Por que as pessoas migram para outros países?

O sonho americano na realidade pode ser um pesadelo para muitos migrantes ilegais que decidem deixar suas vidas para trás e que buscam uma nova possibilidade nos Estados Unidos.

por Eduardo Ludugel*


Durante o governo de Donald Trump, foram muitas medidas restritivas impostas para impedir que o país recebesse esses “visitantes que ficam mais tempo do que o previsto”, são encantados pelo ex-presidente como indesejáveis. Agora, na mudança de governo com o então presidente Joe Biden, a promessa inicial seria mais flexibilização, mas cadê essa flexibilização?

Ainda em junho, um voo com 106 brasileiros deportados aterrissou em Belo Horizonte. Este foi o 25º avião com pessoas devolvidas ao país, já contabilizando o terceiro avião lotado de brasileiros expulsos do país pelo governo Biden. Desde 2019, 1.407 deportados já desembarcaram em Minas Gerais.

Difícil falar de números quando tratamos pessoas, mas diante de um cenário que talvez beira a desumanidade, seja necessário. Principalmente para entendermos o porquê de tantas pessoas tentarem viver ilegalmente num país onde não são queridos e as vezes trabalham em três quatro empregos para sobreviverem.

Bom! Tudo começa pela lei da oferta e da procura. Brasileiros, latinos, e pessoas de muitas outras nacionalidades enxergam nos Estados Unidos a oportunidade de ganharem mais dinheiro e mudarem suas vidas para melhor do que no seus países de origem.

Mas por que viver de uma forma reclusa, sem poder aparecer e se escondendo da imigração é uma boa opção? Onde está a melhoria nisto?

A resposta pode estar no contexto da valorização da moeda americana. Se o dólar vale tão mais do que o real, isso quer dizer que o trabalhador nos Estados Unidos recebe melhor pela mesma quantidade de tempo trabalhado na comparação com o Brasil (ou outro país).

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É inegável! Além disso o poder de compra relacionado ao consumo de bens móveis e imóveis são infinitamente mais justo no país.

Sabendo disso, chegamos a outra pergunta: por que abandonar uma vida inteira para viver de forma ilegal, sendo que há maneiras legais para fazer isso?

Não é melhor viver nos Estados Unidos sem o risco de uma deportação? Uma vez que a deportação é praticamente um carimbo que te impossibilita de deixar o país de origem pelo resto da vida.

Qualquer mudança requer um estudo apurado das viabilidades. Quando se trata de mudança de país, esse estudo é bastante complexo e envolve uma série de análises como o domínio do idioma e o método de entrada no país desejado. No caso dos Estados Unidos não é diferente, e se você está disposto a correr os riscos saiba que enfrentará um longo processo burocrático, mas que também não é um bicho de sete cabeças que muita gente pensa. Existem diversos e variados vistos para cada perfil de solicitante.

O visto de trabalho por exemplo diferente dos demais tipos de vistos, oferece a legalidade de estar dentro dos Estados Unidos por um certo período de tempo no qual é possível exercer atividade remunerada de trabalho.

Qualquer pessoa pode solicitar o visto (desde que o Consulado esteja com o serviço ativo, e neste momento encontra-se suspenso) a fim de residir legalmente nos Estados Unidos, tendo ou não a objeção de procurar emprego. Para isso, o interessado deverá estar atento as leis e procedimentos para saber se ele se enquadra nos requisitos desse visto.

Um tipo de visto de trabalho que atende a essa demanda é o H-1B, que de forma geral, este é um dos vistos que dão possibilidade de um profissional qualificado entrar no país e exercer as suas habilidades, porém esse visto além de ser destinado principalmente para a área técnica, ele também é um pouco complicado de se obter. Independente disto, existe pessoas e empresas que trabalham para instruir o requerente ao ponto de ele conseguir o documento.

O visto H-1B tem duração de até três anos, com possibilidade de renovação, é custeado pela empresa contratante e permite que o contratado conviva e trabalhe livremente nos Estados Unidos. Para isso, a empresa contratante precisa requerer a participação do contratado e certificar suas capacidades para àquela função a ser desenvolvida.

Ainda que não seja o caso, há também as opções de planos de intercâmbios.  Outra maneira de se trabalhar nos Estados Unidos é sendo indicado para trabalhar em uma empresa americana, isso ocorre geralmente por mérito excepcional da pessoa.

Sobretudo, existem ainda planos do governo americano para suprir a carência de mão de obra que esteja em falta no país. Nesse caso, o governo auxilia e simplifica o processo de obtenção de vistos desde que o estrangeiro já deixe claro que seu objetivo é atuar naquela determinada área.

Por outro lado, todos esses processos são um pouco burocráticos. Talvez seja essa a dificuldade e a preguiça do imigrante: lidar com a burocracia. Ainda cabe dizer que os tramites legais não tem custos tão altos como os meios ilegais. Coiotes costuma cobrar em média R$ 100 a R$ 150 mil  para travessias mirabolantes pelo México. No mesmo ínterim, vale apontar que um visto para turista por exemplo custa em média R$ 980,00.

Enfim, o último por quê sou eu, o autor deste texto, quem gostaria de uma resposta. Por que correr tantos riscos de perder a vida é a dignidade em uma travessia ilegal sendo que há a clara possibilidade de viver legalmente nos Estados Unidos?


*Eduardo Ludugel é advogado, empresário fundador da Ludugel Assessoria, doutorando em ciências criminais, palestrante e especialista em direito internacional

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