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Grupos étnicos permitem a poligamia na Costa do Marfim, prevalecendo o poder cultural

No lugar onde o coração não está os pés não chegam“. Esta frase,  dita por algum líder do Office National du Tourisme de Cote D’Ivoire (Costa do Marfim) demonstra como a emoção e a força das tradições falam mais alto neste país

Por Paulo Atzingen (de Yamussucro – capital política e administrativa)

 

Diante de um mundo em crise social, política e econômica ir à África tem sido um exercício de tolerância e ponderação.

Os três primeiros dias aqui, na terra de Didier Drogba, o craque da seleção marfinense, já deu para perceber a força e a esperança de uma população que ainda vive o seu período pós-colonial e os reflexos de ter sido o almoxarifado das potências européias por vários séculos.

A visita ao Museu dos Costumes, nesta terça-feira (22), no distrito de Grand Bassan, foi um exemplo preciso (embora tímido porque não retrata de forma mais contundente todo o período de saque e usurpação colonial),  de que um povo não pode perder a sua memória, nem varrê-la para debaixo do tapete.

O museu apresenta quatro grupos étnicos bem distintos distribuídos pelo território da Costa do Marfim: Akan no sudeste, les Mande no noroeste, les Voltaiquesno nordeste e les Krou, no sudoeste. grupos esses existentes muito antes da chegada dos colonizadores (Século XVII e XVIII). A mostra dá especial destaque a formação social e familiar dos clãs tribais do país , detalhando aspectos das vestimentas, habitações, usos e costumes. Estátuas e maquetes das tribos se sobressaem e verifica-se uma ausência de documentos, livros e um maior número de fotografias.

O guia de turismo Ekra Noel, durante apresentação (Crédito: DT)

Poligamia

Algumas tradições daqui chocam os sistemas tradicionais e jurídicos do mundo ocidental, no entanto elas persistem e atravessam os séculos. É o caso da poligamia.

O guia Ekra Noel explica que boa parte dos casamentos nessas tribos a poligamia é comum, sendo que as esposas têm sua própria casa distante da casa do esposo dependendo da intensidade do amor dele por ela. “É comum o homem ter três mulheres. A mais antiga geralmente foi aprovada pela família e tem a palavra final, mas não é a mais amada”, afirma Ekra.

O Museu dos Costumes, em Grand Bassan (Crédito: DT)

Poder Cultural

“O poder cultural foi separado pelo poder administrativo ocidental, embora o poder central proíba o casamento poligâmico, esta prática é muito comum na organização cultural, ou seja, nas aldeias”, afirma Ekra ao DIÁRIO.

“Quando existe uma divergência ou crime comum, a lei cultural sobrepõe-se à lei central e o problema pode ser resolvido dentro da própria aldeia. Pequenos delitos são resolvidos dentro da lei tribal, tipo roubo, dívida, adultério etc. alguns desses crimes comuns são resolvidos a partir do acordo de se repor a perda e até partir para uma espécie de perdão do delito”, informa Boubakar Sanfo, líder tour do grupo de jornalistas e operadores que participam de um press-trip pelo país africano.

Os quatro grupos étnicos são divididos em 60 etnias e um incontável número de tribos espalhadas pelo território da Costa do Marfim com suas leis e costumes próprios.

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*O jornalista viajou a convite do Cote D’Ivoire Tourisme com seguro GTA

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