Flávio Louro, da E-HTL: “temos uma prateleira diversificada, mas não nos envolvemos com aéreo”

Redação do DIÁRIO (São Paulo)

Com uma serenidade nos gestos e uma calma no falar quase que impróprias para um mercado tão frenético, nervoso e instável, o diretor-presidente da E-HTL operadora, Flávio Louro, recebeu a reportagem do DIÁRIO em sua sede, no centro de São Paulo. Flávio tem uma percepção madura das oscilações econômicas fruto da instabilidade do dólar, uma visão analítica das classes sociais que sentiram o baque da recessão econômica e mudaram sua forma de consumir turismo e é solidário quando fala da importância das agências e dos agentes no contexto da economia do turismo: “Atendemos única e exclusivamente o agente de viagens. Se um consumidor tentar entrar no portal e comprar ele não consegue. Não atendemos empresas, não temos lojas”, afirma em entrevista exclusiva ao DT. Flávio também fala sobre as novas frentes de trabalho de sua operadora, que completa 11 anos em 2015, entre elas a locação de automóveis e o segmento de lazer. Essa calma e serenidade de Flávio, se não foram herdadas do paí, Afonso Gomes Louro, um dos mais respeitados profissionais do ramo de agências, tem uma outra razão: em tempos de turbulência e quebradeira em 2015 a E-HTL cresceu dois dígitos. Leia a entrevista abaixo e descubra quanto.

DIÁRIO – Flávio, faça uma análise do mercado de turismo, considerando o contexto nacional e internacional…

FLAVIO LOURO – O brasileiro aprendeu a viajar, tomou gosto por viajar. Ele deixa de trocar a televisão, o carro, para poder viajar. Mas houve um realinhamento. Ele se redesenhou para fazer essa viagem. O cliente que ia para um cinco estrelas agora vai para um quatro, o que ia para um quatro vai para um três, uma viagem internacional, como Disney, por exemplo, o viajante não vai visitar todos os parques, vai evitar compras, mas não vai deixar de viajar. Isso falando das classes B e C. Para a classe A, o câmbio não difere se estiver 5 ou 3 [reais/dólar]. Esta continua viajando, indo de classe executiva, ficando em um cinco estrelas. As pessoas hoje no Brasil continuarão viajando, a alta do dólar trouxe um reaquecimento do mercado interno, principalmente para os resorts, hotéis de praia de quatro ou cinco estrelas, all inclusive.

Inclusive, sem redundâncias, antigamente o brasileiro não sabia direito o que era esse all inclusive e não estava habituado com isso. Hoje já é uma realidade. O brasileiro está mais maduro nesse aspecto de escolha.

DIÁRIO – O seu cliente é principalmente corporativo?

FLAVIO LOURO – Nascemos, há dez anos atrás, desenvolvendo esse trabalho corporativo, mas desde o ano passado, principalmente com a Copa do Mundo, tínhamos a preocupação do corporativo parar, fizemos um pequeno investimento na área de hotelaria de lazer e esse ano temos um foco maior para desenvolver esse departamento de hotéis voltado ao público que quer viajar para descansar, passear, lua de mel, confraternização, mais focado no lazer.

DIÁRIO – Mas o corporativo ainda encabeça suas vendas, certo?

FLAVIO LOURO – Nascemos no corporativo e iniciamos um trabalho no ano passado de forma mais caseira com lazer. Hoje, 95% do nosso negócio é corporativo. Esse ano contratamos uma pessoa para cuidar do lazer e a minha perspectiva é que em 2016 a gente saia do lazer de 5% para 20% do total do nosso faturamento.

Hoje o corporativo tem muito esse cenário de alugar carro em viagens rápidas de um ou dois dias (Foto: arquivo DT)
Hoje o corporativo tem muito esse cenário de alugar carro em viagens rápidas de um ou dois dias (Foto: arquivo DT)

DIÁRIO – Vocês também estão trabalhando com locação de carros?

