Em um relato contundente e pessoal em sua página, o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, expõe a frustração e a indignação diante do cancelamento de um voo internacional e da postura adotada tanto pela companhia aérea quanto pela agência de viagens responsável. O texto ultrapassa o desabafo individual e se transforma em uma crítica direta à falta de empatia, de responsabilidade e de compromisso no atendimento ao consumidor, sobretudo quando estão em jogo compromissos institucionais de alta relevância.
Segue texto, na íntegra:
Hoje eu aprendi, da forma mais amarga, o quanto a falta de empatia pode ser travestida de “procedimento”.
Diante de um atraso grave de Vôo Azul – cancelado hoje – 19 de Janeiro – por aeronave danificada – , com impacto direto em uma viagem internacional em conexão com a italiana ITA, no trecho SP-Roma. A resposta foi sempre a mesma, repetida como um mantra frio e desumanizado:
“Não podemos fazer nada.”
Não podemos fazer nada…
Não podemos orientar.
Não podemos assumir.
Não podemos buscar alternativas.
Não podemos nos responsabilizar.
O passageiro que se vire.
O prejuízo que se aceite.
O compromisso de Estado perdido – audiência com o Papa Leão XIV – para celebrar 200 anos das relações diplomáticas do Brasil com a Santa Sé. A revolta que se engula em silêncio.
Esse atraso não causou apenas desconforto.
Ele nos fez perder uma Audiência previamente agendada, algo que jamais se recupera, algo que não se “remarca”.
E, mesmo diante da gravidade disso, o tratamento foi mecânico, impessoal e desrespeitoso.
Mais grave ainda é ver uma agência de viagens contratada “Condor Turismo” — paga justamente para prevenir, intermediar e resolver problemas — simplesmente se eximir de qualquer responsabilidade, adotando exatamente a mesma postura da companhia aérea:
“Não posso fazer nada.”
Isso não é verdade.
Isso é comodismo.
Uma agência de viagens PODE e DEVE:
Intermediar diretamente com a companhia aérea
Acionar canais internos que o consumidor não tem acesso
Buscar reacomodação em outras rotas ou companhias
Providenciar documentação formal do ocorrido
Atuar como representante do cliente, e não como espectadora do caos
Acompanhar o passageiro em tempo real, especialmente em conexões internacionais
Assumir postura ativa diante de prejuízos evidentes
Mas nada disso foi feito.
O que houve foi abandono.
Foi transferência de responsabilidade.
Foi a escolha pelo caminho mais fácil: lavar as mãos.
Viajar não é só comprar passagem.
Contratar uma agência não é só emitir bilhete.
Existe um dever básico de assistência, empatia e responsabilidade — especialmente quando tudo dá errado.
Hoje não falhou apenas um vôo.
Falhou o respeito.
Falhou o compromisso.
Falhou a humanidade.
E quando empresas normalizam o “não podemos fazer nada”, elas deixam de ser prestadoras de serviço e passam a ser parte do problema.
Que este registro sirva não apenas como desabafo, mas como alerta.
Porque o silêncio só protege quem erra.
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