Maringá Turismo, do Grupo Arbaitman: ventos sopram a favor dos negócios

O novo cenário que se descortina para os negócios relacionados ao turismo de lazer, às viagens corporativas e aos eventos deixa para trás o período crucial da pandemia C-19. Não se trata de uma expectativa subjetiva, mas de uma realidade traduzida em números.

Em maio, segundo a ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, pela primeira vez em 27 meses, a oferta de assentos em voos no mercado doméstico brasileiro superou os níveis pré-pandemia. De acordo com a entidade, o indicador medido em ASK, ou assentos-quilômetros ofertados, teve alta de 6% ante os números de maio de 2019.

por REDAÇÃO DO DIÁRIO

O número de passageiros pagos transportados no mercado doméstico foi de 6,4 milhões em maio. Isso representa 10% de queda em relação ao total computado três anos atrás. No entanto, em relação aos dados apurados no ano passado, o crescimento foi de 75,8%.

Por outro lado, no quinto mês de 2022, mais de 1,2 milhão de pessoas viajaram para destinos internacionais. Foi a maior movimentação de passageiros desde fevereiro de 2020. Em relação aos dados apurados no mesmo período de 2019, no entanto, a redução foi de 36,5%, segundo o Valor Econômico.

O Vice-Presidente do Grupo Arbaitman, Siderley Santos, com atuação focada no mercado corporativo, fala ao Diário do Turismo sobre temas relevantes que envolvem o novo momento vivido pela companhia. Na entrevista, aborda a alta nas tarifas aéreas, a reação da Maringá Turismo à retomada das viagens corporativas, o programa de estágios e a retomada dos eventos corporativos.

DIÁRIO – Como a Maringá Turismo está mediando o assunto “tarifas” diante dos interesses das duas pontas: companhias aéreas e clientes?

Siderley: Realmente, as tarifas estão muito altas. Alcançaram um patamar agora estabilizado, mas muito diferente do que se viveu em 2018, 2019, quando a gente chegou a vender ponte aérea a R$ 300, R$ 400. Hoje, uma ponte aérea pode chegar a R$ 5 mil.  No internacional ocorre fato semelhante. Em maio, houve quem pagasse 90 mil reais por uma executiva para Nova York, porque a demanda era muito grande e a oferta ainda reduzida, por conta da pandemia.

As companhias aéreas já voltaram a oferecer mais voos, mas o custo do combustível explodiu. Há, também, a lida com o passivo financeiro, dos dois anos de pandemia. A gente tem trabalhado assim: alinhar, tentar negociar, orientar o cliente, estudar o mercado e a malha aérea, para se propor alguma coisa mais próxima do razoável.

Hoje, nossos consultores de eventos e do corporativo são treinados e avaliados com foco nas soluções mais viáveis. Uma tarifa internacional, uma rota muito complexa passam por uma outra estrutura aqui dentro da Maringá. A gente, simplesmente, não manda o orçamento e passa. Tem um especialista em negociação para tentar baixar. Nós tentamos negociar alguns percentuais com companhias aéreas para os valores publicados. A todo momento, nós provocamos ou um lado ou o outro, na tentativa de reduzir.

De fato, as tarifas estão mais altas. As companhias aéreas trabalham de uma forma que não passa a preocupação com tarifa alta. Por quê? Porque tem menos voos, com 85%, 90% de lotação, tanto nacional quanto internacional, o que minimiza o impacto. As pessoas não estão deixando de voar – a trabalho ou a lazer. Então, temos orientado nossos clientes que planejamento e a boa consultoria de uma agência de viagem é importante. É um trabalho de formiguinha, para enfrentar o problema.

DIÁRIO – A Maringá Turismo teve o mês de março mais positivo de seus 58 anos de história. Fale aos nossos leitores o que está acontecendo no mercado de viagens corporativas.

Siderley: Eu pego os últimos dez anos, a história toda são quase seis décadas. Nós sempre fazemos a análise dos últimos dez anos. Realmente, março de 2022 foi um estouro. O mercado inteiro voou muito, fez bastante evento e a coisa cresceu em todos os sentidos. Aqui na Maringá não foi diferente, como na Central de Eventos e na Lemontech, que também é uma empresa do grupo.

Mas, em se tratando de viagens corporativas e de lazer, que é a Maringá Turismo, houve dias que nós estávamos vendendo em torno de 4 milhões de reais, em passagem. Mas o que aconteceu no mês de março? Primeiro, a gente tinha uma demanda represada muito grande, em todos os setores, por conta da pandemia.

Quando o cenário começou a mudar, no final de 2021, a coisa começou a reagir um pouquinho. Tivemos um bom final de trimestre de 2021. Só que aí veio a Ômicron e bagunçou tudo em janeiro. Então todo mundo segurou em janeiro, fevereiro. Já em março todo mundo entendeu, a vacinação evoluiu muito, as coisas estavam andando. E aí todo mundo começou a vender.

Nas viagens internacionais, os países flexibilizaram a entrada e isso facilitou bastante. Hoje, tem país que não exige mais nada, só o certificado da vacina. Não tem que fazer PCR, ficar fazendo teste. Isso ajudou muito. Março foi marcado pelo acúmulo de todos esses eventos e houve um boom de passagem aérea. Na continuação, abril, maio, e junho e agora, em julho, a movimentação segue em alta.

