Três perguntas para Licério Santos, presidente da Brasil Total Receptivos

Da Redação do DT

A Brasil Total Receptivos é uma associação nacional de operadores de receptivos e seu fundador e presidente é Licério Santos. Durante a Expo-Abav 2015 o DIÁRIO conversou com Licério para entender qual a função de sua associação no fluxograma do turismo. Acompanhe:

DIÁRIO – O receptivo faz parte de um fluxograma dentro da cadeia produtiva do turismo. Qual é o principal gargalo ou o que necessita mais atenção em seu setor?

LICÉRIO SANTOS – Naturalmente, no Brasil em que vivemos hoje, as dificuldades são muitas. Se formos olhar pela visão comercial, se olharmos os números do turismo no Brasil, falamos de 25 milhões de brasileiros viajando internamente e mais seis milhões de estrangeiros chegando no Brasil; sempre falamos da hotelaria, dos assentos aéreos que crescem, mas não se pode esquecer que todo esse fluxo de turistas passa pelo receptivo. Igualmente a estrutura hoteleira e as companhias aéreas têm esse gigantismo, os receptivos têm esse gigantismo também a nível nacional, mas às vezes imperceptível.

Tem algo curioso nisso. Nunca podemos esquecer que quando um cliente chega a uma agência de viagens para comprar uma viagem, ele está comprando uma expectativa e, invariavelmente, precisa de alguém para cuidar dele no destino, uma agência organizada. O que acontece na verdade é que a agência que vendeu o pacote e prometeu um sucesso, dias de tranquilidade e novidades, comprou isso de uma operadora que também prometeu tudo isso, mas quem realiza e executa isso é o receptivo, que passa a ter um papel muito importante para a operadora e para a agência dizerem que vendem qualidade. Aí está a grande responsabilidade. Este foi um dos fundamentos da criação da Brasil Total Receptivos.

DIÁRIO – Em termos de representação política, a associação foi criada em 2001, já tem voz dentro das discussões e conselhos de turismo? Como vocês conseguem inserir a posição deste segmento profissional?

LICÉRIO SANTOS – Por que nasceu esta associação? Justamente porque não tínhamos essa representatividade através destas entidades. Por mais que se lute e trabalhe muito, dentro dessa cadeia do turismo, o receptivo sempre tinha uma dificuldade de se colocar de forma representativa. A partir da criação do nosso grupo, conseguimos ter acesso a isso. Veja que hoje, por coincidência, realizaremos um debate mediado pela vice-presidente da ABAV, no qual estaremos tratando dentro do congresso da ABAV,  da questão receptiva. A própria ABAV, dentro do seu contexto, tem percebido a importância de trabalhar melhor o receptivo.

DIÁRIO – Hoje o setor de receptivo tem um lugar no mercado? Existem novas empresas entrando? Esse segmento está em ascensão?

LICÉRIO DOS SANTOS – É um segmento em forte ascensão por duas razões muito fortes. Primeiro é que com o crescimento do turismo e a exigência cada vez maior do público, requer um atendimento melhor em cada destino e atrativo.

Existe um outro viés que é o seguinte: ou o turismo receptivo se insere dentro do mundo virtual de forma organizada e técnica ou ele fica fora. Felizmente estamos trabalhando para a primeira opção. Cada dia mais vemos um número maior de empresas receptivas entrando no mercado, mas também um crescimento de forma tecnológica dentro do receptivo. O que tem que acontecer é acompanhar a tendência do turismo que é o turismo eletrônico. O receptivo está neste caminho.

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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