parar de investir já que seus usuários não querem ver esse tipo de post?

Fica o alerta para a virtualização das experiências e das relações impessoais entre marcas e consumidores. O resgate às origens e as necessidades essenciais de conexão “cara a cara” podem fazer a bolha das redes sociais estourar mais cedo do que pensamos.

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