Nós vamos fechar um semestre muito bom de recuperação como um todo, tanto em eventos como nas viagens corporativas. A nossa empresa de tecnologia, que atende todas as TMC´s, as agências de viagem, também tem um número muito grande de transações SV de viagens e de incentive. E estamos partindo para um mundo normal. A estabilidade de valor de passagem aérea deve voltar, com melhora de custos.

 DIÁRIO – As companhias aéreas já disponibilizam toda a sua frota, nos moldes de 2019 ou ainda não?

Siderley: Não, ainda não. Todo mundo divulga bastante coisa, mas as três nacionais estão muito próximas. Tivemos a entrada da Itapemirim – e todo mundo sabe o que aconteceu. Perdemos a Avianca um pouco antes da pandemia, houve muita devolução de aviões ou negociação. O fato é que ainda não está como era 2019. A oferta ainda é um pouco menor, mas como a demanda estava muito reprimida, ela continua a todo vapor.

“A oferta ainda é um pouco menor, mas como a demanda estava muito reprimida, ela continua a todo vapor” (Foto: Mary Ellen)

DIÁRIO – Vocês anunciaram, este mês, o Programa de Estágio Grupo Arbaitman 2022. As vagas ainda estão abertas e para quem se destina esse programa de estágio?

Siderley: Boa pergunta. E o programa é muito legal. Nós estamos fazendo acordos com as faculdades na tentativa de trazer jovens talentos que estão entrando no mercado, para fazer estágio. Damos todos os benefícios para o jovem, ajuda de custo, assistência médica. O jovem tem um vale-alimentação para fazer compras no mercado, igual a um colaborador que está aqui há 12, 13 ou 20 anos. O programa continua acelerado.

Temos vagas na área de TI na Lemontech e na Maringá Turismo, a quem faz Turismo mesmo. Para o Grupo, para quem faz marketing, nós contratamos e ainda tem vaga. O programa também se estende a quem estuda Eventos. Nós contratamos, só nos últimos quarenta dias, 18 estagiários. E ainda temos vagas abertas em todas as empresas para estágio, dando todo apoio para o jovem entrar no mercado. Objetivo é que ele fique no máximo seis meses, para que consigamos efetivá-lo. Depende do desempenho dele. Há talentos tão bons que, às vezes, em menos de seis meses, o estagiário é efetivado.

Nós temos oportunidade para todo mundo, em todas as áreas. Aqui nós não fazemos diferença de religião, de classe, de faixa social, de país de origem. Tendo competência, não importa o que ele seja, do que goste, o que faça. Sendo honesto, trabalhador e dedicado, estamos com as portas abertas. Se aparecer, hoje, um venezuelano, um argentino, um americano e, havendo condições de colocá-lo, aqui, fechou!

DIÁRIO – Fale sobre a Central de Eventos, que é o “tórax” do Grupo Arbaitman, e a retomada dos eventos corporativos.

Siderley: A área de eventos é algo muito diferente. É trabalho diverso daquele feito por um consultor de viagem, que tem que tomar muito cuidado, mas que vende uma passagem, um hotel. Um consultor de eventos cuida de 300 pessoas, 400, 500 pessoas, com uma equipe dedicada. É um trabalho muito diferente, que exige um olhar diferente.

Aqui na Central de Eventos, nós fazemos de 60 a 70 eventos por semana, entre médios, pequenos e grandes convenções. Para você ter uma ideia, estou aqui com uma carta da Embaixada da Coreia do Sul, que nos convida para levar um grupo de empresários a um evento em Seul, em setembro. Dia 7 de setembro é o acontecimento principal, mas haverá vários eventos lá. Eles estão levando 250 pessoas e nós vamos fazer toda a operação. Há muitas empresas interessadas em fazer acordos bilaterais, com apoio da embaixada brasileira em Seul.

Teremos, em Nova York, o “Brazilian Day”, no mês de novembro. É um evento grande, de muita movimentação. Temos vários eventos internacionais, congressos médicos, convenções aqui, os treinamentos bombando. Nós contratamos, nos últimos três meses, 33 pessoas para Central de Eventos crescer. E ainda temos vagas abertas. Recontratamos alguns profissionais que saíram daqui, na pandemia. Atendemos grandes laboratórios, bancos, montadoras, várias empresas do agro. A área de eventos tem bombado demais. Fazer 50, 60, 70 eventos por semana é muita coisa.

DIÁRIO – Como a operação é feita, na prática? A Central de Eventos cuida do quê?

Siderley: A Central de Eventos é uma agência especialista em logística de eventos. Ela tem um braço de produção, de produtora. Ela cria o evento, faz toda a logística, ou seja, contratação de hotéis, de passagens aéreas, de transfer, de alimentação, guia. Nós temos 100 guias cadastrados na Central de Eventos, homologados, que acompanham os nossos eventos.

Todos os tipos de eventos – pequenos, médios, grandes, desde um mini meeting para 10 pessoas, em um restaurante, a uma convenção de vendas. Temos uma carteira significativa de grandes clientes. Só nos últimos 53 eventos programados, são 3.500 participantes. E a toda semana, o movimento cresce. Então, a Central cuida do evento como um todo: tratamento das salas, equipamentos, segurança de eventos, aviões fretados, fretamentos para executivos ou fretamentos para 200, 300 pessoas. E tudo isso envolve o trabalho da Central de Eventos.

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