O Coronavirus e a importância do mapeamento de riscos para evitar perdas no turismo

Por Otávio Novo*

Antes de tratar do tema do Coronavírus e da forma como poderemos lidar com essa importante situação no contexto do turismo mundial, gostaria de começar o segundo artigo para o DIÁRIO DO TURISMO, relembrando uma história pessoal marcante, que serve de introdução para o nosso tema de hoje, e para entendermos melhor a importância do mapeamento de riscos nas nossas atividades.

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Em 2006, ao me preparar para viajar pela primeira vez a Israel, fui abordado por diversas pessoas, amigos e familiares, que demonstrando preocupação, me questionavam se estava ciente dos problemas que ali aconteciam e, até, se eu deveria mesmo ir,  já que, infelizmente, alguns dias antes, havia ocorrido um ataque a bomba com cerca de 10 de mortos na cidade de Tel Aviv. Como estava bem informado, tratei de acalmar a todos, mas sem deixar de sentir ansiedade por experimentar essa realidade distinta, embarquei rumo ao aeroporto internacional Ben Gurion.
Os dias que se passaram foram dos mais interessantes e inesquecíveis dentre tantas outras viagens e, com um detalhe importante: uma incrível sensação de segurança ainda não experimentada em lugares que já havia viajado até então.

Depois de cerca de 10 ótimos dias em Israel, pela internet vi que se iniciaram os ataques do PCC em São Paulo

Alguns de vocês podem estar perguntando: mas o que essa história tem a ver com o assunto do artigo? Explico:  Depois de cerca de 10 ótimos dias em Israel, pela internet vi que se iniciaram os ataques do PCC em São Paulo, exatamente onde estava a maioria das pessoas que se preocuparam comigo ao embarcar para Israel. E assim se estabeleceu uma situação inusitada, eu em Israel, preocupado com amigos e familiares devido aos ataques em São Paulo.
Essa história, apesar de longe do contexto do nosso assunto, serve de reflexão para a real importância de se compreender de forma adequada, onde estão as verdadeiras e principais ameaças, e para onde devemos direcionar nossas energias e “pré-ocupações”. E o mapeamento de riscos é, no processo de gestão de riscos e crises, o caminho para se obter essa visão correta, quando tratamos da proteção de pessoas, negócios e imagem.
Nesse sentido, outra situação que pode nos ajudar a entender melhor esse conceito de mapeamento de riscos, é o atual risco de pandemia com o surgimento de diversos casos de Coronavírus 2019-nCoV, originários de uma importante cidade da China. Uma situação de grande sensibilidade e que, como outras, requer um olhar atento para suas características e efeitos.

Números representativos

É indiscutível que todos devam ficar atentos e agir, mas sem pânico (Webfoto autorizada)

Segundo as últimas informações da Organização Mundial da Saúde (WHO) sobre a situação da epidemia do Coronavírus, os números de casos são: Total no mundo: 6065; China: 5997 confirmados; suspeitos: 9239; estado grave: 1239; mortes: 132. Outros países: 68 confirmados em 15 países. Sob o ponto de vista e atribuições da WHO os riscos são: China: muito alto; Região: alto; e Global: alto. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde são 9 casos suspeitos.
São números representativos e que mostram uma evolução importante dos novos registros em diferentes localidades. Assim é indiscutível que todos devam ficar atentos e agir, dentro de cada nível de responsabilidade e possibilidades, para minimizar o risco e seus impactos.
E assim se inicia um processo de mapeamento de riscos. Tendo conhecimento, seja pela forma que for, de uma ameaça ou de uma possibilidade de ocorrência com impactos para a organização e seus valores, para posteriores análises e validações.
No caso do surto de coronavirus, para a maioria do mundo, o risco está sendo apresentado pelas mídias, inclusive nas redes sociais com suas vantagens como a agilidade de ampla propagação e suas desvantagens, como a frequente falta de credibilidade. Portanto o primeiro passo é sempre buscar as informações mais seguras e confiáveis.  Nesse sentido, para a situação atual do vírus vindo da China, os órgãos oficiais como a OMS, o Ministério da Saúde e Anvisa no Brasil são as fontes de informações mais adequadas.

Outro ponto importante

Nesse momento os órgãos de saúde mundial estão acompanhando o grau do risco da epidemia global

Outro ponto importante no mapeamento de riscos é a definição e compreensão clara de cada responsabilidade, ou seja, de que forma o risco atinge cada organização de acordo com o que está previsto no seu escopo de prestação de serviços. Assim o grau de cada risco será menor ou maior de acordo com o envolvimento da atividade da organização com o risco.
Nesse momento, por exemplo, os órgãos de saúde mundial estão acompanhando o grau do risco da epidemia global e tomando as respectivas providências, e além disso, tendo em vista  o fato de não termos casos confirmados no Brasil, e a comparação com o histórico de casos similares, como a SARS, faz com que para nossa região, não haja razão para pânico.
Isso não quer dizer que nada já deva ser feito pelas autoridades, viajantes, hotéis, restaurantes, locais de eventos, atrativos, agências e outros entes da cadeia turística. E sobre isso , clique aqui para mais informações de ações recomendadas especificamente sobre o Coronavírus pelas autoridades competentes.

Não se deve pagar para ver

Obviamente, diante de riscos com grande grau de impacto, muitas medidas rígidas podem se justificar mesmo ainda distante da efetivação do acontecimento, ou seja, não é prudente pagar para ver. De toda forma, inclusive as decisões preventivas devem ser construídas com base em dados, informações e procedimentos de mapeamento de riscos de qualidade.
Se assim for, mesmo enfrentando grandes ameaças, será possível, de maneira responsável,  evitar perdas, afinal tendo de forma clara o grau de risco, pensando da real chance de algo grave ocorrer, nas suas consequências e nas atuais possibilidades de medidas de minimização dos riscos, certamente haverá menos preocupações indevidas ou super potencializadas.

O mapeamento de riscos tem como função nos mostrar quais são os grandes inimigos da nossa operação ou atividade

O mapeamento de riscos tem como função nos mostrar quais são os grandes inimigos da nossa operação ou atividade, colocando cada um deles em ordem de grandeza, ou seja, fazendo uma priorização das ameaças às quais devemos combater com mais urgência e energia. Quando surgem casos novos, e improváveis, devemos seguir padrões conhecidos para definir rapidamente suas características e a forma como será tratado. Essa cultura, poderá evitar transtornos e prejuízos desnecessários, como cancelamentos de viagens e perda de negócios e grandes experiências turísticas, como a minha inesquecível viagem a Israel.


OTÁVIO NOVO – GESTÃO DE RISCOS E CRISES 
Otávio é advogado, profissional de Gestão de Riscos e Crises, atuando, desde o ano 2000, em empresas líderes nos setores de serviços, educação e hospitalidade. Durante 6 anos foi responsável pelo Departamento de Segurança e Riscos da Accor Hotels na América Latina. Atualmente é consultor, membro da comissão de Direito do Turismo e Hospitalidade da OAB/SP 17/18, professor e desenvolvedor de materiais acadêmicos e facilitador na formação de profissionais e na organização de empresas do setor do turismo e hospitalidade.  Coautor do livro “Gestão de Qualidade e de crises em negócios do turismo” – Ed. Senac.  É criador e responsável pelo projeto Novo8 – www.novo8.com.br 

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Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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