Calendário de Eventos do seu Município: de onde vem o recurso

por Eduardo Mielke*
 Não confundir Promover o Destino, no caso sua Cidade, com a obrigação de bancar um evento sob a pena dele “não sair”. Prefeitura não é pai e mãe de ninguém, mas sim parceiro. Mas antes, vamos aos alinhamentos…

 

Definições a parte, dentro de um Calendário há dois grupos. No primeiro, G1, estão os eventos ditos populares e ou religiosos como Carnaval, Dia da Padroeira do Município, e afins. E o G2, agrupa aqueles cujo objetivo é mais comercial que são as feiras, exposições, festivais gastronômicos ou de música, competições esportivas e afins. E dentro do G2, existem ainda os eventos que vem de fora, já formatados, e aqueles que precisam fazer tudo, do zero.

 

O critério de diferenciação destes grupos se faz necessário, pois ele definirá o quanto o Poder Público, deve mesmo colocar a mão no bolso. Tudo depende, não há regra. Mesmo porque, os eventos do G1 fazem parte da nossa cultura e religião. É importante que eles aconteçam, ainda que não dispensem o olhar estratégico como possibilidades de promoção do Destino.

 

Contudo critérios devem ser seguidos. Se você é Secretário e me lê, aqui vai uma orientação importante: O quanto a Prefeitura irá tirar do seu orçamento anual e investir em um evento, dependerá das respostas a QUATRO perguntas-critérios, nesta ordem:

 

CRITÉRIO 1: O evento  impulsionará a geração de emprego e renda daquele setor no pós-evento? exemplo: Um evento anual seria uma excelente oportunidade de mostrar a produção de cachaça artesanal ao mercado.

 

CRITÉRIO 2: O evento pode adquirir suas próprias pernas ao longo dos anos? Ou seja, ser capaz de atrair patrocinadores, apoiadores e parceiros na iniciativa privada e terceiro setor, a fim de que ele aconteça sem (ou com pouco) o investimento público?

 

CRITÉRIO 3: O evento tem apelo para acontecer todos os anos?  Se anual, sempre melhor para o trade. Lembre-se que continuidade é vital para a competitividade de um Destino Turístico.

 

CRITÉRIO 4: O evento é (do G1) religioso ou é da cultura popular? Então, é obrigação do Poder Público realiza-los. Porém, observe o CRITÉRIO 2. Posicione-se neste sentido, pois é uma questão de sustentabilidade e responsabilidade de quem organiza e de toda rede de parceiros.

 

O recurso vindo da Prefeitura:  Certifique-se que os eventos-chave do Calendário constam no no PPA para o próximo ano. Não elabore sozinho o PPA. Faça isso no COMTUR. É lá que esta pauta deve ser debatida. E não na sua sala. E isso, por um único motivo: Você deixará claro o que é de sua responsabilidade, mostrando suas limitações. e o que é de responsabilidade da Iniciativa Privada e do Terceiro Setor. Abra o jogo, sendo transparente da divisão. Deixe a “coisa” fácil. O que é acordado não custa caro.

 

O investimento público de peso só se justifica no atendimento dos quatro  CRITÉRIOS acima, o resto é conversa fiada. Recurso público para eventos não pode ser visto como algo de “fundo perdido”. Pense nisso.

Aliás, eventos não são para amadores. Se você é Secretário e ainda me lê, evite aqueles que chegam a Secretaria pedindo como se ali fosse a padaria

Aliás, eventos não são para amadores. Se você é Secretário e ainda me lê, evite aqueles que chegam a Secretaria pedindo como se ali fosse a padaria. No caso do G2, muita gente irá até a sua sala pedir $$, esperando o seu “sim político”. Nestas situações sempre oriento os Secretários, da mesma forma. E aqui vai outra orientação, nesta ordem:

 

PRIMEIRO: Chame o C&VB (ou outra associação empresarial) da sua Cidade imediatamente. Faça uma rápida reunião, apresentando-os. Os Conventions são  as melhores entidades capazes de apresentar parceiros locais, atendendo melhor ao organizador no que ele precisar. O Terceiro Setor e a Iniciativa Privada sabendo dos respectivos  papeis, a “coisa” não fica difícil.

 

SEGUNDO: Já deixe claro ao demandante, que da sua pasta só sairá, o que você já tem aprovado no Pregão. Ofereça, no entanto, articulação para o atendimento de outros serviços públicos como Guarda Municipal, Serviços Púbicos e etc., quando aplicável. Muitas vezes você ajudará mais com seu esforço de mediação do que com $$ propriamente dito.

 

No caso de eventos G1. ver CRITÉRIO 4.

 

O recurso vindo da Iniciativa Privada ou do Terceiro Setor, vem de articulação empresarial. Em outras palavras, relacionamento mercantil ou de negócios. Quando o evento é bom, é porque o público da sua Cidade oferece bom poder de compra. Se o evento é feito por gente profissional, ele vem quase que pronto. O que estes organizadores precisam mesmo, é encontrar um ambiente sadio, onde seja fácil ter acesso à parcerias locais que possam oferecer permutas, serviços e outras parcerias. Simples assim.

 

Quando o evento tem que sair do zero e ele atente àqueles CRITÉRIOS 1-3, é vital olhar o papel de cada um. Não há outro caminho. Tudo irá acontecer se uma grande parceria surgir dentro de um processo cooperativo. Cada um dando aquilo que pode e deve. Se no início pode parecer uma gincana, com os anos os eventos ganham força e profissionalismo. Por isso que o Calendário de Eventos deve ter continuidade. Ano após ano, sempre na mesma época, e pouco a pouco crescendo sempre.

 

Cidade que é “boa de negócios” é aquela onde esta engrenagem cooperativa, que é a base do SIMTUR, funciona. Esta é a essência do “Cooperar para Competir”. Pense nisso.

 

Dúvidas, esclarecimentos? Pergunte-me. Envie um inbox no face ou comente no Blog.

Eduardo Mielke é Dr. em Turismo pela Universidad de Málaga, e escreve quinzenalmente sobre Gestão e Política de Turismo no Município. Contato: eduardomielke@yahoo.com.br
Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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