O que é bom para o México é bom para o Brasil! (Artigo de Edgar J. Oliveira)

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Mudando a frase famosa dita pelo então embaixador brasileiro Juracy Magalhães, sobre os Estados Unidos, o México tem muito a ensinar como se faz turismo ao Brasil

Artigo de Edgar J. Oliveira*

No último mês de maio fui para Cancún descansar uma semana com minha família. Conheço centenas de destinos e meios de hospedagens no Brasil e em vários lugares no mundo, mas Cancún sempre impressiona. A começar pelo aeroporto que possui uma boa infraestrutura para receber dezenas de voos diariamente trazendo turistas de várias partes do mundo.  Como ficamos num resort em Playa del Carmen, tivemos que viajar quase 100 km, mas numa estrada de pista dupla, de cada lado, que parecia um tapete asfaltado, o que permitia uma confortável viagem.  E no caminho foi inevitável notar tantos hotéis e resorts, a maioria quatro e cinco estrelas, construídos numa área de predominância de mangues e o que não faltava, eram placas de sinalização.

Inevitavelmente lembrei de um amigo meu que investiu R$ 20 milhões na construção de um hotel no interior de Minas Gerais para aproveitar a bela paisagem e os fartos recursos hídricos. Mas ele ficou quase três anos apresentando um monte de projetos de impactos ambientais em diferentes órgãos públicos que não se comunicavam e criavam atritos entre sí. Depois de muita burocracia ele conseguiu iniciar as obras e mesmo seguindo à risca normas internacionais de segurança, ele teve muito problema em conseguir a aprovação do corpo de bombeiros e alvará da prefeitura. E a prefeitura por sua vez, não conseguiu sequer jogar um cascalho nos três quilômetros de estrada de terra que ligava o hotel a uma rodovia federal que dava acesso. A alegação da prefeitura era falta de verba, assim os órgãos ligados as estradas de rodagem que não conseguiam colocar uma simples placa na estrada indicando a entrada do hotel. Isso confundia os hóspedes que passavam diretos, tinham que pagar pedágio e retornar alguns quilômetros depois. Para atenuar esses transtornos e não depender da iniciativa pública, o empresário colocou um out door no barranco a beira da rodovia indicando o hotel, assim como pavimentou o trecho de três quilômetros que beneficiou também vários moradores. Os órgãos públicos não levou em consideração que ele estava gerando quase 50 empregos e fomentando a arrecadação de tributos numa cidade que penava por recursos e empregos.

Mesmo de férias, fui saber junto a alguns profissionais do turismo de Cancún e região, como eles concedem as licenças ambientais dos meios de hospedagens

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Mesmo de férias, fui saber junto a alguns profissionais do turismo de Cancún e região, como eles concedem as licenças ambientais dos meios de hospedagens e como investe para fomentar o turismo que representa 49,5% de todo o produto interno bruto de Cancún, que é o oitavo destino mais visitado no mundo. E não foi surpresa saber que o turismo é tratado como prioridade em todo o México, pois existe muitos incentivos fiscais, muitas campanhas de divulgações em todo o mundo, boa vontade na liberação de licenças, desde que atende aos requisitos mínimos necessários, treinamento e qualificação da mão de obra e investimento constante na infraestrutura. Por isso a maioria das redes hoteleiras internacionais possuem unidade nesse país. Isso fez com que o México recebesse cerca de 40 milhões de visitantes internacionais em 2017, pulando da 15ª posição em 2012 para a sexta colocação no ranking de destinos mais visitados no mundo no ano passado. De acordo com o Conselho de Turismo do México, o setor é responsável por 8,7% do PIB nacional, gera 10 milhões de empregos e arrecada US$ 21,3 bilhões com turistas. E Cancún se destaca como o destino mais visitado do México e recebe bem mais que os 6,5 milhões de turistas que o Brasil atrai anualmente.

E entender porque um continente chamado Brasil, que conta com vários ecossistemas, belezas naturais e patrimônios históricos e naturais, receber apenas 6,5 milhões de turistas anos é fácil. Falta vontade política. Se o turismo fosse uma política de estado, recebesse linhas de crédito e financiamento por parte do Governo, incluindo a hotelaria, em poucos anos o Brasil poderia estar entre os top ten do turismo mundial.

Alguns avanços estão em curso, como a liberação de vistos para turistas japoneses, norte-americanos, canadenses e australianos, mas isso é muito pouco. É necessário investir na infraestrutura e isso inclui portos, aeroportos, rodovias, malha aérea, placas de sinalização de trânsito em outros idiomas e qualificação da mão de obra. Temas importantes estão em análise no Congresso como a liberação dos cassinos nos hotéis, que pode ser uma grande alavanca do turismo. São os cassinos que atraem milhares de brasileiros a países do Cone Sul, Estados Unidos ou mesmo na Europa. O dinheiro que eles gastam, pode gerar divisas internas, assim como aumentar a arrecadação de tributos e resgatar a vocação do cassino em destinos como o Circuito das Águas de Minas Gerais e São Paulo. Trocar falsas promessas eleitorais por ações concretas por parte de nossos governantes é tudo o que falta para acordar o gigante adormecido do turismo mundial.  A iniciativa privada faz sua parte, mas sozinho ninguém vai a lugar algum.

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*Edgar J. Oliveira possui 28 anos de formação em jornalismo e já trabalhou em grandes empresas nacionais em diferentes setores da comunicação como: rádio, assessoria de imprensa, agência de publicidade e já esteve à frente de várias mídias como: jornal de bairro, revista voltada a construção, a telecomunicações, concessões rodoviárias, logística e atualmente na hotelaria, onde é o Diretor editorial da Revista Hotéis, a principal publicação do segmento com 18 anos de atividades no setor.

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