EUA voltam a apertar o cerco contra imigrantes ilegais

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Um dos principais motivos que elegeram Joe Biden ao cargo político mais importante do mundo, estava em sua proposta de desfazer muitas medidas criadas por seu antecessor, Donald Trump, em especial as políticas imigratórias.

Agências com EDIÇÃO DO DIÁRIO 


De fato, desde que assumiu em janeiro desse ano, o presidente americano vem adotando diversas políticas pró-imigrantes, como o restabelecimento de determinados programas de asilo, suspenção temporária de deportações e fim das restrições a entrada na América de diversos países. Entretanto, a “lua de mel” de Biden com a comunidade de estrangeiros que pretende morar nos Estados Unidos parece estar chegando ao fim.

Motivados pelo discurso inclusivo do presidente, uma legião de pessoas, vindas principalmente da América Central, vem se aglomerando desde janeiro na fronteira dos EUA com o México. De acordo com o departamento de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP), junho registrou 188.829 pessoas indocumentadas detidas na tentativa de ingressar em território americano.

Considerando apenas o primeiro semestre de 2021 o número de detenções na fronteira chegou a 1.119,204.

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Entre os detentos nesse ano, estão cerca de 24 mil brasileiros que buscavam entrar ilegalmente nos EUA. Aproximadamente 1.500 deles já foram deportados ao Brasil, em sua maioria homens entre 20 e 40 anos de idade, que relataram ter sofrido maus-tratos enquanto aguardavam pela deportação nos centros de detenção do CBP.

“Muitos brasileiros ainda buscam entrar ilegalmente nos Estados Unidos em busca de uma vida melhor e com mais segurança. Além disso, nesse ano, muitos deles também tentaram ingressar na América para serem vacinados contra a covid-19. Infelizmente para esses brasileiros, as autoridades americanas nas fronteiras são bastante rígidas, e uma pessoa detida por eles está sujeita a permanecer nos centros de detenção do CBP enquanto aguardam o julgamento de seus processos de deportação. Certamente não é nem um pouco aconselhável buscar imigrar nos EUA dessa forma” – declarou Felipe Alexandre, advogado brasileiro/americano de imigração com experiência em processos de imigração e green cards.

A grande maioria das prisões ocorridas durante esse ano, foram tomadas com base na lei intitulada “Título 42”, criada durante a administração Trump para expulsar imediatamente quaisquer pessoas tentando entrar nos EUA sem autorização. Com o início do Governo Biden, havia a expectativa de que o Título 42 fosse revogado. Nesta semana, porém, a Casa Branca informou que vai manter a polêmica lei pelo menos até o final de 2021. 

No primeiro trimestre, Biden chegou a afrouxar as regras do Título 42, impedindo a detenção e deportação de crianças desacompanhadas nos EUA. Entretanto, devido ao agravamento da crise sanitária e avanço da covid-19 na fronteira do país com o México, o atual mandatário americano decidiu ouvir as orientações do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), que alertou para os riscos de onda de contágio da variante Delta trazida ao país pelos imigrantes ilegais.

A decisão de manter o Título 42 foi recebida como uma “bomba” para diversas ONGs e organizações americanas pró-imigrantes, e criticada até mesmo por aliados democratas do governo. Os críticos alegam que continuar apreendendo pessoas na fronteira irá deteriorar ainda mais as condições sanitárias dos centros de detenção dos EUA, aumentando ainda mais a disseminação do vírus. Muitos consideram ainda que a manutenção do Título 42 seria uma decisão política para agradar o partido Republicano.

“O debate sobre o Título 42 deve se intensificar nas próximas semanas com pressões vindas de todos os lados. Como historicamente acontece com os presidentes americanos, desde os anos 80, a imigração é um tema central e que sempre divide opiniões. Sem dúvida esta crise na fronteira dos EUA tem sido o primeiro grande desafio do governo Biden, que vai precisar encontrar o equilíbrio entre ser a favor de uma política imigratória mais humana e ao mesmo tempo cuidar da segurança e da saúde do país” – acrescentou Felipe Alexandre, que também é proprietário da AG Immigration, escritório americano de advocacia imigratória.


Felipe Alexandre é advogado americano/brasileiro de imigração e fundador da AG Immigration:  Ele é considerado há vários anos pelo “American Institute of Legal Counsel” como um dos 10 melhores advogados de imigração de NY e referência sobre vistos e green cards para os EUA.

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