Olimpíadas: uma ficção para os cariocas? – por Bayard Boiteux

por Bayard Boiteux*
Quero  conversar com você sobre os impactos do turismo na população anfitriã que vive nos arredores dos locais de competição da RIO 2016. O respeito ao turista faz parte da educação turística mas criar uma ficção não me parece a forma mais adequada de motivar futuras visitas e um boca a boca. Vamos tomar cuidado com a criação dos guetos da família olímpica, que não são nada positivos…O carioca sente hoje claramente que varias medidas tomadas fazem parte de uma maquiagem de problemas graves e o turista aos poucos pode se dar conta também ao conversar com os moradores do Rio…
 Hoje fui fazer minha caminhada pelos arredores da Cidade Olímpica e fiquei feliz com todas as mudanças que vi, demonstrando que todas as exigências do COI foram devidamente atendidas e que tudo parece caminhar para um desfecho positivo e de sucesso.

Me senti num outro bairro, com a presença de segurança ostensiva, limpeza de todos os logradouros e inúmeros guardas municipais. Até dentro de meu condomínio, em que tudo foi sempre feito pela Associação dos moradores, custeado por nós apareceram guardas municipais, novos postes de luz e promessa de que a Comlurb vai limpar diariamente as ruas e praça, o que sempre fizemos por conta própria e continuaremos a fazê-lo.

Os preços traduzidos em reais são muito caros para os trabalhadores, que aliás não poderão utilizar nem o novo metro, nem o BRT transolímpica que estarão disponíveis apenas para a família olímpica

Estamos vivendo uma ficção momentânea de organização ideal, que bem que poderia durar para sempre ou pelo menos até o final da alta estação, que esperamos ser mais concorrida, com a propaganda positiva dos Jogos Olímpicos. Agora, os jogos não foram feitos para os moradores, nem para nossos salários. Os preços traduzidos em reais são muito caros para os trabalhadores, que aliás não poderão utilizar nem o novo metro, nem o BRT transolímpica que estarão disponíveis apenas para a família olímpica.

Moradores e trabalhadores dos condomínios no entorno da Cidade Olímpica, sem nenhuma comunicação formal por escrito até hoje não sabem muito bem, além do adesivo que vão receber, como irão se deslocar ou ter seus colaboradores chegando em seus locais de trabalho.

Sou um grande entusiasta dos grandes eventos, sobretudo os esportivos, mas fico muito deveras apreensivo com o “day after “e a ficção que vamos viver e que acabará no dia 22 de agosto…

* Bayard Do Coutto Boiteux é professor universitário, pesquisador, preside o Portal Consultoria em Turismo é vice-presidente executivo da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ e gerente de Turismo do Preservale.

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