O Rio de Janeiro e a necessidade de um Carnaval bem planejado

  • por Bayard Do Coutto Boiteux*

O Carnaval é e sempre será um dos maiores eventos que acontecem no Rio. Mesmo com todas as incertezas surgidas nos dois últimos anos, as Escolas de Samba continuam oferecendo um grande espetáculo e os blocos demonstram uma nova modalidade que tem crescido e já faz parte da alegria carioca.
É preciso entender, no entanto,  que com datas previamente agendadas, o que facilita sua comercialização por parte dos atores da cadeia produtiva não deveria ter o seu inicio antecipado com mais de 50 dias. Trata-se de um evento programado e que, se planejado poderia trazer resultados mais positivos, sobretudo para o turismo doméstico, já que a cidade recebe cada vez menos turistas estrangeiros em função da falta de promoção e de uma imagem de insegurança.
O desfile das Escolas já está consolidado na Avenida dos Desfiles, marco de uma profissionalização do Carnaval, ocorrida no governo Brizola e que teve que ser aprimorada para atender o evento. É uma pena que o Sambódromo seja pouco utilizado, tenha perdido o museu do Carnaval e não disponha de nenhuma estrutura temática para atender os que o visitam, fora dos desfiles.
O grande desafio está no planejamento dos blocos. Muitos estão concentrados em bairros da zona sul da cidade, acarretando sérios problemas para os moradores de mobilidade urbana. Um estudo mais aprimorado por parte de especialistas de verdade em eventos precisa encontrar novas áreas para os blocos. O ideal é que se apresentassem em locais  com pouca população fixa, como o centro da cidade ou o próprio Sambódromo. No último domingo (12), na abertura do Carnaval, tivemos um espetáculo de horror, que ganhou as manchetes nacionais e internacionais, com pessoas correndo, sendo pisoteadas e o uso de bombas de gás e pimenta. Não foi nada bom para a imagem institucional da cidade e demonstrou pouco profissionalismo.
Que o Carnaval possa encontrar caminhos de desenvolvimento, sem que se confunda gestão administrativa com opções religiosas e que não continue vivendo de incertezas…


*Bayard Do Coutto Boiteux é professor universitário, pesquidasor, escritor. Atualmente é vice presidente executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ e superintendente executivo do Instituto Preservale.

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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