Os Grandes Balneários da Europa e seu infindável apelo turístico

Durante a sua 44ª assembleia, na cidade de Fuzhou, na China, a UNESCO, entidade da ONU dedicada à preservação e difusão da cultura, reconheceu novos Patrimônios da Humanidade. Entre eles, um grupo de cidades europeias que compartilham uma história peculiar, intimamente ligada ao que era o estilo de vida dos séculos XVIII e XIX.

 

Baden bei Wein, na Áustria.  Bad Ems, Baden-Baden e Bad Kissingen, na Alemanha. Spa, na Bélgica. Bath, no Reino Unido. Karlovy Vary, Marianske Lazne e Frantiskovy Lazne, na República Tcheca. Montecatini Terme, na Itália. Vichy, na França. Chamados de Grandes Balneários da Europa, essas onze cidades pleitearam conjuntamente – e conseguiram – o reconhecimento de sua significância cultural como polos turísticos baseados em tratamentos com águas termais.

Em seu comunicado, a UNESCO ressaltou que os balneários tiveram profunda influência na sociedade europeia da época, graças ao conjunto de estruturas e equipamentos urbanos criados para receber os visitantes, combinados com os diversos serviços prestados nos locais.  Portanto, o reconhecimento foi além dos banhos (afinal, há inúmeras outras estâncias hidrominerais na Europa que não foram agraciadas). Esse grupo específico de lugares protagonizou o que foi um fenômeno social do passado, intimamente ligado ao turismo, em uma época que esta palavra mal era empregada. As cidades termais envolviam não só tratamentos curativos, mas também um estilo de vida e de entretenimento. Após um dia de imersão em águas quentes e caminhadas por colunatas e parques, a noite era reservada aos restaurantes, teatros ou cassinos. Pelo menos dois deles – em Baden-Baden e em Spa, figuram entre os estabelecimentos mais antigos da Europa, verdadeiros símbolos de uma época.

A elegância e o glamour atraíam celebridades que, não raro, despendiam meses nas cidades. Beethoven passeou (e produziu) em Karlovy Vary; Goethe gostava de Marianske Lazne. E Fiódor Dostoiévski era frequentador assíduo do cassino de Baden-Baden.  Mas a lista é longa, e inclui personalidades como políticos (Francisco José e Sissi, da Áustria; Eduardo VII da Inglaterra; Pedro, o Grande, da Rússia e até Pedro II, do Brasil), escritores (Schilling, Kafka e o já mencionado Goethe) e intelectuais em geral (Sigmund Freud, para ficar em apenas um).

Em certo momento da história europeia, ir a uma cidade balneária era uma forma de ver e ser visto. E, eventualmente, encontrar pessoas relevantes entre uma caminhada e outra. As cidades, por sua vez, precisavam estar à altura de seus afamados visitantes e, por isso, sua arquitetura é sempre grandiosa e elegante. Bath tem arquitetura que remonta à época dos romanos. Karlovy Vary, fundada no século XIV por Carlos IV, passou centenas de anos com edifícios simples em madeira, até se transformar em um dos epicentros termais do Império Habsburgo. Sua cara mudou para o estilo literalmente cinematográfico de hoje – a cidade tcheca é frequentemente usada como cenário de filmes.

Mas, e hoje? Há demanda para esse tipo de viagem?

Certamente o passado histórico é um grande atrativo. Mas além disso há uma mudança importante de enfoque. As cidades balneárias não são mais apenas um local para tratamentos de saúde. Elas evoluíram para cidades de beleza e bem-estar. A belga Spa foi pioneira, e ganhou a honra de emprestar seu nome a esse tipo de estabelecimento.

Atualmente, os clássicos hotéis dos Grandes Balneários incorporam modernas alternativas de tratamentos, muitas vezes envolvendo produtos naturais de fabricação local.

Os especialistas são unânimes em apontar o turismo de experiências como uma tendência sólida para as próximas décadas (Crédito: Pixabay)

 

A verdade é que se hoje em dia se fala de turismo de luxo, muito se deve a estes onze lugares, verdadeiros precursores das viagens sofisticadas. E, como a história é cíclica, é provável que o luxo de nosso tempo se permeie nas cidades, e elas se reinventem como destino.

Os especialistas são unânimes em apontar o turismo de experiências como uma tendência sólida para as próximas décadas. Ao mesmo tempo, a busca por lugares ligados à natureza, saúde e bem-estar tem crescido de maneira constante. Os Grandes Balneários da Europa, invariavelmente cercados por bosques e florestas, parecem preencher todos os requisitos para agradar os viajantes do século XXI.

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