A AccorHotels estica os braços

por Fábio Steinberg*

Como conseguir ampliar o portfólio de hotéis da AccorHotels em locais onde a empresa não está presente? A resposta veio através da aquisição em 2015 da Fastbooking. Trata-se de uma bem-sucedida empresa de tecnologia digital fundada há 17 anos. Ela oferece softwares e serviços para hotéis, principalmente independentes, e inclui itens como posicionamento de marca e comercialização. Com novos donos, ampliou seu escopo também para uma plataforma de distribuição complementar às marcas da Accor.

Os negócios deram tão certo que hoje a rede francesa já disponibiliza em seu site Accorhotels.com um total de 6 mil estabelecimentos mundiais – 4 mil com hotéis da empresa e mais 2 mil originários do Fastbooking. O Brasil, onde 70% dos hotéis são independentes, promete ser uma verdadeira mina de ouro para a Fastbooking. Basta dizer que em quatro meses de operação já contabiliza 60 adesões, o que representa quase 20% do total de hotéis com a marca Accor no país.

Entre os novos agregados, estão o George V e C’Adoro, em São Paulo; Vila Santa, em Búzios; Costa do Sauipe, na Bahia; Recanto das Cataratas e Normaa, no Paraná; Gran Marquise, em Fortaleza; e Ponta dos Ganchos, em Santa Catarina. Fazem parte ainda os hotéis SENAC de Campos de Jordão e Águas de São Pedro, e as sete unidades da rede Deville em várias cidades brasileiras. A meta para o país é bastante ambiciosa: 200 hotéis até 2018, e chegar a 300 em 2020, segundo Henrique Campolina, Country Manager da Fastbooking no Brasil.

Para passar no “vestibular”, os hotéis interessados precisam atender alguns critérios. Começa pela localização geográfica, já que o principal objetivo da Accor é ampliar sua capilaridade

Para passar no “vestibular”, os hotéis interessados precisam atender alguns critérios. Começa pela localização geográfica, já que o principal objetivo da Accor é ampliar sua capilaridade em destinos onde ainda não está presente, ou possui pouca representatividade.

O segundo quesito é o candidato ser complementar à rede Accor, e não se tornar um concorrente de marca já presente, principalmente em uma das 30 cidades prioritárias. O terceiro é a seleção por categoria do hotel, com preferência para os voltados ao segmento midscale e upscale.

É preciso ainda contar com a percepção positiva como hotelaria de qualidade, e para isto ter boas avaliações ou fazer parte de rankings, tipo TripAdvisor. Finalmente, o interessado deve atender o mercado por suas características únicas (por exemplo, o C’Adoro, um hotel de luxo e que fica no centro de São Paulo).

“A nossa seleção se compara a de um shopping center, que busca ao mesmo tempo a diversificação de lojas e baixa concorrência entre elas”, explica Guillaume de Marcillac, Co-CEO da Fastbooking.

Quais as vantagens para um hotel que se associar? Ele consegue manter sua operação independente e ganha maior visibilidade, inclusive internacional, através do site da Accor. Mas para isto precisa preparar o bolso. A comissão cobrada este ano é de 14%, devendo aumentar para 16% a partir de 2017. E a isto deve somar mais 6%, caso queira também fazer parte do programa de fidelidade Le Club – hoje responsável por 40% das reservas feitas em hotéis da Accor. Mesmo assim isto soa aos hoteleiros como pechincha diante das taxas extorsivas cobradas pelas principais agências online (OTAs).

Animada com os resultados, a Accor adquiriu este ano a Availpro, um ex-concorrente peso-pesado. Consolidadas, Fastbooking e Availpro tornam-se assim o terceiro maior fornecedor mundial de serviços digitais para hotéis independentes. Disputam palmo a palmo com outras feras do mercado, entre elas a Sabre Hospitality e TravelClick. Nesta disputa, espera-se, deve ganhar o consumidor com preços de diárias mais competitivos.

*Fábio Steinberg é jornalista

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