InícioEconomia do turismoTrês perguntas para Ilya Hirsch, presidente do SINDETUR-SP

Três perguntas para Ilya Hirsch, presidente do SINDETUR-SP

Nesta semana, o Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo (Sindetur-SP) enviou à Diretoria Geral da Lufthansa uma carta de protesto contra a anunciada criação de uma nova taxa nas vendas de bilhetes emitidos por sistemas globais de distribuição (GDS), a Distribution Cost Charge (DCC), no valor de 16 euros a partir de setembro. Em entrevista ao DIÁRIO, Ilya Hirsch, presidente da entidade, esclareceu questões relacionadas à taxa e os GDSs, prejuízos causados ao agente de viagem e ao cliente, além de possíveis consequências dessa cobrança. Confira:

DIÁRIO – O que é a taxa DCC? Quem vai pagá-la?

ILYA HIRSCH – A maioria das agências faz suas reservas aéreas e consulta tarifas através de grandes sistemas de reservas e tarifas de companhias aéreas chamados GDS (Global Distribution System). As empresas que lideram isso são a Amadeus e a Sabre (sistemas internacionais). O agente de viagens é associado a uma dessas empresas e paga algo ou não, dependendo do volume de vendas que faz usando esses sistemas, que, por sua vez, negociam com as companhias aéreas para disponibilizarem o controle de reservas, etc. As duas empresas cobram uma taxa por transação.

Diante dessa situação, a Lufthansa tomou a iniciativa de cobrar uma taxa do cliente, consumidor final ou agente, de € 16 por emissão de passagem para toda e qualquer transação que for feita através de GDS.

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DIÁRIO – Essa taxa é referente a que?

ILYA HIRSCH – Eles alegam o custo alto que têm na transação através dos GDSs. É uma taxa que nós desconhecemos. Eles negociam. Todas as agências no mundo fazem suas reservas prioritariamente através de sistemas GDS, no Brasil Amadeus e Sabre.

Em vez de a Lufthansa renegociar o acordo que eles tem com os GDSs, que não é problema nosso, eles preferem, de uma certa forma, desviar as transações dos GDSs, oferecendo a alternativa de se fazer a transação de reservas, verificação de disponibilidade de lugar, tarifas, etc, através do próprio site da Lufthansa. Se um cliente entrar direto no site da Lufthansa, não paga [a taxa de] € 16. Emite, paga e faz toda a transação. Se você entra através de uma agência de viagem que faz sua transação através de um sistema de distribuição global, a Lufthansa cobrará do sistema, que cobrará do agente que, por sua vez, cobrará do cliente, € 16 pela emissão da passagem.

Assim, ela [Lufthansa] estimula que o cliente, se não estiver interessado, não fale com nenhuma agência de viagem e faça a transação através do site. E também faz com que o agente de viagens, para atender o seu cliente, entre direto no site da Lufthansa para fazer a transação e vender o aéreo para o mesmo.

Onde entra o “complicômetro” para o agente de viagens? O cliente liga e fala que quer ir para Amsterdã, por exemplo, com a melhor tarifa, não importa a companhia aérea. O agente faz dois movimentos: entra no GDS e verifica o que tem de melhor tarifa e oferece qualquer companhia, como a KLM, por exemplo, com tarifa melhor. Se o cliente prefere viajar pela Lufthansa, o agente sai do ambiente do GDS, entra no site da Lufthansa e faz a transação por lá para não pagar a taxa.

DIÁRIO – É possível que o agente opte por trocar a companhia com a qual trabalha?

ILYA HIRSCH – O agente de viagens certamente oferecerá ao cliente alguma companhia que não complique a vida dele. É uma situação que certamente pode desviar negócios da Lufthansa, por um lado, ou, se houver uma divulgação maior, criar um movimento do consumidor que gosta da Lufthansa para entrar direto e fazer a reserva através do site da companhia. No último caso, quem perde é o agente de viagem, que não ganha comissão.

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