Eduardo Sanovicz, presidente da ABEAR, fala sobre a pontualidade das aéreas e abertura do mercado

Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO TURISMO, o presidente da ABEAR – Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz atendeu o jornalista Paulo Atzingen na sede da entidade em São Paulo e falou sobre a pontualidade nos voos das companhias aéreas brasileiras durante alta temporada de Natal e Ano Novo, compreendida entre 18 de dezembro de 2019 a 7 de janeiro de 2020. Na ocasião, o executivo também defendeu o processo de abertura do mercado aéreo brasileiro com a chegada de novas empresas do ramo. Esta é a primeira parte da entrevista que integra a série 15 Anos Diários, em referência aos 15 anos do DT, comemorado em 2020.

REDAÇÃO DO DIÁRIO


 
DIÁRIO – Eduardo, vocês anunciaram agora em janeiro a alta pontualidade das aéreas nacionais. Você afirmou no documento enviado a nós de que essa pontualidade se devia à excelência do atendimento. É evidente que existam outros motivos, quais seriam?
EDUARDO SANOVICZ – Na realidade eu disse que ser pontual significa excelência do atendimento, as causas que levaram a aviação ao longo dos últimos 10 anos a construir uma pontualidade hoje reconhecida internacionalmente. Veja a Latam, acaba de ganhar pelo segundo ano consecutivo o título de “empresa mais pontual do planeta”, a Gol também tem taxas altíssimas. Para dar um número bem objetivo nós costumamos usar o limite de 15 minutos como parâmetro de atraso que é o padrão internacional, no Brasil aproximadamente 86% dos voos decolam dentro deste limite, enquanto a média norte-americana é de 82%, a média europeia é de 81%, portanto o Brasil tem índices bastante positivos; e nós só não chegamos a índices maiores por conta do clima, 76% dos atrasos de voo que acontecem no país são gerados pelo clima, destacadamente chuva, por conta da nossa decisão de jamais abrir mão da segurança. Nós não negociamos segurança e não levantamos voos quando julgamos que há algum risco nesse processo.

Nós não negociamos segurança e não levantamos voos quando julgamos que há algum risco 

 
Uma das coisas que a gente trás assim com muito orgulho na aviação brasileira são os dados que ficaram para a história, como a nossa Olimpíada em 2016. Veja:  a Olimpíada de Londres tinha fechado numa pontualidade de 90-91%; a de Pequim fechou levemente acima dos 92%, e nós fechamos com 93%, incluindo a Para-Olimpíada! portanto esses dados nos entusiasmam, nós gostamos muito. Isso tudo é resultado de um conjunto de fatores interligados: primeiro a melhora da própria capacidade operacional das empresas, em segundo a capacitação de seus quadros e em terceiro a melhora de infraestrutura portuária do Brasil, destacadamente a partir de 2012 com programas de concessões. Alguns dos nossos aeroportos chegaram a triplicar de tamanho. Somado a tudo isso temos também os avanços tecnológicos que tivemos nas aeronaves e nos sistemas de gestão.
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DIÁRIO: Sanovicz,  qual o papel da ABEAR no processo de abertura do mercado aéreo brasileiro, considerando que volta e meia se falam de questões de monopólio, de reserva de mercado; como a ABEAR se posiciona nesse ponto específico?
EDUARDO SANOVICZ – A ABEAR defende a abertura total do mercado. No começo, na nossa fundação, nós nunca nos manifestamos sobre o tema porque ele não era consenso interno aqui entre nós; uma das empresas associadas era contrária ao processo de abertura, as demais eram favoráveis, a empresa que era contrária se retirou da ABEAR, portanto passou a ser consenso dentro da associação a defesa da abertura de 100% do mercado e a defesa da liberdade de concorrência, portanto a entrada de novos players em nosso mercado.
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DIÁRIO – Complementando a questão anterior, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou esta semana a parceria estratégica entre Boeing e Embraer. Como o senhor analisa isto?
EDUARDO SANOVICZ – É natural o processo de consolidação do nosso mercado, existem alguns estudos feitos por pesquisadores da área de aviação, dando conta de que a tendência média e longo prazo nesse mercado é a consolidação, não apenas das companhias aéreas, mas também dos montadores. Principalmente por conta da escala em que nós temos nessa indústria, esse é um setor no qual você tem um lucro médio histórico girando em torno de 2,5 e 3%, portanto é um negócio que você vai dizer “puxa, vou montar uma padaria que dará mais lucro. Uma padaria dá 30% “ só que não existe padaria que fature dez bilhões de reais, portanto esse é um setor que como tem capital intensivo, mão de obra intensiva, ele tende a ser um setor de empresas de capital aberto, portanto listadas em bolsas com milhares de proprietários das ações que querem ver retorno do seu capital.
Um retorno de 2 a 3% não é um retorno alto, portanto ele só se viabiliza quando tiver uma escala muito grande para que 2 a 3% tenha um valor para os acionistas para fim de que o setor continue recebendo capital e investimentos, logo a Boeing juntar com a Embraer, a Airbus ter adquirido um pedaço da Bombardier, a Delta entrar com um pedaço da Latam e assim sucessivamente, são cenas que nós veremos sempre e veremos um processo de crescimento ao longo dos próximos anos.

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