Presidente da Braztoa, Roberto Nedelciu, fala ao DIÁRIO: “consumidor tem razão, desde que não mate a empresa”

O DIÁRIO ouviu nesta quinta-feira (19), o presidente da Associação Brasileira de Operadores de Turismo (Braztoa), Roberto Nedelciu, sobre suas primeiras percepções dessa onda avassaladora chamada novo coronavírus (COVID-19).

Texto e reportagem: Paulo Atzingen – Transcrição: André Tanabe


Roberto atendeu a reportagem do DIÁRIO e não mediu palavras para mensurar o quanto essa pandemia é catastrófica para o turismo não só nacional, mas mundial.

“Nós nunca tivemos uma coisa nem parecida com isso e com este potencial devastador para todo mundo, para o Brasil, para o Estado de São Paulo, e para a cidade de São Paulo, todos estão sendo afetados, as empresas, a sociedade, os empregados”, disse ao DT.

Alinhada com órgãos oficiais, órgãos de saúde, órgãos de turismo, todas as prefeituras, governo estaduais, e todos os ministérios a Braztoa, segundo Roberto, está tomando medidas para saídas exequíveis e razoáveis. Veja os principais trechos da entrevista:

Comparações

“Comparando com 2019, nós tivemos uma queda assim, de cara, em fevereiro de quase 65%, comparando janeiro e fevereiro de 2019 com janeiro e fevereiro de 2020; em março (a queda) é quase 100%, sendo que nós estamos tendo muito mais cancelamentos do que vendas propriamente ditas”, afirma o dirigente, acrescentando que mesmo assim os operadores estão atendendo todas as demandas, atendendo todos os clientes, vendo a melhor forma possível e sempre tentando convencê-los a adiar a viagem.

Primeiras ações concretas

Roberto lembra que as obrigações sociais, os salários, impostos e todas as cargas tributárias das empresas ainda não possuem uma resposta para serem saldadas. “Para minimizar, a primeira ação concreta foi a campanha que lançamos, “Não cancele, adie” e #ViajarÉPreciso; são duas campanhas para tentar convencer os passageiros a não desistir dos sonhos já que – espero – daqui a três a quatro meses tudo esteja normalizado”, pontua.

Ações diplomáticas com Embaixadas

A associação tem demonstrado sua capilaridade nesta crise ao estabelecer comunicação com as embaixadas para que essas sejam um ponto de apoio de brasileiros que estejam impossibilitados de voltar para o Brasil. “A Braztoa está realmente tentando falar com todos os órgãos e nós estamos trabalhando em diversas frentes, conversando com várias embaixadas já que muito dos nossos associados estão com pessoas (clientes) em destinos, no exterior”, disse, dando exemplos de turistas brasileiros no Peru, dois grupos no Irã e turistas em Bariloche. “São ações diplomáticas junto às embaixadas para tentar resgatar esses brasileiros para cá”, disse ao DT.

Cancelamentos

No embate consumidor x empresa prestadora de serviço o presidente da Braztoa afirma que está do lado do consumidor, já que ele é a razão do próprio negócio. No entanto, faz ressalvas: “O consumidor é a razão do nosso trabalho, mas nós queremos alinhar com eles que realmente às vezes o reembolso de 100% não é possível, porque nós somos intermediários e nós dependemos do que recebemos dos nossos fornecedores. Não adianta nada obrigar uma agência ou uma operadora devolver 100% sendo que às vezes uma companhia aérea, um hotel ou outro serviço, não está devolvendo 100%. Nós somos comissionados”, desabafa. E faz a pergunta à reportagem: “Se você ganha uma comissão como vai pagar o produto inteiro?”

Aliança

Nedelciu adianta que a Braztoa se aliou com o Senacon – Serviço Nacional do Consumidor – através de uma plataforma (consumidor.gov.br); lá as empresas podem se cadastrar e neste ambiente digital o Ministério da Justiça faz uma intermediação entre o que a empresa está propondo e o que o consumidor está solicitando.

E finaliza: “Quero deixar claro que o consumidor tem direito de pedir todo o dinheiro de volta, mas isso não quer dizer que esse direito vai ser 100% atendido, eu acho que tem de haver uma mediação, vai ter que ter uma mediação e tem que ter um bom ponto de equilíbrio, onde nem o consumidor saia prejudicado, mas também não mate a empresa”, sintetizou.

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