Cidades por vezes lembram o comportamento humano. É nas crises que demonstram sua verdadeira natureza.
por Fábio Steinberg*
Nas dificuldades, a maioria entra em modo pane. Começa a agir de forma irracional, o que só serve para desorientar e desperdiçar energias.
Outras cidades preferem hibernar. Elas se fingem de mortas, e aguardam o problema passar. Como avestruzes, enfiam a cabeça na areia e aguardam a situação mudar.
Mas as metrópoles que se destacam usam os revezes e o contexto difícil como pretexto para se preparar para melhores dias. E que inevitavelmente virão.
É o caso de Salvador. Diante da atual pandemia de coronavírus que interrompeu a vida normal e afastou boa parte dos turistas, os seus gestores não titubearam. Aproveitaram para fazer investimentos e aprimorar as condições de visitação da cidade. Diante de um presente difícil, ao invés de chorar as pitangas, escolheram se preparar para o futuro.
O modelo de Salvador serve de inspiração para outras cidades do Brasil. Neste momento, enquanto a maioria parece anestesiada pela crise, a cidade investe em inúmeras obras que certamente criarão condições diferenciadas para receber turistas nos próximos anos.
Entusiasmado, quem revela detalhes deste movimento de valorização de Salvador é Roberto Duran. Não se trata de mais um nome, mas de um diferenciado executivo de turismo e um dos principais responsáveis pela corrente de iniciativas bem-sucedidas na cidade onde nasceu. Ex-Presidente por duas vezes do Salvador Destination, atualmente divide seu tempo entre sua empresa e a Presidência do Conselho Baiano de Turismo.
Roberto conta que o prefeito atual, Bruno Reis, acaba de anunciar vários investimentos que darão continuidade às iniciativas na área turística de Salvador. Estão confirmadas obras de um novo Mercado Modelo. Além disso, o vizinho Museu da Música, recentemente inaugurado, será ampliado. Com investimentos de mais de R$ 90 milhões, dois prédios contíguos vão abrigar um teatro multiuso e uma escola para formação de profissionais técnicos ligados à música, assim como estúdios para ensaios e gravações.
Mas não é só. Nas proximidades será entregue um novo Monumento à Cidade, já que o anterior foi destruído durante um incêndio em 2019.
A orla de Salvador, um dos seus cartões postais, tampouco foi esquecida. Aprimoramentos estão previstos em Itapuã, Stela Mares, Ipitanga, Boca do Rio e Piatã.
No Centro Histórico, será inaugurado um novo Memorial das Baianas ao lado do Museus das Baianas. Ali também está nascendo uma importante área gastronômica, com investimentos de R$ 20 milhões.
Seguindo tendência de grandes cidades no Brasil e no mundo, uma roda gigante de 84 metros será instalada no bairro do Comércio, com vista para a Baía de Todos os Santos.
Há planos também de construir um Aquário no Forte São Marcelo, agora sob administração da Prefeitura de Salvador. Lá deve funcionar um restaurante subaquático.
O trânsito em Salvador, um dos grandes problemas, deve melhorar muito por conta da conclusão dos trechos 1 e 2, e o início do 3 do metrô. Hoje é possível ao viajante ir com este meio de transporte direto do Aeroporto até o centro da cidade, passando por vários bairros.

Estes são só alguns de vários projetos em andamento, que dão continuidade ao já iniciado em administrações anteriores.
É verdade que a capital da Bahia tem sorte com a qualidade de seus gestores do turismo. São pessoas apaixonadas pela cidade, que colocam de lado diferenças políticas de todas as gamas para capacitar Salvador como um destino diferenciado. Desta forma, a soma de várias administrações, onde se sobrepõe o espírito público, viabiliza um futuro promissor para os soteropolitanos.
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