Circo Spacial estreia em São Paulo e comemora área destinada à atividadez

15 ANOS DIÁRIOS – PUBLICADO dia 5 de setembro de 2015

por Paulo Atzingen

A noite de estreia do Circo Spacial na última sexta-feira (4), na zona norte de São Paulo estava fria. Montado ao lado do Shopping Center Norte, a lona salpicada de lâmpadas e um palhaço na porta convidava os paulistanos ao espetáculo.

Lá dentro, protegidos do frio e embaixo da primeira lona, que serve como uma grande sala de estar, crianças e adultos se aglomeravam em frente às barraquinhas de pipoca, refrigerante e cachorro quente, aguardando o início da apresentação. Os atendentes são pessoas jovens e logo mais se transformarão em atores circenses.

Uma mulher, com um echarpe cor de rosa e um casaco azul bem cortado com botões vermelhos, concede entrevista a uma jovem repórter enquanto é fotografada. “É ela, penso; é a dona do circo”. Me aproximo, ligo o gravador e capto o resto da entrevista:

Temos que sonhar, acreditar, porque na verdade quando se trabalha para a criança, para a família, temos sempre que trazer novidades. O circo persistiu nesses cinco mil anos de história, porque ele sempre se adapta, traz coisas novas. Além das velhas tradições, como o palhaço, a magia, o trapezista, o equilibrista, temos que trazer o contemporâneo. Hoje, na segunda parte do nosso espetáculo temos uma apresentação em vídeo dedicado especialmente para a criança”, explica.

"Os circos precisam de um espaço quando eles vêm para São Paulo. inclusive para acostumar a população que não sabe onde tem circo, porque as áreas são tomados por prédios e shoppings"
“Os circos precisam de um espaço quando eles vêm para São Paulo. inclusive para acostumar a população que não sabe onde tem circo, porque as áreas são tomados por prédios e shoppings”

 

Sem animais

Marlene Olimpia Querubim, esse é o nome dela. Trabalha há 35 anos em atividade circense, três décadas só no circo Spacial.  35 pessoas da família trabalham no circo com ela, seus descendentes: “Somos os precursores do chamado circo moderno brasileiro, pioneiro em unir o teatro, dança música e atividade circense e, quando o fundamos, em agosto de 1985, fomos também os precursores em não usar animais em nossas apresentações”, afirma Marlene, com uma ponta de orgulho.

Marlene tem trilhado a estrada da arte circense, mas, como fundadora de um sonho, dedica boa parte de seu tempo defendendo políticas públicas em defesa e incentivo à atividade circense. Como diretora-fundadora do Circo Spacial, da Academia Brasileira de Circo e da UBCI,  Marlene representa a classe junto à esferas políticas.

Espaço garantido em Plano Diretor

A jovem repórter termina a entrevista, mas eu continuo ali. Estava diante de uma oportunidade única: noite de estreia, corações acelerados, ansiedade e expectativas:

Ela continua: “O circo em geral vive, come e bebe do sorriso de uma criança, da gargalhada de um adulto, do calor da população. Mas precisa também do apoio do governo, precisa de parcerias.   Preciso hoje – e neste momento ela, usando a primeira pessoa e incorporando as dificuldades de uma categoria inteira, se dirigiu a mim e falou: “Preciso de espaço para os circos. Estamos aqui graças à Secretaria de de Cultura de São Paulo, que vai oficializar esta área com Espaço do Circo de São Paulo. Os circos precisam de um espaço quando eles vêm para São Paulo. Inclusive para acostumar a população, que não sabe onde tem circo porque as áreas são tomados por prédios e shoppings”, lamenta.

Segundo Marlene, foi aprovado, no último plano diretor da cidade (2014), quatro pátios oficiais de circo, em áreas especialmente destinadas à atividade circense. Todos esses espaços, no entanto, precisam ser efetivados na prática.

A nossa reivindicação, é que São Paulo tenha esses espaços oficiais e que a população saiba onde encontrar os circos“.

"O circo em geral vive, come e bebe do sorriso de uma criança, da gargalhada de um adulto, do calor da população. Mas precisa também do apoio do governo, precisa de parcerias"
“O circo em geral vive, come e bebe do sorriso de uma criança, da gargalhada de um adulto, do calor da população. Mas precisa também do apoio do governo, precisa de parcerias”

Berço dos sonhos

A música que antecede a abertura do espetáculo já começava, mas deu tempo para Marlene reforçar ainda mais a grandeza de sua arte: “O circo brasileiro é considerado o que mais oferece artistas ao mundo. Nós temos hoje mais ou menos 10 companhias de globo da morte que saíram do Brasil. Só na Europa, duas saíram do meu circo. Temos mais de 70 artistas que nasceram em nossos picadeiros e trabalham em circos pelo mundo”, enumerou.

Somos o berço onde nasceu boa parte das pessoas que fazem teatro, dançam, ou cantam. Se voltarmos na década de 40, 50, o circo era a referência, era ele que trazia a dança, a música, o espetáculo, o sonho, tudo isso para a vida das pessoas. Mesmo com toda essa modernidade, continuamos sendo….

A lona colorida que fecha o circo, que serve como uma porta, estava descendo. Como um menino de 10 anos, corri para não ficar de fora. O espetáculo já vai começar…

'Somos os precursores do chamado circo moderno brasileiro, pioneiro em unir o teatro, dança música e atividade circense "
‘Somos os precursores do chamado circo moderno brasileiro, pioneiro em unir o teatro, dança música e atividade circense “

 

Serviço:

Circo Spacial – Travessa Simis, n. 300 c/Av. Moises Rooysen (ao lado do Carrefour do Center Norte) – São Paulo – SP – CEP – CEP 02049-015 / Informações  (11) 98234-3381

Temporada – De 4 de setembro a 6 de dezembro  de 2015 | Quintas e sextas às 20h30 / sábados, domingos e feriados às 16h, 18h e 20h30 | Ingressos de 30,00 a 250,00.

Acesso e banheiro adaptados para pessoas com necessidades especiais |Aceita cartão de débito e dinheiro / Estacionamento no local (terceirizado) – R$ 10,00
Venda de ingresso antecipado – todos os dias das 10h às 12h e das 14h às 20h

www.spacial.com.br / Twitter @circo_spacial / www.facebook.com/circospacial

 

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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