IATA anuncia que prejuízo do setor aéreo deve atingir US$ 84 bilhões em 2020

10 de junho de 2020 (Genebra) – A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) anunciou suas perspectivas financeiras para o setor de transporte aéreo global, mostrando que as companhias aéreas devem apresentar prejuízo de US$ 84,3 bilhões em 2020 e margem de lucro líquido de -20,1%. As receitas devem ter queda de 50%, atingindo US$ 419 bilhões, em relação a US$ 838 bilhões em 2019. Em 2021, as perdas devem ser menores, chegando a US$ 15,8 bilhões, enquanto as receitas devem aumentar e atingir US$ 598 bilhões.
“Em termos financeiros, 2020 será o pior ano da história da aviação. Em média, cada dia deste ano representa US$ 230 milhões de perdas do setor, totalizando um prejuízo anual de US$ 84,3 bilhões. Isso significa que, com base na estimativa de 2,2 bilhões de passageiros neste ano, as companhias aéreas perderão US$ 37,54 por passageiro. É por isso que o alívio financeiro dos governos continua sendo crucial, pois as companhias aéreas estão usando sua reserva de caixa”, disse Alexandre de Juniac, diretor-geral e CEO da IATA.”A não ser que ocorra uma nova onda de COVID-19 ainda mais devastadora, acreditamos que provavelmente a pior fase do colapso no tráfego já passou. Um aspecto fundamental para a recuperação é a implementação universal das medidas de retomada recomendadas pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) para manter os passageiros e a tripulação seguros. E, com a ajuda de um sistema eficaz de rastreamento de contato, as medidas devem dar aos governos a confiança necessária para abrir fronteiras sem as restrições de quarentena. Essa é uma parte importante da recuperação econômica, porque cerca de 10% do PIB mundial é proveniente do turismo e boa parte dessa porcentagem depende de viagens aéreas. Fazer com que as pessoas voem com segurança novamente será um forte impulso econômico”, disse de Juniac.

Principais fatores das estimativas de 2020:

A demanda de passageiros desapareceu quando as fronteiras internacionais foram fechadas e os países adotaram o lockdown para impedir a propagação do vírus. Esta é a principal causa das perdas do setor. No ponto mais baixo em abril, as viagens aéreas globais ficaram cerca de 95% abaixo dos níveis de 2019. Agora, há indicações de que o tráfego está melhorando lentamente. Contudo, os níveis de tráfego (medidos em passageiros-quilômetros pagos transportados, ou RPKs) de 2020 devem cair 54,7% em relação a 2019. O número de passageiros cairá pela metade, atingindo 2,25 bilhões, quase igual aos níveis de 2006. A capacidade, no entanto, não pode ser ajustada com tanta rapidez, com queda esperada de 40,4% para o ano.

As receitas do transporte de passageiros devem cair para US$ 241 bilhões (bem abaixo dos US$ 612 bilhões em 2019). Essa redução é maior do que a queda na demanda, reflexo da redução esperada de 18% nos rendimentos do transporte de passageiros, enquanto as companhias aéreas tentam incentivar as pessoas a voar novamente com estímulos por meio de promoções. As taxas de ocupação devem apresentar uma média de 62,7% em 2020, cerca de 20 pontos percentuais abaixo da alta recorde de 82,5% atingida em 2019.

Os custos não estão caindo tão rápido quanto a demanda. As despesas totais de US$ 517 bilhões estão 34,9% abaixo dos níveis de 2019, mas as receitas sofrerão queda de 50%. Os custos unitários não relacionados a combustível terão aumento acentuado de 14,1%, pois os custos fixos serão distribuídos entre um número menor de passageiros. A baixa utilização de aeronaves e assentos resultante das restrições também contribuem para o aumento dos custos.
Os preços de combustível representam algum alívio. Em 2019, o combustível de aviação foi em média US$ 77/barril, enquanto a média prevista para 2020 é de US$ 36,8. Estima-se que o combustível represente 15% dos custos gerais (em relação a 23,7% em 2019).

O transporte de carga é um aspecto positivo. Em relação a 2019, o total de toneladas de carga transportada deve cair 10,3 milhões de toneladas, atingindo 51 milhões de toneladas. Porém, espera-se escassez de capacidade de carga devido à indisponibilidade de transporte de carga no porão de aeronaves de passageiros (agora paradas), aumentando as taxas em cerca de 30% durante o ano. As receitas de transporte de carga atingirão US$ 110,8 bilhões em 2020 – quase um recorde – bem acima dos US$ 102,4 bilhões em 2019. Como parte da receita do setor, o transporte de carga contribuirá com cerca de 26%, acima dos 12% registrados em 2019.

 

Desempenho por região em 2020Todas as regiões sofrerão perdas em 2020. A crise assumiu uma dimensão semelhante em todas as regiões do mundo, com quedas de capacidade em torno de 10 a 15 pontos percentuais ou mais, além da queda acima de 50% na demanda de passageiros.

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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