Fabio Mader, diretor comercial da GOL: “O cliente não está deixando de viajar”

retrospectiva_200Publicado originalmente dia 1 de Maio

O diretor comercial da GOL Linhas Aéreas Inteligentes Fábio Mader concedeu esta entrevista exclusiva ao DIÁRIO. Nela, Fábio fala das promoções de sua companhia, da oferta de voos para os Estados Unidos mesmo em épocas de maré baixa na economia, do sempre atual perfil low cost low fare depois de 15 anos de lançado e das ações de segurança digital que toda empresa que trabalha com vendas on-line precisa ter. Acompanhe:

DIÁRIO – As campanhas promocionais da Gol serão ampliadas na baixa estação? Como vocês estão reagindo diante desse contexto econômico?

FABIO MADER – Está dentro do nosso DNA trabalhar fortemente as promoções. Procuramos, por natureza, estimular o mercado através delas. O que acontece muitas vezes é a intensidade da promoção, não a quantidade. Não significa que teremos mais promoções, mas que, dentro desse contexto que estamos trabalhando, não mudamos nosso planejamento e dentro desse planejamento estimulamos algumas promoções. Acabamos de sair, neste final de semana (21 e 22) de um feirão de passagens e estimulamos muito a venda dos meses de abril e maio. Isso é um pouco do dia a dia da GOL. Sempre estimulando os canais (sites ou agências de viagens), mas sempre com o cuidado de estimular os agentes de viagens e o nosso site com aquilo que foi planejado desde o final do ano passado.

DIÁRIO – Sobre a sua afirmação: “Os Estados Unidos não dependem dos turistas brasileiros”: parece que está embutida uma ideia de que o brasileiro está deixando de ir para os EUA. O que você quis dizer com isso?

FABIO MADER – Na verdade, essa frase não foi minha. Não me lembro dessa frase. Mas eu me lembro do contexto porque participei da resposta dessa questão. Essa pergunta está relacionada diretamente ao dólar e evidentemente que os Estados Unidos tem um papel fundamental nesse negócio. Contextualizando a frase: estávamos em uma semana em que as passagens aéreas para os Estados Unidos estavam sendo estimuladas por US$ 350. Isso significa que o preço real da passagem, sobre o câmbio de hoje, comparado aos US$ 500 ou US$ 600 do ano passado, a passagem, em reais, traz uma redução na casa de 10% a 15%. Normalmente, a pessoa olha somente (o valor da) passagem. Mas e o hotel? O hotel não baixou o preço. Porque lá nos Estados Unidos continua aquecido. Os ingressos da Disney não baixaram os preços. O taxi não baixou e a comida não baixou. Quando você coloca todos os gastos da viagem, a redução dos US$ 350 é muito menor do que parece. Esse foi o contexto da frase.

Temos uma oferta para os EUA menor do que os nossos concorrentes. Então, nós sofremos menos. O que temos percebido: o cliente não está deixando de viajar, mas está reduzindo a quantidade de dias e feito um replanejamento da viagem. Essa é a nossa visão dos Estados Unidos, por isso estamos sendo menos impactados.

O que temos percebido: o cliente não está deixando de viajar, mas está reduzindo a quantidade de dias e feito um replanejamento da viagem. 

DIÁRIO – Fale mais das rotas internacionais da GOL…

FÁBIO MADER – Quando olhamos o mercado internacional, estamos muito bem posicionados no Caribe, principalmente Punta Cana, voamos para Aruba, Tobago e para Barbados. Quando falamos de Punta Cana, que é o maior volume, nosso segundo melhor mercado internacional, tem uma característica diferente porque o turismo que gera em Punta Cana é turismo de resort, de all inclusive. O brasileiro gosta muito disso. Ele sai do Brasil sabendo que o que ele pagou foi em 10x e que não tem surpresa nenhuma com o dólar. Percebemos que o nosso mercado, Caribe, no caso, tem tido um bom momento no mercado.

Olhando para Argentina, que é o nosso maior destino, temos 76 frequências semanais, com voos saindo de Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza. Somos a principal empresa de oferta para o mercado da Argentina. O que temos percebido no mercado internacional: um aumento dos argentinos para o mercado brasileiro. Percebemos que o Brasil não deixou de mandar viajantes para lá. Mercados mais distantes, como Europa, têm sofrido mais.

Então, nos Estados Unidos, continuamos bem posicionados pelo nosso produto. Conseguimos vender Caribe com compras, temos o mercado argentino, que é nosso maior número de oferta e percebemos que por causa do dólar, para o argentino passou a ser um atrativo, e o brasileiro também tem sido estimulado. Ele não deixa de viajar.

No momento que estamos vivendo, o nosso canal agente de viagens tem tido um papel importante de manter o nosso volume de vendas internacionais.

No momento que estamos vivendo, o nosso canal agente de viagens tem tido um papel importante de manter o nosso volume de vendas internacionais

DIÁRIO – A GOL  lançou o modelo low cost, low fare no início dos anos 2000 e foi um sucesso, uma grande “sacada”. Qual é a “sacada” da gol agora, 15 anos depois?

FABIO MADER – Um grande ponto da GOL é o low cost. Esse é um valor que a empresa criou e está enraizado na organização de uma forma muito natural nela. A grande sacada da GOL nesse momento é manter a plataforma de low cost, manter um posicionamento de preço e também melhorar a experiência do cliente, como maior espaço entre as poltronas, aplicativos para dispositivos móveis… Essa é a grande mudança que a gente têm feito. Temos tentado levar mais experiência ao nosso cliente. Esse é um pouco do momento GOL

DIÁRIO – Qual é, hoje, a preocupação da GOL no seu sistema de segurança online?

FABIO MADER – A segurança também é um dos nossos valores. Não somente a segrança de voo, mas também a segurança de sistema. A GOL nasceu como uma empresa de tecnologia. Foi a primeira companhia aérea a entrar no Brasil com o bilhete eletrônico, e-ticket. Não existia no Brasil até a chegada da GOL  esse modelo de negócio. Evidente que nós tentamos sempre trabalhar o lado de tecnologia. Está dentro da nossa assinatura Linhas Aéreas Inteligentes. Fazemos essa parte de inovação. É claro que a segurança do sistema é muito importante e a gente tem feito muito em relação a isso. O tema de segurança não é da indústria da aviação, é um tema do mundo. O mundo está falando muito disso. Não é exclusivo da GOL , mas o que temos feito? Estamos lançando o itoken para agências de viagens para celular. Nós optamos em trabalhar com itoken através do celular porque o celular é uma ferramenta pessoal e as pessoas normalmente não passam seu celular para outras pessoas. É mais uma mudança para levar ao nosso agente de viagens mais formas de se proteger.

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1 COMENTÁRIO

  1. Existe uma cultura no Brasil de oferecer menor preço, por si só. A questão que bem lembra o Professor Marins: é o que o cliente esteja adquirindo com o preço ofertado. A Gol e a Azul dependendo da localidade e data, possuem preços de passagens próximos, mas o conforto a bórdo da Azul é maior: TV Sky, acentos confortáveis, aeronaves póde-se dizer novas. Quando se fala em viagem internacional, percebo ainda a divulgação dos Estados Unidos; a Europa há muito mais a se conhecer; bem como há muito que se conhecer no país-continente: Brasil. Fica a Dica.

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