FLAVIO LOURO – A locação de carros é um sonho antigo. Culturalmente, não alugamos carro aqui no Brasil, mas quando vamos aos Estados Unidos, alugamos. Por que não alugar aqui? Hoje o corporativo tem muito esse cenário de alugar carro em viagens rápidas de um ou dois dias. No lazer focamos muito lá fora, porque culturalmente já é uma realidade; o brasileiro tem o costume de alugar carro nos Estados Unidos e já na Europa também. Criamos esse departamento no final do ano passado e agora com o novo portal que lançamos em outubro, a parte de locação de carros também é online. O cliente pode alugar um carro onde ele quiser de forma online. Temos um contrato com a locadora, ela nos passa uma condição diferenciada e locamos esse carro para o consumidor.

DIÁRIO – Como é o desenvolvimento de canais de venda da E-HTL?

FLAVIO LOURO – Eu enxergo na E-HTL um potencial grande para distribuir diversos segmentos. Posso distribuir o meu produto para uma operadora, onde ela pode somar o aéreo dela e montar um pacote, posso distribuir o meu produto para uma consolidadora, onde ela já tem o aéreo e colocará o hotel e toda a parte terrestre e vai consolidar também um pacote, posso distribuir o meu produto, que é o que fazemos hoje, para o agente de viagens. Quando falo de produto, estou falando de hotelaria nacional, internacional, locação de carros, serviços, toda a parte terrestre. Nosso negócio é distribuir esse conteúdo. São mais de dois mil hotéis nacionais, mais de 150 mil hotéis internacionais, mais de 20 locadoras que temos acordo. O nosso negócio é distribuição para o maior número de agências, operadoras, consolidadoras e para quem quiser a nossa plataforma.

Nós permitimos que o agente de viagens faça isso dentro do portal. Ele pode comprar um hotel nacional ou internacional e pode locar um carro. Se ele não quiser locação de carro, ele também pode contratar um serviço de receptivo. A única coisa que eu não faço, não opero, é a parte aérea. Toda a parte terrestre a E-HTL faz a operação.

"O agente, através de um login e uma senha, com um crédito pré-aprovado e um cadastro, entra no nosso portal e faz a compra e recebe de 10 a 14% de comissão"
“O agente, através de um login e uma senha, com um crédito pré-aprovado e um cadastro, entra no nosso portal e faz a compra e recebe de 10 a 14% de comissão”

DIÁRIO – Vocês oferecem reservas 100% online ao agente de viagens. Como é feita a remuneração do agente?

FLAVIO LOURO – É bem simples. O agente, através de um login e uma senha, com um crédito pré-aprovado e um cadastro, entra no nosso portal e faz a compra de um produto. Automaticamente a condição que ele tem que varia de 10% a 14%, que depende do volume, já é abatido no boleto quando ele vai pagar. Ele recebe uma fatura junto com um boleto abatida a comissão dele. No caso do cartão de crédito, ele pode pagar com cartão de crédito uma reserva e de sete a 30 dias ele recebe na conta dele a comissão referente àquela venda.

Atendemos única e exclusivamente o agente de viagens. Se um consumidor tentar entrar no portal e comprar ele não consegue. Não atendemos empresas, não temos lojas. Atendemos o consumidor sempre através de um agente de viagens. Atualmente temos 9 mil agentes de viagens cadastrados, todos com CNPJ.

DIÁRIO – O que você espera para 2016?

FLAVIO LOURO – Como 2015 vai ser um ano de batalha, será um ano em que continuaremos nos reinventando, buscando alguns nichos alternativos. A minha ideia não é focar em apenas um produto ou segmento. A ideia é ter na prateleira uma gama de produtos bastante grandes para que o agente encontre lá o que ele precisa. A E-HTL não vai se envolver com aéreo. Uma outra intenção que temos é expandir a nossa área de atuação, que hoje compreende 12 estados. No ano que vem quero abrir pelo menos em mais uns três estados. Não temos o que reclamar, já que esse ano crescemos dois dígitos.

DIÁRIO – Pode  especificar quanto foi esses dois dígitos?

FLÁVIO LOURO: 23%.

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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