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Fazenda Panorama Farm integra rota do cacau; empresa é pioneira na fabricação do “cocoa nibs Amazônia”

Empresária Eunice Gutzeit conta ao DIÁRIO como tem unido o cacau, principal produto da Fazenda Panorama, com o mercado turístico local

Texto de Hugo Okada
Reportagem de Paulo Atzingen

A Fazenda Panorama, localizada na região da Transamazônica, no município de Uruará, no Estado do Pará, acaba de participar da Feira ISM, que acontece todos os anos entre o final de janeiro e início de fevereiro na Alemanha. A Panorama Farm, como é conhecida a empresa, levou para o evento os nibs de cacau, fruta que é o carro-chefe entre os cultivos da propriedade. Os nibs de cacau são amêndoas de cacau fino, que têm se tornado tendência na indústria e conquistado cada vez mais espaço em todo o mundo por conta dos benefícios que ela proporciona para a saúde, pela textura e pelo sabor único.

A empresária Eunice Gutzeit, contou em entrevista ao DIÁRIO, não apenas o êxito da empresa na participação da feira e na divulgação do produto, mas também os planos para integrar a rota do cacau no Pará, uma investida no mercado do Turismo local (e do Ministério da Integração Regional) que proporcionará uma experiência in loco aos visitantes do destino e mostrará, além das belezas naturais, as vantagens do consumo das nibs de cacau.

O produto final, Cocoa nibs, chocolate fino para paladares globais (Crédito: DT)

Panorama Farm atravessando o mundo

“A Feira ISM é um evento que aconteceu de 27 a 31 de janeiro na Alemanha. É uma feira de doces, cakes e derivados com a presença das maiores empresas do segmento em todo o mundo. Foi muito bom poder participar. A Fazenda Panorama representou todos os produtos da região amazônica e fizemos contato com todos esses chocolateiros de forma direta”, destacou Eunice.

Segundo a empresária, a importância de um evento como esse se reflete na representatividade de todos os países do mundo em um só lugar. “Ásia, América, Europa inteira. É uma feira mundial, anual e que possui uma repercussão muito grande no mercado”, observou.

O cacau, na fazenda Panorama

Cocoa Nibs Amazônia

A Fazenda Panorama chegou ao ISM para apresentar ao mundo o Cocoa Nibs Amazônia, carro-chefe da produção da companhia. As nibs de cacau fino são, nas palavras de Eunice, “a verticalização, em primeira fase dos produtos das amêndoas de cacau fino, ou seja, o cacau fino é um produto de qualidade, frutos selecionados com mesmo nível de maturação, fermentação que pode variar de três a sete dias e uma secagem lenta para manter os sabores. É um produto que pode ser utilizado por chocolateiros para a elaboração de receitas artesanais, mistura em barras de cereais – tivemos uma grande demanda nesse sentido – e também que repercute muito bem em nível de sustentabilidade em nível mundial”, afirma.

Fazenda Panorama e sua produção

A região de Uruará, diferente de outras regiões onde a soja, a indústria madeireira e a pecuária imperam, segundo Eunice, tem foco na cultura do cacau, inclusive a nível de produção, a região da Transamazônica ultrapassou a Bahia, estado que se destacou na cultura do planta que se origina o chocolate. “O cacau é originário da região amazônica e foi levado para a Bahia há muitos anos atrás. Nossa região tem uma grande vantagem devido ao clima e o solo perfeito, com resistência à vassoura de bruxa. Com o advento do desmatamento, o mercado se voltou à cultura do cacau”, adianta.

 

A fazenda Panorama possui 2.027 hectares sendo que suas 250 mil plantas de cacau produzem 350 toneladas anualmente. Esta região da Transamazônica possui uma produção total de 90 mil toneladas. O empreendimento rural integra a Agroada, uma associação que reúne pequenos produtores. “O cacau fino é entendido como um produto necessário para um chocolate de qualidade, dessa maneira estamos vivenciando um momento muito positivo em nível nacional e internacional”, revelou a empresária.

Rota do Cacau

Integrado ao programa de Rotas de Integração Nacional, do agora Ministério do Desenvolvimento Regional, a Rota do Cacau propõe aquecer a cadeia produtiva do cacau e do chocolate. O programa nasceu em 2018 e propõe o desenvolvimento regional pelo grande número de ocupações e postos de trabalho gerados pela cultura, especialmente a para a agricultura familiar e extrativistas em territórios de baixa renda, associada ao turismo e à gastronomia.

Eunice na feira em Colônia, com o chocolatier número 1 da Bélgica Herman Van Dender, que processa amêndoas (Crédito: arquivo pessoal)

“Movimento iniciado em 2018, a Rota do Cacau é bem-vinda em nossa região para agregar valores. A implantação da Rota do Cacau é importante porque sozinho o produtor ainda sente muita dificuldade. Precisamos de políticas inclusivas que direcionem e criem situações para que consigamos maior volume e padronização de qualidade. Ai que entra o agroturismo, na região onde foi construída a hidrelétrica Belo Monte. Visitas às fazendas, à hidrelétrica e pescarias, além do conhecimento in loco do cultivo do cacau até a forma de chocolate são algumas das atividades previstas para esse projeto”, adiantou a empreendedora.

A cadeia produtiva do cacau e chocolate é estratégica para o desenvolvimento regional

 

A rota do cacau oferece grande número de ocupações e postos de trabalho, especialmente para a agricultura familiar e associada ao turismo e à gastronomia

Fazenda Panorama (Panorama Farm)

 

 

 

 

 

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